Título original: Christian & Oriental Philosophy of Art
Subtítulo: Originalmente publicado em 1943 sob o título "Why Exhibit Works of Art?"
Autor: Ananda Kentish Coomaraswamy (1877–1947)
Ano da primeira edição: 1943
Editora da primeira edição: Luzac & Company Ltd.
Local da primeira edição: Londres, Reino Unido.
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Christian and Oriental Philosophy of Art reúne nove ensaios dedicados à natureza da arte tradicional e à sua relação com a filosofia, a religião e a contemplação. Coomaraswamy procura demonstrar que existe uma compreensão comum da arte nas grandes civilizações tradicionais — cristã, hindu, budista e islâmica — baseada na ideia de que a criação artística participa de uma ordem espiritual e metafísica.
Entre os temas abordados encontram-se a verdadeira finalidade da arte, o simbolismo, a beleza, a arte medieval, a arte popular, a tradição artesanal, a matemática como expressão da beleza e a relação entre contemplação e criação artística. O autor critica a conceção moderna da arte como mera expressão individual do artista, defendendo que, nas sociedades tradicionais, o artista era antes um artesão que trabalhava segundo princípios universais transmitidos pela tradição.
A obra desenvolve igualmente uma reflexão profunda sobre a unidade entre pensamento cristão medieval e filosofia oriental, mostrando que ambas partilham uma compreensão semelhante da arte enquanto caminho de conhecimento e realização espiritual.
Esta obra é considerada um dos textos fundamentais da filosofia tradicional da arte. Coomaraswamy demonstra que a estética não pode ser separada da metafísica e que a verdadeira obra de arte possui uma função espiritual, pedagógica e contemplativa.
O livro exerceu uma influência duradoura sobre historiadores da arte, filósofos, arquitetos e estudiosos da religião, tornando-se uma referência para a compreensão da arte tradicional tanto no Oriente como no Ocidente.
Embora não trate especificamente do Yoga, esta obra é extremamente útil para compreender o universo simbólico em que o Yoga se desenvolveu. A interpretação tradicional da arte proposta por Coomaraswamy permite entender que templos, esculturas, yantra, maṇḍala, mudrā e imagens das divindades não são meros objetos estéticos, mas suportes de contemplação e expressão de princípios metafísicos. Esta perspetiva enriquece significativamente a leitura dos textos clássicos do Yoga e do Tantra.
O ensaio “The Christian and Oriental, or True, Philosophy of Art”, incluído nesta obra, tornou-se um dos textos mais citados de Coomaraswamy sobre estética tradicional. A mudança de título em 1956 contribuiu para ampliar a sua divulgação internacional e fez desta edição a versão de referência utilizada atualmente em universidades e centros de investigação.
Do ponto de vista académico, Christian and Oriental Philosophy of Art permanece uma das obras mais influentes de Ananda Coomaraswamy. A sua abordagem procura demonstrar que existe uma filosofia universal da arte, comum às grandes tradições religiosas, ideia característica da Philosophia Perennis. Esta perspetiva distingue-se das metodologias histórico-críticas predominantes na investigação contemporânea e continua a suscitar debate entre especialistas. Ainda assim, a profundidade filológica, a amplitude comparativa e a coerência filosófica da obra fazem dela uma referência incontornável para o estudo da estética tradicional, da arte sacra e do simbolismo religioso. Para investigadores do Yoga, constitui uma leitura complementar de grande valor, ajudando a compreender a função contemplativa das imagens e da arte no contexto do Hinduísmo e das restantes tradições espirituais da Índia.