Neurobiologia e Filosofia da Meditação

Neurobiologia e Filosofia da Meditação

Título original: Neurobiologia e Filosofia da Meditação

Autor: Marcello Árias Dias Danucalov & Roberto Serafim Simões

Ano da primeira edição: 2006

Editora da primeira edição: Phorte Editora

Local da primeira edição: São Paulo, Brasil

Idioma original: Português (Brasil)

Resumo

Neurobiologia e Filosofia da Meditação procura estabelecer um diálogo entre investigação científica, práticas contemplativas e experiências religiosas.

A obra começa por fornecer bases para compreender o próprio discurso científico e religioso. Na edição de 2018 foram acrescentados dois capítulos introdutórios, “O que é ciência” e “O que é religião”, destinados a ajudar o leitor a avaliar criticamente os diferentes tipos de afirmações presentes ao longo do livro.

Segue-se uma exposição de elementos de psiconeuroimunoendocrinologia, mostrando as relações entre sistema nervoso, sistema endócrino, sistema imunitário e comportamento humano. Os autores abordam depois a relação corpo–mente e discutem diferentes modelos utilizados para compreender consciência e experiência subjetiva.

Uma parte central é dedicada diretamente ao Yoga e à meditação. O livro apresenta conceitos históricos e filosóficos associados a estas práticas e revê investigação científica sobre os seus possíveis efeitos fisiológicos e psicológicos.

A obra termina alargando a discussão às experiências místico-religiosas, procurando compreender fenómenos descritos como êxtase, iluminação, nirvāṇa ou consciência cósmica através do confronto entre diferentes perspetivas científicas, filosóficas e religiosas. O sumário da edição de 2018 confirma capítulos específicos sobre Yoga e meditação, investigação científica e religião e consciência cósmica.

Porque é importante

A importância da obra reside sobretudo na tentativa de aproximar campos que frequentemente são tratados separadamente: neurociência, fisiologia, filosofia, religião, Yoga e meditação.

A edição original já procurava reunir uma grande quantidade de investigação científica disponível sobre meditação, Yoga e experiências místico-religiosas. A descrição da primeira edição refere uma compilação baseada em mais de mil artigos científicos, com particular atenção às alterações neurofisiológicas associadas à meditação e a experiências religiosas.

É também relevante no contexto brasileiro por ter sido publicada relativamente cedo, em 2006, num momento em que o diálogo entre Yoga, meditação e neurociência ainda estava em processo de grande expansão internacional.

A edição de 2018 mostra uma evolução no próprio projeto intelectual dos autores: o abandono do título Neurofisiologia da Meditação em favor de Neurobiologia e Filosofia da Meditação reconhece explicitamente que o livro ultrapassa a fisiologia e aborda questões filosóficas, religiosas e epistemológicas muito mais amplas.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse de Neurobiologia e Filosofia da Meditação para os Estudos do Yoga é elevado, sobretudo nas áreas de Yoga contemporâneo, meditação, ciência e medicalização das práticas contemplativas. A obra permite observar como Yoga e meditação são reinterpretados através de categorias da neurociência, fisiologia, psicologia e investigação biomédica, ao mesmo tempo que procura preservar uma discussão sobre os seus contextos filosóficos e religiosos. É particularmente útil para estudar a transformação moderna do Yoga numa prática associada à saúde e ao bem-estar e para analisar criticamente as tentativas de traduzir conceitos contemplativos em linguagem neurobiológica. Para uma biblioteca dedicada aos Estudos do Yoga, considero-a especialmente pertinente quando colocada em diálogo com investigação sobre biomedicalização, secularização e cientificação do Yoga moderno.

Curiosidade bibliográfica

A principal curiosidade é precisamente a mudança de título.

A obra nasceu em 2006 como Neurofisiologia da Meditação. Em 2018, a nova edição passou a chamar-se Neurobiologia e Filosofia da Meditação porque, segundo a própria editora, este título representava melhor os assuntos tratados no livro. Foram ainda acrescentados os capítulos “O que é ciência” e “O que é religião”.

Há ainda uma fase intermédia da história editorial: em 2009 circulava uma edição/reimpressão de Neurofisiologia da Meditação com cerca de 495 páginas e copyright de 2006. Alguns catálogos chamam-lhe “2.ª edição”, o que pode gerar confusão com a verdadeira reformulação de 2018.

Por isso, eu organizaria assim a cronologia:

2006 — Neurofisiologia da Meditação, 1.ª edição
2009 — nova impressão/edição de Neurofisiologia da Meditação
2018 — Neurobiologia e Filosofia da Meditação, edição revista, ampliada e retitulada

Nota académica

Neurobiologia e Filosofia da Meditação deve ser lido como uma obra interdisciplinar de síntese e não como uma monografia exclusivamente neurocientífica. Os autores combinam revisão de investigação biomédica com história das religiões, filosofia, interpretações sobre consciência e discussão de experiências místico-religiosas. Esta amplitude é uma das forças do livro, mas exige também distinguir cuidadosamente entre resultados experimentais, hipóteses neurobiológicas e interpretações filosóficas ou religiosas. Além disso, grande parte da literatura científica revista pertence ao período anterior a 2018, pelo que conclusões sobre benefícios terapêuticos específicos devem ser confrontadas com revisões sistemáticas e investigação mais recente. Como documento da aproximação entre ciência, Yoga e meditação no Brasil, contudo, a obra possui interesse significativo.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Português

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga