Post-Lineage Yoga From Guru to #Metoo

Post-Lineage Yoga From Guru to #Metoo

Título original: Post-Lineage Yoga

Subtítulo: From Guru to #Metoo

Autor: Theodora Wildcroft

Ano da primeira edição: 2020

Editora da primeira edição: Equinox Publishing

Local da primeira edição: Sheffield, Reino Unido

Idioma original: inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

Em Post-Lineage Yoga: From Guru to #MeToo, Theodora Wildcroft propõe o conceito de «Yoga pós-linhagem» para compreender certas comunidades contemporâneas de praticantes que já não organizam a transmissão do Yoga em torno da autoridade exclusiva de um guru, de uma escola ou de uma linhagem institucional. Nessas comunidades, o conhecimento circula sobretudo através de redes de pares, da experiência individual, da experimentação prática e da negociação coletiva de critérios de autenticidade, segurança e competência.

Baseada na investigação etnográfica desenvolvida pela autora em comunidades britânicas de Yoga, a obra examina as relações entre prática corporal, autoridade, identidade, ecologia, espiritualidade e vida comunitária. Wildcroft analisa particularmente grupos situados nas margens do mercado dominante do Yoga, incluindo comunidades ligadas à contracultura britânica, a festivais e retiros e a formas de prática influenciadas por professoras como Vanda Scaravelli e Angela Farmer.

O livro investiga também as transformações produzidas pela morte ou pelo descrédito público de professores carismáticos, pelas denúncias de abuso em comunidades yóguicas e pelo movimento #MeToo. Contudo, «pós-linhagem» não significa necessariamente rejeição absoluta das linhagens. Muitos dos praticantes estudados receberam formação em tradições estabelecidas, mas passaram a relacionar-se de forma crítica e seletiva com essa herança, recusando a submissão a uma única autoridade.

Porque é importante

A obra é importante porque desloca a atenção das grandes escolas, instituições e figuras carismáticas para as formas quotidianas através das quais o conhecimento yóguico é produzido, transmitido e legitimado entre praticantes. Em vez de considerar o Yoga contemporâneo apenas como uma escolha entre tradição e comercialização, Wildcroft identifica comunidades que procuram preservar a profundidade da prática sem reproduzir necessariamente estruturas hierárquicas ou autoritárias.

O livro contribui também para compreender os debates atuais sobre abuso de poder, consentimento, acessibilidade, inclusão, trauma e responsabilidade ética no ensino do Yoga. A sua principal contribuição consiste em mostrar que o desaparecimento de uma autoridade central não elimina os problemas de legitimidade: obriga as comunidades a negociar continuamente quem pode ensinar, que conhecimentos são considerados válidos e como se estabelecem padrões de segurança e boas práticas.

Interesse para o estudo do Yoga

Post-Lineage Yoga constitui uma contribuição relevante para os estudos do Yoga moderno e contemporâneo, sobretudo nas áreas da antropologia da religião, sociologia do Yoga, estudos do corpo e religião vivida. A obra fornece ferramentas para analisar comunidades que não se identificam claramente com uma linhagem, mas que também não se reduzem ao consumo ocasional de aulas comerciais.

A investigação evidencia que a transmissão contemporânea do Yoga pode ocorrer através de redes informais, relações horizontais e processos coletivos de experimentação e validação. Permite, assim, estudar a autoridade yóguica não apenas como algo herdado de um guru ou de uma tradição, mas como uma construção social que pode ser distribuída entre professores, praticantes, comunidades e experiências corporais individuais.

Curiosidade bibliográfica

O livro resulta da tese de doutoramento de Theodora Wildcroft, intitulada Patterns of Authority and Practice Relationships in “Post-Lineage Yoga”, apresentada à Universidade Aberta em 2018. A tese está disponível gratuitamente no repositório institucional da universidade.

A expressão «Yoga post-linhagem» foi elaborada por Wildcroft durante esta investigação. A autora esclarece que «pós-linhagem» não significa «ant linhagem» nem designa uma nova escola de Yoga. Trata-se de uma categoria analítica destinada a descrever determinadas comunidades em que as redes de pares se tornaram mais importantes do que a fidelidade exclusiva a uma marca, escola ou linhagem.

Nota académica

A obra baseia-se numa metodologia etnográfica de participação próxima, que Wildcroft designa, em parte, como co-practice: a investigadora não observa as práticas apenas do exterior, mas participa nelas e reflete criticamente sobre a sua própria posição enquanto praticante, professora e investigadora. Esta proximidade permite uma descrição particularmente rica da experiência corporal e das relações comunitárias, mas constitui igualmente um limite metodológico que deve ser considerado.

O conceito de «Yoga pós-linhagem» não deve ser aplicado indistintamente a todo o Yoga contemporâneo, nem interpretado como prova de que as linhagens perderam a sua relevância. A investigação incide principalmente sobre comunidades específicas do contexto britânico, próximas da contracultura, de retiros e de redes não institucionais. A autora reconhece que estas comunidades são complexas, diversas e, por vezes, contraditórias.

Algumas recensões académicas valorizaram a originalidade do modelo e a descrição de um meio pouco estudado. Outras assinalaram que a afinidade da autora com as comunidades observadas pode influenciar certas conclusões, que as fronteiras entre Yoga comercial, Yoga de linhagem e Yoga pós-linhagem são mais fluidas do que o modelo por vezes sugere e que conceitos como «religioso», «espiritual» e «sobrenatural» necessitariam de uma delimitação teórica mais sistemática. Consequentemente, «Yoga pós-linhagem» deve ser entendido como uma proposta analítica influente e ainda debatida, não como uma categoria consensual ou universalmente aplicável.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga