Transmutations

Transmutations

Título original: Transmutations

Subtítulo: Rejuvenation, Longevity, and Immortality Practices in South and Inner Asia

Autor: Dagmar Wujastyk, Suzanne Newcombe & Christèle Barois

Ano da primeira edição: 2017

Editora da primeira edição: University of Alberta Libraries

Local da primeira edição: Edmonton, Alberta, Canadá

Idioma original: Inlgês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

Transmutations reúne estudos sobre práticas destinadas a rejuvenescer o corpo, prolongar a vida, vencer a doença ou alcançar formas de imortalidade no Sul e na Ásia Interior. Os artigos analisam tradições médicas, alquímicas, yóguicas, tântricas, budistas, Bön e sufis, evitando tratar a procura da longevidade como fenómeno exclusivo de uma religião ou sistema médico.

A coletânea examina práticas como o rasāyana ayurvédico, os preparados alquímicos, o kāyakalpa, os medicamentos dos Siddhas tâmeis, as “pílulas preciosas” tibetanas e técnicas contemplativas associadas à preservação da vida. Em alguns contextos, o objetivo é recuperar a juventude ou fortalecer o organismo; noutros, preparar um corpo transformado, alcançar a libertação ou superar simbolicamente a morte.

O volume mostra que medicina, alquimia, Yoga e religião nem sempre ocupavam domínios separados. Substâncias minerais e vegetais, regimes alimentares, isolamento, recitação, ritual e disciplina corporal podiam participar num mesmo programa de transformação. Contudo, práticas aparentemente semelhantes assumiam significados diferentes conforme os textos, as linhagens e os contextos históricos.

Porque é importante

A publicação permite comparar tradições que costumam ser estudadas separadamente. Em vez de procurar uma origem única para as práticas de longevidade, as editoras analisam aproximações, diferenças e possíveis intercâmbios entre sistemas médicos, yóguicos, alquímicos e religiosos.

O número também contribui para a história do corpo na Ásia. A imortalidade nem sempre significa sobrevivência física ilimitada: pode designar longevidade excecional, libertação do renascimento, transformação espiritual ou conservação de um corpo considerado adequado à prática religiosa.

 

Interesse para o estudo do Yoga

O artigo de Philipp André Maas, “Rasāyana in Classical Yoga and Āyurveda”, analisa a presença de rasāyana no Yoga clássico e as suas relações com a medicina ayurvédica. O estudo é importante porque mostra que o rejuvenescimento não pertence apenas ao Āyurveda: aparece também ligado a poderes, substâncias e transformações corporais no universo do Yoga.

Suzanne Newcombe contribui com “Yogis, Ayurveda, and Kayakalpa: The Rejuvenation of Pandit Malaviya”. O artigo estuda o tratamento de rejuvenescimento realizado por Madan Mohan Malaviya na década de 1930 e a maneira como kāyakalpa, Yoga e Āyurveda foram apresentados publicamente na Índia moderna.

Para os Estudos do Yoga, o volume ajuda a compreender que determinadas tradições não procuravam apenas controlar a mente. O corpo podia ser purificado, fortalecido ou prolongado para sustentar a prática, adquirir capacidades extraordinárias ou preparar a libertação.

Curiosidade bibliográfica

O artigo de Newcombe ocupa as páginas 85–120 e pode ser consultado independentemente do restante número. O episódio de Malaviya recebeu considerável atenção pública e permite observar como uma antiga ideia de rejuvenescimento foi reinterpretada no contexto político, médico e mediático da Índia colonial tardia.

O número inclui ainda estudos sobre literatura médica sânscrita, Siddhas tâmeis, práticas tibetanas Bön e Nyingma e textos sufis bengalis, oferecendo uma comparação geográfica e religiosa pouco habitual.

Nota académica

Os resultados prometidos pelas fontes — rejuvenescimento, invulnerabilidade ou imortalidade — devem ser analisados como afirmações históricas e religiosas, não como benefícios clinicamente comprovados. Os artigos estudam o significado e a transmissão dessas práticas, não demonstram a sua eficácia biomédica.

Também não existe uma única tradição asiática de imortalidade. Termos como rasāyana, kāyakalpa, bcud len e kaṟpampertencem a contextos linguísticos e doutrinais diferentes e não devem ser tratados como equivalentes perfeitos.

Disponibilidade

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga