Título original: Yoga Body
Subtítulo: The Origins of Modern Posture Practice
Autor: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/mark-singleton/">Mark Singleton</a>
Ano da primeira edição: 2010
Editora da primeira edição: Oxford University Press
Local da primeira edição: New York, Estados Unidos
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Yoga Body investiga a ascensão do Yoga postural moderno entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Singleton procura compreender como o āsana adquiriu uma importância central no Yoga transnacional contemporâneo, quando muitas formas anteriores de Yoga não eram organizadas predominantemente em torno de séries extensas de posturas.
O autor analisa encontros entre tradições indianas de Yoga e movimentos internacionais de cultura física, ginástica, musculação, educação corporal, nacionalismo e novas conceções de saúde. Examina, por exemplo, a influência da ginástica escandinava, dos métodos de Eugen Sandow, da YMCA e de diferentes movimentos indianos de cultura física.
Uma parte central da obra é dedicada a T. Krishnamacharya e ao ambiente do Palácio de Mysore nas décadas de 1930 e 1940. Singleton argumenta que as formas posturais desenvolvidas nesse contexto devem ser entendidas como sínteses modernas entre elementos provenientes de tradições de Haṭhayoga e diferentes formas indianas e internacionais de cultura física.
O livro estuda também o papel decisivo da fotografia, dos manuais ilustrados e das novas tecnologias de reprodução visual na criação de um repertório moderno de āsanas reconhecível e transmissível internacionalmente.
Yoga Body alterou profundamente o debate académico sobre a história do Yoga moderno porque demonstrou que as práticas posturais contemporâneas não podem ser explicadas simplesmente como transmissão ininterrupta de sistemas antigos de āsana.
Singleton mostra que o Yoga moderno foi produzido através de processos históricos de adaptação, intercâmbio e inovação, envolvendo tanto agentes indianos como influências transnacionais. A sua análise deslocou o debate da questão simplista de saber se certas posturas são “tradicionais” ou “ocidentais” para uma investigação mais complexa sobre circulação cultural, nacionalismo, modernidade e transformação das práticas corporais.
A obra é igualmente importante porque coloca Krishnamacharya dentro de um contexto histórico mais amplo, relacionando o seu trabalho em Mysore com movimentos contemporâneos de educação física, demonstração pública, cultura corporal e renovação nacional.
O interesse de Yoga Body para os Estudos do Yoga é excecional porque fornece uma das análises históricas mais influentes sobre a formação do Yoga postural moderno. A obra permite compreender por que razão o āsana adquiriu uma centralidade que não possuía em muitas formas anteriores de Yoga e mostra como cultura física, nacionalismo indiano, ginástica, medicina, fotografia, educação corporal e tradições de Haṭhayoga participaram na construção das práticas modernas. É particularmente importante para estudar Krishnamacharya, o ambiente de Mysore e as genealogias que posteriormente conduziram a sistemas associados a B. K. S. Iyengar, K. Pattabhi Jois e outras formas internacionais de Yoga postural. Ao mesmo tempo, ajuda a distinguir historicamente Yoga pré-moderno, Haṭhayoga e Yoga moderno, tornando-se uma obra fundamental para evitar narrativas simplificadas de continuidade direta entre práticas antigas e as aulas de Yoga contemporâneas.
Yoga Body desenvolveu investigação que Singleton tinha iniciado durante o seu doutoramento na Universidade de Cambridge. Nos agradecimentos, o autor menciona, entre outros, Gavin Flood e David Smith pelo acompanhamento na fase de doutoramento, Joseph S. Alter e Kenneth Liberman como leitores da Oxford University Press, além de James Mallinson, Gudrun Bühnemann, Dominik Wujastyk e outros investigadores ligados aos Estudos do Yoga e da Índia.
O livro utiliza também materiais provenientes de dois textos sobre āsana que ainda não tinham sido traduzidos, associados a T. Krishnamacharya, além de documentação rara proveniente de arquivos de vários países.
Outro ponto particularmente interessante é a análise da imagem fotográfica. Singleton mostra que a possibilidade de reproduzir posturas através de fotografias e manuais impressos não foi apenas um meio de divulgar o Yoga: ajudou a moldar a própria maneira como o corpo yóguico moderno passou a ser concebido e apresentado.
Yoga Body constitui uma obra decisiva para a consolidação dos estudos históricos sobre o Yoga moderno. A sua principal contribuição está na utilização combinada de arquivos, manuais de cultura física, fotografias, publicações de Yoga, documentos provenientes da Índia, Reino Unido e Estados Unidos e entrevistas com participantes ligados ao renascimento postural das décadas de 1920 e 1930.
O livro não sustenta que o Yoga postural moderno seja simplesmente uma invenção ocidental ou que não possua continuidade com tradições indianas anteriores. O argumento é mais subtil: as formas contemporâneas resultam de processos de síntese, reformulação e intercâmbio ocorridos em condições históricas específicas. Esta distinção é essencial, porque algumas leituras populares da obra reduziram indevidamente a tese de Singleton à ideia de que “as posturas modernas vêm da ginástica”. O próprio estudo documenta um processo muito mais complexo de interação entre fontes indianas, Haṭhayoga, cultura física, nacionalismo e modernidade.
Inglês — idioma original
Francês
Espanhol
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
Utilizamos cookies necessários ao funcionamento do site e, mediante o seu consentimento, cookies estatísticos e serviços externos, como conteúdos de vídeo. Pode aceitar, recusar ou gerir as suas preferências. A recusa ou retirada do consentimento poderá limitar algumas funcionalidades.