Título original: Yoga Makaranda Part II
Autor: T. Krishnamacharya
Ano da primeira edição: 2010
Editora da primeira edição: Não aplicável
Local da primeira edição: Não aplicável
Idioma original: Telegu
Existe edição em língua portuguesa? Não localizada / não confirmada.
Yoga Makaranda Part II desenvolve de forma muito mais detalhada alguns aspetos apenas parcialmente tratados na primeira parte, sobretudo āsana, prāṇāyāma, respiração, kumbhaka, bandha e adaptação da prática às características individuais do praticante.
O texto descreve diversas posturas e discute a forma como devem ser realizadas, incluindo respiração, tempo de permanência, sequenciação e cuidados necessários durante a prática. Krishnamacharya insiste repetidamente que o praticante não deve utilizar força excessiva e que o Yoga deve progredir gradualmente. A.G. Mohan salienta precisamente que o documento contém numerosas recomendações destinadas a tornar a prática “segura, eficaz e progressiva” e a evitar lesões.
A parte dedicada ao prāṇāyāma é particularmente importante. O texto trabalha diferentes relações entre inspiração, expiração e retenção respiratória, emprego de bandhas, concentração e progressão da prática.
A investigação de Magdalena Kraler considera Yoga Makaranda II a fonte que contém as instruções de prāṇāyāma mais detalhadas dentro do conjunto de textos atribuídos a Krishnamacharya.
A obra é extremamente importante porque permite observar uma dimensão do ensino de Krishnamacharya menos evidente no primeiro Yoga Makaranda.
Yoga Makaranda Part I tornou-se célebre sobretudo pela apresentação de āsana e vinyāsa-krama. A segunda parte mostra com muito maior clareza que, para Krishnamacharya, o Yoga não terminava na prática postural.
Prāṇāyāma, kumbhaka, bandha, concentração e adaptação individual da prática constituem partes fundamentais do sistema.
Isto ajuda também a compreender os desenvolvimentos posteriores nos ensinamentos de T.K.V. Desikachar e A.G. Mohan, que deram particular importância à relação entre respiração, movimento e necessidades específicas do praticante.
A obra é ainda importante porque permite comparar diferentes fases da transmissão de Krishnamacharya e verificar continuidades que não são imediatamente visíveis quando se conhece apenas o Yoga postural associado posteriormente a Pattabhi Jois ou Iyengar.
O interesse de Yoga Makaranda Part II para os Estudos do Yoga é excecional, sobretudo para investigar prāṇāyāma, vinyāsa-krama, adaptação individual da prática e evolução do ensino de Krishnamacharya. O manuscrito permite perceber que o seu método integrava āsana, respiração, retenções, bandhas e concentração dentro de uma prática progressiva e não apenas numa sequência física padronizada. É também uma fonte particularmente valiosa para estudar a transmissão do Yoga entre Krishnamacharya e discípulos como T.K.V. Desikachar e A.G. Mohan. Ao mesmo tempo, precisamente por se tratar de um manuscrito de história editorial incerta, deve ser utilizado com maior cautela do que Yoga Makaranda Part I.
A principal curiosidade é que esta “Parte II” quase desapareceu da história editorial de Krishnamacharya.
A.G. Mohan afirma que ele próprio e T.K.V. Desikachar trabalharam sobre o manuscrito durante a década de 1970 e tentaram prepará-lo para publicação, mas o projeto nunca chegou a concretizar-se.
Mais interessante ainda é existir uma verdadeira controvérsia dentro da própria linhagem. No prólogo de uma edição moderna de Yoga Makaranda Part I, Kausthub Desikachar afirma que, apesar de Krishnamacharya ter planeado uma segunda parte, os registos disponíveis indicariam que não existia qualquer Part II. Em contraste, A.G. Mohan conserva precisamente um manuscrito que identifica como Yoga Makaranda Part II e afirma ter discutido partes dele diretamente com Krishnamacharya. A investigação de Magdalena Kraler considera esta discrepância uma questão ainda não resolvida na história textual da tradição de Krishnamacharya.
Há ainda outra curiosidade: o documento inglês contém traduções terminológicas problemáticas. Mohan chama a atenção, por exemplo, para a tradução de aṅgula como “inch”, para o uso inconsistente de kumbhaka e para terminologia āyurvédica transformada em vocabulário médico ocidental.
Yoga Makaranda Part II exige particular cautela académica. Não possuímos uma edição original publicada por Krishnamacharya, não conhecemos o tradutor inglês, não existe ainda uma edição crítica do texto em telugu e a própria data de composição é aproximada. A atribuição a Krishnamacharya baseia-se sobretudo na proveniência do manuscrito apresentada por A.G. Mohan e na sua afirmação de ter utilizado e discutido o documento diretamente com o mestre.
Além disso, a tradução inglesa contém problemas reconhecidos pelo próprio editor. Termos técnicos foram por vezes traduzidos inadequadamente e explicações provenientes de categorias tradicionais indianas foram vertidas para terminologia biomédica moderna de maneira que Mohan adverte que não deve ser entendida literalmente.
Há, contudo, elementos que reforçam a relevância histórica do documento. A investigação recente encontrou importantes paralelos entre os ensinamentos de Yoga Makaranda II e obras posteriores de discípulos de Krishnamacharya, nomeadamente Religiousness in Yoga, de T.K.V. Desikachar, e Light on Prāṇāyāma, de B.K.S. Iyengar.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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