Título original: Yoga Touchstone
Autor: N. E. Sjoman & H. V. Dattatreya
Ano da primeira edição: 2004
Editora da primeira edição: Black Lotus Books
Local da primeira edição: Calgary, Canadá
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Yoga Touchstone parte de uma questão central: o que torna uma prática corporal verdadeiramente “Yoga”?
Sjoman e Dattatreya afastam-se de uma abordagem meramente histórica e procuram interpretar a prática contemporânea a partir dos Yoga Sūtras de Patañjali. O livro começa precisamente por discutir Patañjali, o significado de Yoga e a natureza da prática, procurando estabelecer critérios que não dependam da identificação com uma escola moderna específica. Uma recensão publicada em Mysore em 2005 caracteriza o livro como uma continuação de The Yoga Tradition of the Mysore Palace, mas agora escrita inteiramente a partir da perspetiva da prática contemporânea.
Um dos argumentos mais interessantes de Sjoman diz respeito ao āsana. Em vez de considerar as posturas como formas fixas que devem simplesmente ser reproduzidas, propõe que o corpo, as circunstâncias e a própria prática estão em transformação contínua. Numa passagem posteriormente citada numa investigação académica, Sjoman defende que os āsanas mudam com o tempo e com o corpo e que uma tradição necessita de permanecer dinâmica para sobreviver.
O livro procura, assim, deslocar a atenção da execução exterior da postura para elementos como consciência, perceção, concentração e qualidade da experiência.
Yoga Touchstone é importante porque apresenta uma crítica interna ao modo como o Yoga postural moderno pode transformar técnicas em modelos rígidos de execução.
Em vez de perguntar apenas se uma determinada postura pertence a uma linhagem antiga, Sjoman pergunta o que acontece durante a própria prática e de que maneira o āsana pode relacionar-se com os objetivos descritos nos Yoga Sūtras.
A obra também questiona fronteiras demasiado rígidas entre escolas contemporâneas. Segundo a recensão publicada no Star of Mysore, os autores apresentam ideias destinadas não a uma tradição específica, mas à prática do Yoga em geral, procurando apoiá-las em textos tradicionais.
Neste sentido, Yoga Touchstone complementa muito bem o argumento histórico de The Yoga Tradition of the Mysore Palace: depois de mostrar que formas modernas de āsana possuem histórias complexas e mutáveis, Sjoman procura aqui discutir o que pode constituir uma prática de Yoga para além da genealogia das posturas.
O interesse de Yoga Touchstone para os Estudos do Yoga é muito elevado, sobretudo para investigar a relação entre Yoga moderno, Patañjali e prática postural. A obra é especialmente útil porque não procura legitimar uma determinada escola através de uma suposta continuidade imutável com a Antiguidade; pelo contrário, apresenta a tradição como dinâmica e questiona a reprodução mecânica das formas externas do āsana. A interpretação de Patañjali permite a Sjoman deslocar o foco da postura enquanto forma visual para a qualidade da atenção, da perceção e da experiência que acompanha a prática. Por isso, o livro funciona particularmente bem em conjunto com The Yoga Tradition of the Mysore Palace: o primeiro questiona historicamente a origem das formas posturais modernas, enquanto Yoga Touchstone pergunta o que pode conferir sentido yóguico a essas formas no presente. Para uma biblioteca dedicada à história e aos estudos críticos do Yoga moderno, consideraria esta obra bastante relevante, apesar da sua circulação bibliográfica relativamente limitada.
O livro contém cerca de 94 fotografias a cores de H.V. Dattatreya executando posturas em vários locais, entre eles Mysore, Chamundi Hill, Somanathpur, Halebid, os mausoléus reais de Madhuvana, bem como locais na Suécia e no Japão. As fotografias não funcionam apenas como ilustrações técnicas: segundo a apresentação contemporânea da obra, procuram expressar visualmente a ideia de maturidade e liberdade de movimento defendida no texto.
O lançamento do livro ocorreu no Mysore Palace Restaurant, em Calgary, e havia também um exemplar depositado no Oriental Institute de Mysore.
Outra curiosidade é que H.V. Dattatreya não é apenas a figura fotografada no livro: é efetivamente coautor. Em algumas referências comerciais, o seu nome aparece mal formatado ou praticamente fundido com o de Sjoman, mas as referências académicas confirmam a autoria conjunta N.E.Sjoman e H.V. Dattatreya.
Yoga Touchstone ocupa uma posição pouco habitual entre investigação académica e manual reflexivo de prática. Sjoman utiliza a sua formação em sânscrito e o seu conhecimento dos Yoga Sūtras, mas o objetivo do volume não é produzir uma edição crítica ou uma história textual de Patañjali. Trata-se antes de utilizar fontes tradicionais para interrogar práticas contemporâneas. Por isso, a obra deve ser distinguida tanto de The Yoga Tradition of the Mysore Palace, predominantemente histórica, como de estudos filológicos modernos dedicados ao Pātañjalayogaśāstra. O seu interesse académico reside sobretudo na reflexão sobre a relação entre texto, tradição, autoridade e prática corporal e na tentativa de evitar a identificação automática de Yoga com um repertório fixo de posturas.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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