Título original: Nonviolence to Animals, Earth, and Self in Asian Traditions
Autor: Christopher Key Chapple (n. 1954)
Ano da primeira edição: 1993
Editora da primeira edição: State University of New York Press (SUNY Press).
Local da primeira edição: Albany, Nova Iorque, Estados Unidos.
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Publicado em 1993, Nonviolence to Animals, Earth, and Self in Asian Traditions analisa o princípio da ahiṃsā (não violência) nas principais tradições religiosas e filosóficas da Índia, demonstrando que este conceito ultrapassa a simples proibição da violência física e constitui um ideal ético abrangente que orienta a relação do ser humano consigo próprio, com os outros seres vivos e com o ambiente.
Christopher Chapple examina textos do Hinduísmo, Jainismo e Budismo, mostrando como a não violência se manifesta em práticas de disciplina pessoal, alimentação, meditação, compaixão, ascetismo e responsabilidade ecológica. O autor dedica especial atenção ao pensamento de Mahāvīra, Buda, Patañjali e Mahatma Gandhi, evidenciando a evolução histórica do conceito e a sua influência na ética contemporânea.
A obra estabelece ainda um diálogo entre estas tradições clássicas e os desafios atuais relacionados com os direitos dos animais, a degradação ambiental, o consumo responsável e a justiça social, propondo que a ahiṃsā continue a oferecer um modelo ético relevante para o século XXI.
Nonviolence to Animals, Earth, and Self in Asian Traditions foi uma das primeiras obras académicas a relacionar sistematicamente a filosofia da não violência das religiões indianas com os debates contemporâneos sobre ética animal e ecologia. O livro contribuiu para consolidar Christopher Chapple como uma das principais referências internacionais na investigação sobre ahiṃsā, antecipando um campo de estudos que se desenvolveria amplamente nas décadas seguintes.
A obra tornou-se igualmente uma referência importante nos estudos sobre religião e ambiente, demonstrando que a preocupação ecológica possui raízes profundas nas tradições filosóficas da Índia e não representa apenas uma adaptação moderna dessas religiões.
Este livro é particularmente relevante para compreender o primeiro dos yama dos Yoga Sūtra: ahiṃsā. Christopher Chapple mostra que a não violência constitui o fundamento de toda a prática yóguica, influenciando não apenas o comportamento ético, mas também a meditação, a disciplina pessoal e a relação do praticante com todos os seres vivos. A comparação com o Jainismo e o Budismo permite ainda compreender as diferentes interpretações que este princípio assumiu nas tradições indianas.
Christopher Chapple foi um dos primeiros investigadores a defender que a ahiṃsā deve ser entendida como uma ética da interdependência, abrangendo simultaneamente o cuidado consigo próprio, o respeito pelos animais e a proteção da natureza. Esta perspetiva influenciou profundamente os seus trabalhos posteriores sobre Yoga e ecologia, incluindo Embodied Ecology: Yoga and the Environment.
Do ponto de vista académico, Nonviolence to Animals, Earth, and Self in Asian Traditions continua a ser uma referência importante para os estudos sobre ética comparada, religiões indianas e filosofia do Yoga. A obra combina análise filológica de fontes primárias com reflexão filosófica e ética, dialogando com investigações sobre Hinduísmo, Budismo, Jainismo e pensamento gandhiano. Embora o campo da ética ambiental tenha conhecido um desenvolvimento significativo desde a sua publicação, o livro mantém relevância pelo seu caráter pioneiro e pela forma como demonstra que o ahiṃsā constitui um dos conceitos fundamentais para compreender a dimensão ética das tradições yóguicas e religiosas da Índia.
Inglês — idioma original