Bandha – बन्ध – bandha
Tradução literal: Ligação; bloqueio; fecho; retenção.
Definição – Bandha designa um conjunto de técnicas corporais utilizadas sobretudo nas tradições do Haṭha Yoga e do Tantra. Estas técnicas envolvem a contração ou controlo de determinadas regiões internas do corpo com o objetivo de influenciar o fluxo do prāṇa e apoiar práticas respiratórias, meditativas e energéticas. Os textos clássicos descrevem os bandhas como métodos destinados a estabilizar, direcionar ou reter o prāṇa no interior do corpo subtil. Os três bandhas mais frequentemente mencionados são:
- Mūla Bandha (मूलबन्ध) — contração da região pélvica.
- Uḍḍiyāna Bandha (उड्डियानबन्ध) — elevação do abdómen.
- Jālandhara Bandha (जालन्धरबन्ध) — fecho da garganta.
Referências textuais – As descrições técnicas mais desenvolvidas encontram-se em textos do Haṭha Yoga medieval. Na Haṭhapradīpikā (III.70) lê-se:
बन्धत्रयमिदं श्रेष्ठं महासिद्धैः सेवितम्
bandhatrayam idaṃ śreṣṭhaṃ mahāsiddhaiḥ sevitam
“Este conjunto dos três bandhas é considerado excelente e foi praticado pelos grandes siddhas.”
A passagem introduz uma secção dedicada aos três bandhas principais.
Notas académicas – Os bandhas desempenham um papel central em numerosos sistemas do Haṭha Yoga. Ao contrário da forma como são frequentemente ensinados em contextos modernos, os textos clássicos não apresentam os bandhas apenas como exercícios musculares, mas como componentes de uma fisiologia subtil associada ao prāṇa, às nāḍīs e à Kuṇḍalinī. A investigação contemporânea considera os bandhas uma das características distintivas do Haṭha Yoga medieval.
Ver também – Mudrā (मुद्रा) · Prāṇāyāma (प्राणायाम) · Kuṇḍalinī (कुण्डलिनी) · Nāḍī (नाडी) · Haṭha Yoga (हठयोग)
Basti – बस्ति – basti
Tradução literal: Bexiga; recipiente; lavagem interna.
Definição – Basti é uma das seis práticas de purificação corporal (Ṣaṭkarma ou Ṣaṭkriyā) descritas nos textos clássicos do Haṭha Yoga. Tradicionalmente, consiste numa técnica de limpeza do intestino grosso, realizada com água ou, em algumas descrições mais antigas, através de métodos específicos de sucção e controlo muscular. Nos textos do Haṭha Yoga, Basti é apresentado como um procedimento destinado a promover a purificação do corpo, o equilíbrio dos humores corporais e a preparação para práticas mais avançadas de Yoga. Atualmente, a técnica raramente é ensinada fora de contextos especializados e deve ser compreendida sobretudo no enquadramento histórico das práticas tradicionais de purificação.
Referências textuais – Uma das descrições clássicas encontra-se na Haṭha Yoga Pradīpikā (II.26):
गुल्मप्लीहोदरं चापि वातपित्तकफोद्भवाः ।
बस्तिकर्मप्रभावेण क्षीयन्ते सकलामयाः ॥
gulma-plīhodaraṃ cāpi vāta-pitta-kaphodbhavāḥ ।
basti-karma-prabhāveṇa kṣīyante sakalāmayāḥ ॥
“Pela prática de Basti, são eliminadas diversas doenças associadas aos desequilíbrios de vāta, pitta e kapha.”
Notas académicas – Basti integra tradicionalmente o grupo das seis purificações do Haṭha Yoga:
- Dhauti (धौति)
- Basti (बस्ति)
- Neti (नेति)
- Trāṭaka (त्राटक)
- Nauli (नौलि)
- Kapālabhāti (कपालभाति)
Os investigadores observam que estas práticas surgem principalmente nos textos medievais do Haṭha Yoga e não nos Yoga Sūtra de Patañjali. Historicamente, Basti apresenta algumas semelhanças com procedimentos terapêuticos encontrados no Āyurveda, embora os objetivos e métodos nem sempre coincidam. Atualmente, muitas destas técnicas são estudadas sobretudo do ponto de vista histórico e textual, sendo a sua prática reservada a contextos de formação especializada e acompanhamento adequado.
Ver também – Ṣaṭkarma (षट्कर्म) · Haṭha Yoga (हठयोग) · Neti (नेति) · Nauli (नौलि) · Kapālabhāti (कपालभाति) · Āyurveda (आयुर्वेद)
Bhagavad Gītā – भगवद्गीता – Gita, Bhagavad Gita, Bagavadeguitá
Tradução literal – O Canto do Senhor; a Canção do Bem-aventurado.
Definição – O Bhagavad Gītā é um dos textos mais influentes das tradições hindus e uma das obras mais importantes para a história do Yoga. O texto apresenta-se como um diálogo entre Kṛṣṇa e o guerreiro Arjuna, situado no campo de batalha de Kurukṣetra, pouco antes do início da guerra narrada no Mahābhārata. Perante uma crise moral e existencial, Arjuna recusa-se a combater, e Kṛṣṇa responde com ensinamentos sobre ação, dever, conhecimento, devoção, disciplina interior e libertação. O Bhagavad Gītā articula diferentes formas de Yoga, incluindo Karma Yoga, Jñāna Yoga e Bhakti Yoga, tornando-se uma referência central para múltiplas tradições filosóficas e religiosas indianas.
Referências textuais – O Bhagavad Gītā integra o Mahābhārata (महाभारत), mais especificamente o Bhīṣma Parva. A sua composição é geralmente situada entre os últimos séculos antes da Era Comum e os primeiros séculos da Era Comum, embora a datação exata continue a ser debatida. Uma das passagens mais conhecidas encontra-se em Bhagavad Gītā 2.47:
कर्मण्येवाधिकारस्ते मा फलेषु कदाचन
karmaṇy evādhikāras te mā phaleṣu kadācana
“Tens direito à ação, mas nunca aos seus frutos.”
Esta passagem tornou-se uma das formulações clássicas do ensinamento sobre a ação desapegada.
Notas académicas – O Bhagavad Gītā é um texto de síntese. Reúne elementos do Sāṃkhya, do Yoga, da devoção teísta, da renúncia e da ética da ação. Ao longo da história, foi comentada por autores fundamentais como Śaṅkara, Rāmānuja, Madhva e Abhinavagupta, cada um interpretando o texto a partir da sua própria tradição filosófica. A sua influência moderna foi também muito significativa, especialmente nos séculos XIX e XX, através de figuras como Swami Vivekānanda, Mahatma Gandhi, Aurobindo e outros intérpretes do pensamento indiano moderno. Do ponto de vista académico, é importante lembrar que o Bhagavad Gītā não apresenta uma doutrina única e simples do Yoga, mas uma articulação complexa de ação, conhecimento, devoção, disciplina e libertação.
Ver também – Karma Yoga (कर्मयोग) · Jñāna Yoga (ज्ञानयोग) · Bhakti Yoga (भक्तियोग) · Dharma (धर्म) · Kṛṣṇa (कृष्ण) · Arjuna (अर्जुन) · Mahābhārata (महाभारत)
Bhagavān – भगवान् – bhagavan
Tradução literal: O Afortunado; o Glorioso; o Senhor Divino.
Definição – Bhagavān é um título honorífico amplamente utilizado nas tradições hindus para designar uma divindade suprema, uma manifestação divina ou, em alguns contextos, um mestre espiritual de elevado estatuto. O termo deriva de bhaga (भग), palavra associada a qualidades como prosperidade, poder, conhecimento, glória e soberania. Assim, Bhagavān designa “aquele que possui plenamente as qualidades divinas”. Nas tradições vaiṣṇavas, Bhagavān é frequentemente utilizado como um dos principais títulos de Viṣṇu e Kṛṣṇa. Em muitos textos devocionais, refere-se especificamente à forma pessoal da divindade suprema.
Referências textuais – Uma das ocorrências mais conhecidas encontra-se logo no início da Bhagavad Gītā:
श्रीभगवानुवाच
śrī-bhagavān uvāca
“O Senhor Bhagavān disse.”
Esta expressão aparece repetidamente ao longo da Bhagavad Gītā para introduzir as palavras de Kṛṣṇa.
Notas académicas – O significado de Bhagavān varia consoante a tradição religiosa e o contexto textual. Nas correntes devocionais (bhakti), Bhagavān refere-se frequentemente à divindade pessoal, em contraste com:
- Brahman (ब्रह्मन्) — a realidade absoluta e impessoal.
- Ātman (आत्मन्) — o princípio interior ou o eu profundo.
Em algumas escolas de Vedānta, especialmente nas tradições vaiṣṇavas, Bhagavān é considerado a expressão mais completa da realidade divina, integrando simultaneamente os aspetos pessoais e absolutos do sagrado. A investigação académica observa que o termo evoluiu ao longo dos séculos, adquirindo diferentes nuances teológicas nas várias tradições do Hinduísmo.
Ver também – Bhagavad Gītā (भगवद्गीता) · Kṛṣṇa (कृष्ण) · Viṣṇu (विष्णु) · Bhakti (भक्ति) · Brahman (ब्रह्मन्) · Ātman (आत्मन्)
Bhāgavata Purāṇa – भागवतपुराण – bhagavata purana, bhagavata-purana, srimad bhagavatam
Tradução literal: Purāṇa dos devotos do Senhor; Purāṇa de Bhagavān.
Definição – O Bhāgavata Purāṇa é um dos mais influentes e amplamente estudados dos Mahāpurāṇas. A obra ocupa uma posição central em diversas tradições do Vaiṣṇavismo (वैष्णवमत), especialmente naquelas dedicadas à devoção a Kṛṣṇa e Viṣṇu.
O texto combina:
- Narrativas mitológicas.
- Cosmologia.
- Teologia.
- Filosofia.
- Devoção (Bhakti).
- Ensinamentos espirituais.
Entre os seus episódios mais conhecidos encontram-se as histórias da infância e juventude de Kṛṣṇa em Vṛndāvana.
Referências textuais – Um dos versos mais citados da obra apresenta o Bhāgavata como a essência da tradição espiritual:
निगमकल्पतरोर्गलितं फलम्
nigama-kalpa-taror galitaṃ phalam
“O fruto amadurecido da árvore dos Vedas.”
(Bhāgavata Purāṇa I.1.3)
Esta passagem tornou-se uma das descrições mais conhecidas da importância do texto na tradição vaiṣṇava.
Notas académicas – Os académicos e investigadores situam geralmente a composição do Bhāgavata Purāṇa entre os séculos VIII e X, embora a sua datação exata permaneça objeto de debate. A tradição atribui a autoria ao sábio Vyāsa, tal como acontece com outros Purāṇas. O texto desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do movimento de Bhakti, promovendo uma relação pessoal e devocional com a divindade. A figura de Kṛṣṇa ocupa um lugar central na obra, sendo apresentada não apenas como um avatāra de Viṣṇu, mas frequentemente como a própria realidade divina suprema. A investigação académica considera o Bhāgavata Purāṇa uma das mais importantes fontes para o estudo da devoção hindu, da teologia vaiṣṇava e da evolução religiosa da Índia medieval.
Ver também – Purāṇa (पुराण) · Mahāpurāṇas (महापुराण) · Kṛṣṇa (कृष्ण) · Viṣṇu (विष्णु) · Bhakti (भक्ति) · Bhagavān (भगवान्) · Vyāsa (व्यास) · Vaiṣṇavismo (वैष्णवमत)
Bhakti – भक्ति – bhakti
Tradução literal: Devoção; participação; entrega.
Definição – Bhakti refere-se à devoção dirigida a uma divindade, mestre espiritual ou realidade suprema. Pode manifestar-se através da oração, da recitação de mantras, do canto devocional, da meditação ou de outras formas de prática religiosa. Nas tradições hindus, Bhakti implica frequentemente uma relação pessoal e afetiva entre o praticante e a divindade, constituindo um dos principais caminhos espirituais descritos na literatura religiosa da Índia.
Referências textuais – Embora o termo apareça em textos mais antigos, a sua formulação clássica encontra-se na Bhagavad Gītā. No Bhagavad Gītā 9.34, Kṛṣṇa afirma:
मन्मना भव मद्भक्तो मद्याजी मां नमस्कुरु
man-manā bhava mad-bhakto mad-yājī māṃ namaskuru
“Fixa a tua mente em mim, torna-te meu devoto, oferece-me adoração e reverência.”
Notas académicas – Os movimentos de Bhakti tiveram um impacto profundo na história religiosa da Índia, particularmente entre os séculos VI e XVII. Estes movimentos contribuíram para o desenvolvimento de importantes tradições devocionais ligadas a divindades como Viṣṇu, Kṛṣṇa, Rāma, Śiva e Devī. A investigação contemporânea reconhece a importância da Bhakti não apenas no plano religioso, mas também no desenvolvimento cultural, social e literário de numerosas regiões do subcontinente indiano.
Ver também – Bhagavad Gītā (भगवद्गीता) · Mantra (मन्त्र) · Guru (गुरु) · Karma Yoga (कर्मयोग) · Jñāna Yoga(ज्ञानयोग)
Bhakti Yoga – भक्तियोग – bhakti yoga, Bactiioga
Tradução literal: Yoga da devoção.
Definição – Bhakti Yoga é o caminho espiritual baseado na devoção, no amor e na entrega à divindade. Neste caminho, a prática espiritual desenvolve-se através da oração, da recitação de mantras, do canto devocional (kīrtana), da contemplação e de outras formas de relação com o divino. Ao contrário de abordagens mais centradas na investigação filosófica ou na disciplina ascética, Bhakti Yoga enfatiza a dimensão afetiva da experiência religiosa. Ao longo da história da Índia, tornou-se uma das formas mais populares e influentes de prática espiritual.
Referências textuais – Embora as suas raízes sejam mais antigas, a formulação clássica encontra-se na Bhagavad Gītā. No Bhagavad Gītā 9.34, Kṛṣṇa declara:
मन्मना भव मद्भक्तो मद्याजी मां नमस्कुरु
man-manā bhava mad-bhakto mad-yājī māṃ namaskuru
“Fixa a tua mente em mim, torna-te meu devoto, adora-me e presta-me reverência.”
Esta passagem tornou-se uma das referências fundamentais das tradições devocionais hindus.
Notas académicas – Os movimentos de Bhakti desempenharam um papel decisivo na história religiosa da Índia, especialmente entre os séculos VI e XVII. Poetas, santos e mestres espirituais ligados a estas tradições produziram uma vasta literatura em sânscrito e em diversas línguas regionais. Ao contrário de uma ideia por vezes difundida no Ocidente, Bhakti Yoga não implica necessariamente sentimentalismo ou ausência de reflexão filosófica. Muitas tradições devocionais desenvolveram sistemas teológicos e filosóficos altamente sofisticados. A Bhagavad Gītā apresenta Bhakti Yoga como um dos principais caminhos para a libertação, juntamente com Karma Yoga e Jñāna Yoga.
Ver também – Bhakti (भक्ति) · Karma Yoga (कर्मयोग) · Jñāna Yoga (ज्ञानयोग) · Mantra (मन्त्र) · Bhagavad Gītā (भगवद्गीता)
Bhāṣya – भाष्य – bhasya
Tradução literal: Comentário; explicação; exposição.
Definição – Bhāṣya designa um comentário sistemático destinado a explicar um texto considerado autoritativo. Na tradição intelectual indiana, muitos textos fundamentais foram compostos sob a forma extremamente concisa de sūtras. Por essa razão, o desenvolvimento de comentários tornou-se indispensável para a sua compreensão e transmissão. Os bhāṣya desempenharam um papel central na história da filosofia, da religião, da gramática e do direito indianos.
Referências textuais – A tradição dos comentários remonta à Antiguidade indiana, mas alguns dos exemplos mais influentes surgem durante os primeiros séculos da Era Comum. Um dos mais importantes para o estudo do Yoga é o: Yoga Bhāṣya – योगभाष्य Tradicionalmente atribuído a Vyāsa, constitui o mais antigo comentário completo conservado sobre os Yoga Sūtra.
Notas académicas – Na tradição indiana, um texto raramente era estudado isoladamente. Frequentemente existia uma cadeia interpretativa composta por:
- Sūtra (सूत्र)
- Bhāṣya (भाष्य)
- Vārttika (वार्त्तिक)
- Ṭīkā (टीका)
Muitas vezes, o significado histórico de uma obra é melhor compreendido através da leitura conjunta do texto principal e dos seus comentários. No caso dos Yoga Sūtra, a interpretação clássica é largamente conhecida através do Yoga Bhāṣya.
Ver também – Sūtra (सूत्र) · Yoga Sūtra (योगसूत्र) · Vyāsa (व्यास) · Patañjali (पतञ्जलि) · Darśana (दर्शन)
Bindu – बिन्दु – bindu
Tradução literal: Ponto; gota; semente.
Definição – Bindu é um termo sânscrito que significa literalmente “ponto” ou “gota” e possui múltiplos significados nas tradições do Yoga, Tantra e filosofia indiana. Dependendo do contexto, pode referir-se:
- A um ponto geométrico ou simbólico.
- A uma gota de essência vital.
- À origem da manifestação cósmica.
- Ao ponto de concentração da mente na meditação.
- Ao centro de um yantra ou diagrama ritual.
Nas tradições tântricas, Bindu é frequentemente entendido como um símbolo da unidade primordial da qual emerge toda a criação.
Referências textuais – O conceito surge em numerosos textos tântricos e de Haṭha Yoga. Uma referência conhecida encontra-se na Haṭha Yoga Pradīpikā (IV.28):
बिन्दुः शिवो रजः शक्तिः
binduḥ śivo rajaḥ śaktiḥ
“Bindu é Śiva; rajas é Śakti.”
A passagem insere-se num contexto simbólico relacionado com a energia vital e a união dos princípios masculino e feminino.
Notas académicas – O significado de Bindu varia significativamente entre diferentes tradições. Na iconografia tântrica e nos yantras, o bindu representa frequentemente o centro do diagrama, simbolizando a origem e o ponto de retorno de toda a manifestação. Em certas correntes do Haṭha Yoga, o termo pode referir-se à essência vital associada à conservação da energia e à longevidade. No contexto da meditação, Bindu pode designar um ponto de concentração mental ou um símbolo da unidade subjacente à multiplicidade da experiência. A investigação académica observa que não existe uma definição única de Bindu aplicável a todas as tradições indianas, sendo necessário considerar sempre o contexto textual e histórico em que o termo é utilizado.
Ver também – Tantra (तन्त्र) · Śakti (शक्ति) · Śiva (शिव) · Yantra (यन्त्र) · Kuṇḍalinī (कुण्डलिनी) · Haṭha Yoga (हठयोग)
Brahmā – ब्रह्मा – Brahma, Brama, Bramá
Tradução literal: O criador; aquele que expande.
Definição – Brahmā é uma das principais divindades da tradição hindu e é tradicionalmente associado à criação do universo. Na teologia hindu clássica, integra a Trimūrti (त्रिमूर्ति), juntamente com:
- Brahmā (ब्रह्मा) — criador.
- Viṣṇu (विष्णु) — preservador.
- Śiva (शिव) — transformador ou destruidor regenerador.
Segundo numerosas narrativas purânicas, Brahmā é responsável pela manifestação do cosmos e dos seres vivos no início de cada ciclo cósmico. Apesar da sua importância mitológica, o seu culto é atualmente muito menos difundido do que o de Viṣṇu ou Śiva.
Referências textuais – Brahmā surge em diversos Purāṇas e epopeias indianas. Uma passagem do Bhagavata Purāṇa descreve Brahmā emergindo do lótus que nasce do umbigo de Viṣṇu:
नाभिपद्मसमुत्पन्नो ब्रह्मा
nābhi-padma-samutpanno brahmā
“Brahmā nasceu do lótus que surgiu do umbigo.”
Esta imagem tornou-se uma das representações mais conhecidas da cosmologia hindu.
Notas académicas – É importante distinguir cuidadosamente:
- Brahmā (ब्रह्मा) — a divindade criadora.
- Brahman (ब्रह्मन्) — a realidade absoluta da filosofia vedântica.
- Brāhmaṇa (ब्राह्मण) — membro da classe sacerdotal ou género textual védico.
A semelhança das palavras gera frequentemente confusão entre leitores iniciantes. Os investigadores observam que, embora Brahmā desempenhe um papel importante nos mitos da criação, raramente ocupa a posição suprema nas grandes tradições devocionais do Hinduísmo.
Ver também – Viṣṇu (विष्णु) · Śiva (शिव) · Trimūrti (त्रिमूर्ति) · Brahman (ब्रह्मन्) · Purāṇa (पुराण)
Brahma Sūtra – ब्रह्मसूत्र – brahma sutra, brahma-sutra, vedanta sutra, vedānta sūtra
Tradução literal: Aforismos sobre Brahman.
Definição – O Brahma Sūtra é um dos textos fundamentais do Vedānta e constitui uma das principais fontes filosóficas da tradição hindu. Tradicionalmente atribuído ao sábio Bādarāyaṇa, o texto procura sistematizar e interpretar os ensinamentos das Upaniṣads relativos à natureza da realidade última (Brahman).
Juntamente com os Upaniṣads e o Bhagavad Gītā, o Brahma Sūtra integra o chamado Prasthānatrayī, o conjunto das três fontes clássicas de autoridade do Vedānta.
Referências textuais – O texto inicia-se com um dos aforismos mais conhecidos da filosofia indiana:
अथातो ब्रह्मजिज्ञासा
athāto brahmajijñāsā
“Agora, portanto, inicia-se a investigação sobre Brahman.”
(Brahma Sūtra I.1.1)
Este sūtra estabelece o propósito central da obra: a investigação filosófica da realidade absoluta.
Notas académicas – A datação exata do Brahma Sūtra permanece objeto de debate académico, sendo geralmente situada entre os últimos séculos antes da era comum e os primeiros séculos da era comum. A obra é composta por cerca de 555 aforismos organizados em quatro capítulos. Ao longo da história, diferentes escolas do Vedānta produziram comentários sobre o texto, desenvolvendo interpretações distintas das suas afirmações.
Entre os comentadores mais influentes encontram-se:
- Śaṅkarācārya — Advaita Vedānta.
- Rāmānujācārya — Viśiṣṭādvaita Vedānta.
- Madhvācārya — Dvaita Vedānta.
Por essa razão, o Brahma Sūtra tornou-se uma das obras centrais dos debates filosóficos sobre a natureza de Brahman, da alma individual e da libertação espiritual. A investigação académica considera o texto uma das mais importantes sínteses filosóficas da tradição hindu.
Ver também – Vedānta (वेदान्त) · Brahman (ब्रह्मन्) · Upaniṣad (उपनिषद्) · Bhagavad Gītā (भगवद्गीता) · Śaṅkarācārya (शङ्कराचार्य) · Rāmānujācārya (रामानुजाचार्य) · Madhvācārya (मध्वाचार्य) · Advaita Vedānta (अद्वैत वेदान्त) · Dvaita Vedānta (द्वैत वेदान्त)
Brahmacarya – ब्रह्मचर्य – brahmacharya
Tradução literal: Conduta orientada para Brahman.
Definição – Brahmacarya é o terceiro dos cinco Yamas dos Yoga Sūtra. Historicamente, o termo possui diferentes significados. Em alguns contextos refere-se ao celibato, especialmente em ambientes monásticos e ascéticos. Noutros, designa uma utilização consciente e disciplinada da energia física, emocional e mental. Nos textos clássicos, Brahmacarya está associado à moderação, ao autocontrolo e à orientação da vida para objetivos espirituais.
Referências textuais – O termo encontra-se já na literatura védica, onde também designa uma fase específica da vida dedicada ao estudo. Nos Yoga Sūtra II.38 lê-se:
ब्रह्मचर्यप्रतिष्ठायां वीर्यलाभः
brahmacarya-pratiṣṭhāyāṃ vīrya-lābhaḥ
“Quando Brahmacarya está firmemente estabelecido, obtém-se vigor.”
Notas académicas – O significado de Brahmacarya tem sido objeto de diversas interpretações ao longo da história.A leitura moderna que o reduz exclusivamente à abstinência sexual não reflete toda a amplitude histórica do conceito.Os investigadores observam que diferentes tradições e épocas compreenderam Brahmacarya de formas distintas.
Ver também – Yama (यम) · Tapas (तपस्) · Vairāgya (वैराग्य) · Dharma (धर्म) · Yoga Sūtra (योगसूत्र)
Brahman – ब्रह्मन् – brahman, Bramã
Tradução literal: O Absoluto; a realidade suprema.
Definição – Brahman é um dos conceitos fundamentais das Upaniṣads e das tradições do Vedānta. Refere-se à realidade última, absoluta e ilimitada que constitui o fundamento de toda a existência. Os textos descrevem Brahman como eterno, infinito, indivisível e para além das limitações da linguagem e do pensamento conceptual. Embora tudo exista em Brahman, este não pode ser reduzido a qualquer objeto, forma ou entidade particular. Em muitas correntes filosóficas hindus, a realização de Brahman constitui o objetivo supremo da vida espiritual.
Referências textuais – O conceito desenvolve-se progressivamente na literatura védica e encontra a sua formulação clássica nas Upaniṣads. Uma das passagens mais célebres encontra-se na Chāndogya Upaniṣad (6.8.7):
तत्त्वमसि
tat tvam asi
“Tu és isso.”
Esta expressão tornou-se um dos mais conhecidos mahāvākya (“grandes enunciados”) da tradição vedântica.
Notas académicas – As interpretações de Brahman variam significativamente entre as diferentes escolas do Vedānta. O Advaita Vedānta considera Brahman a única realidade absoluta, entendendo o mundo fenomenal como uma manifestação condicionada da realidade última. Outras escolas, como o Viśiṣṭādvaita e o Dvaita Vedānta, defendem interpretações distintas acerca da relação entre Brahman, o universo e os seres individuais. Apesar destas diferenças, Brahman permanece um dos conceitos centrais da filosofia indiana.
Ver também – Ātman (आत्मन्) · Vedānta (वेदान्त) · Mokṣa (मोक्ष) · Upaniṣad (उपनिषद्) · Māyā (माया)
Buddhi – बुद्धि – buddhi
Tradução literal: Intelecto; discernimento; compreensão.
Definição – Buddhi é um conceito fundamental das filosofias do Sāṃkhya e do Yoga, geralmente traduzido como intelecto, discernimento ou faculdade de compreensão. Refere-se à capacidade de avaliar, distinguir, decidir e compreender. É através de Buddhi que se torna possível o discernimento entre o transitório e o permanente, entre a realidade e a ilusão. Na cosmologia do Sāṃkhya, Buddhi é o primeiro princípio que emerge de Prakṛti após a manifestação do universo e é frequentemente identificado com Mahat, o Grande Princípio Cósmico.
Referências textuais – O Bhagavad Gītā utiliza frequentemente o termo Buddhi para descrever a faculdade do discernimento espiritual. Uma passagem célebre afirma:
बुद्धियुक्तो जहातीह उभे सुकृतदुष्कृते
buddhiyukto jahātīha ubhe sukṛta-duṣkṛte
“Aquele que está unido ao discernimento transcende tanto as ações meritórias como as não meritórias.”
(Bhagavad Gītā II.50)
Notas académicas – No sistema Sāṃkhya, Buddhi ocupa uma posição central na estrutura da mente. Tradicionalmente, distingue-se de:
- Manas — mente sensorial e processadora.
- Ahaṃkāra — sentido de individualidade ou ego.
- Citta — campo mental ou consciência condicionada.
Buddhi representa a faculdade responsável pelo julgamento, pela compreensão e pelo discernimento. Nos Yoga Sūtra, embora o termo não receba o mesmo destaque que em textos sāṃkhyas posteriores, a ideia de discernimento correto (viveka) desempenha um papel fundamental no processo de libertação. A investigação académica considera Buddhi um dos conceitos centrais da psicologia e da metafísica indianas, sendo indispensável para compreender a relação entre mente, conhecimento e libertação.
Ver também – Sāṃkhya (सांख्य) · Yoga (योग) · Prakṛti (प्रकृति) · Mahat (महत्) · Ahaṃkāra (अहंकार) · Manas (मनस्) · Citta (चित्त)
Budismo – बुद्धधर्म – buddha dharma, bauddha dharma
Tradução literal: Dharma do Buda; ensinamento do Desperto.
Definição – O Budismo é uma tradição filosófica, espiritual e religiosa originária do norte do subcontinente indiano, desenvolvida a partir dos ensinamentos de Siddhārtha Gautama, conhecido como Buda, que viveu aproximadamente entre os séculos VI e V a.C. O termo deriva de Buddha, “o desperto” ou “aquele que despertou”. O Budismo procura compreender as causas do sofrimento humano e propor um caminho para a sua superação através da ética, da meditação e do desenvolvimento da sabedoria. Entre os seus ensinamentos fundamentais encontram-se:
- A impermanência (Anitya).
- O sofrimento (Duḥkha).
- A ausência de um eu permanente (Anātman).
- O despertar (Bodhi).
- A libertação (Nirvāṇa).
Embora tenha surgido na Índia, o Budismo difundiu-se posteriormente por grande parte da Ásia, dando origem a múltiplas tradições.
Referências textuais – Os ensinamentos budistas assentam, entre outros, nas Quatro Nobres Verdades (Cattāri Ariyasaccāni em pāli). Uma das formulações mais conhecidas afirma:
सब्बे संखारा अनिच्चा
sabbe saṅkhārā aniccā
“Todos os fenómenos condicionados são impermanentes.”
(Dhammapada, verso 277)
Entre os textos fundamentais encontram-se:
- Prajñāpāramitā Sūtra
- Tipiṭaka
- Dhammapada
- Sutta Nipāta
Notas académicas – Os investigadores consideram o Budismo uma das grandes tradições śramaṇas da Índia antiga, desenvolvida paralelamente ao Hinduísmo e ao Jainismo. Ao longo da sua história, o Budismo diversificou-se em várias correntes, entre as quais:
- Theravāda.
- Mahāyāna.
- Vajrayāna.
Embora o Yoga e o Budismo possuam origens históricas distintas, desenvolveram ao longo dos séculos importantes influências mútuas, sobretudo no domínio das práticas meditativas e contemplativas. A investigação académica contemporânea recomenda evitar a ideia de que o Budismo constitui uma ramificação do Hinduísmo. Ambas as tradições partilham um contexto cultural comum, mas desenvolveram sistemas filosóficos, textos e práticas próprias.
Ver também – Dharma (धर्म) · Duḥkha (दुःख) · Nirvāṇa (निर्वाण) · Jainismo · Hinduísmo · Yoga (योग) ·
