Título original: Great Tradition and Little Tradition
Subtítulo: Indological Investigations in Cultural Anthropology
Autor: Agehananda Bharati (1923–1991)
Ano da primeira edição: 1978
Editora da primeira edição: Chowkhamba Sanskrit Series Office.
Local da primeira edição: Varanasi, Índia.
Idioma original: Inglês - Obra difícil de encontrar
Existe edição em língua portuguesa? Não
Publicado em 1978, Great Tradition and Little Traditions reúne um conjunto de estudos dedicados à compreensão da cultura indiana através da antropologia cultural e da indologia. O título inspira-se na conhecida distinção proposta por Robert Redfield entre a Grande Tradição — representada pelas tradições eruditas, pelos textos clássicos e pelas instituições religiosas formais — e as Pequenas Tradições, constituídas pelas práticas religiosas locais, pelos cultos populares, pelas tradições orais e pelas expressões culturais regionais.
Ao longo da obra, Bharati analisa a forma como estas duas dimensões coexistem e interagem na sociedade indiana. Em vez de considerar o Hinduísmo como uma religião homogénea, demonstra que este resulta de um diálogo permanente entre as grandes tradições filosóficas e textuais — como os Vedas, os Upaniṣad e os sistemas clássicos de pensamento — e a enorme diversidade de práticas locais, cultos regionais, festivais, narrativas populares e formas de religiosidade quotidiana.
Os diferentes capítulos abordam temas como a organização social, a religião popular, o simbolismo ritual, a transmissão cultural, a antropologia da peregrinação, as castas, a identidade religiosa e a relação entre tradição e mudança na sociedade indiana. A obra procura demonstrar que a cultura da Índia só pode ser compreendida através da articulação entre estas diferentes dimensões históricas e sociais.
Great Tradition and Little Traditions representa uma das mais importantes contribuições de Agehananda Bharati para a antropologia da Índia. A obra aplica criticamente conceitos clássicos da antropologia cultural ao contexto indiano, demonstrando que o Hinduísmo resulta de uma interação contínua entre tradições eruditas e práticas populares.
O livro contribuiu igualmente para aproximar a antropologia da indologia, defendendo que o estudo da Índia exige simultaneamente o conhecimento dos textos clássicos e da realidade social contemporânea. Esta perspetiva influenciou numerosos investigadores das religiões indianas e da antropologia cultural.
Esta obra possui grande interesse para compreender a diversidade histórica e social do Yoga. Ao mostrar como as tradições eruditas convivem com práticas religiosas populares, Bharati ajuda a explicar por que razão o Yoga nunca constituiu uma tradição única e uniforme. O livro permite contextualizar o aparecimento de diferentes formas de Yoga — filosóficas, ascéticas, devocionais e tântricas — dentro da complexidade do Hinduísmo e da cultura indiana. Para estudantes e investigadores, constitui uma excelente introdução ao enquadramento antropológico em que o Yoga se desenvolveu e foi transmitido ao longo dos séculos.
A expressão “Great Tradition” foi originalmente proposta pelo antropólogo norte-americano Robert Redfield para descrever a relação entre a cultura erudita e a cultura popular. Agehananda Bharati foi um dos primeiros indólogos a aplicar sistematicamente este modelo ao estudo da Índia, enriquecendo-o com exemplos provenientes da religião, da filosofia, da etnografia e da observação direta. A obra tornou-se um dos textos de referência para cursos universitários de antropologia da Índia e estudos culturais.
Do ponto de vista académico, Great Tradition and Little Traditions continua a ser uma obra importante para compreender a evolução da antropologia da Índia durante a segunda metade do século XX. Embora o modelo de Redfield tenha sido posteriormente debatido e refinado por diversos investigadores — que questionaram, por exemplo, a nitidez da separação entre “grande” e “pequena” tradição —, a análise de Bharati permanece relevante pela riqueza etnográfica e pelo diálogo que estabelece entre antropologia e indologia. A investigação contemporânea tende a privilegiar modelos mais dinâmicos de circulação cultural, mas continua a reconhecer o valor desta obra para compreender a diversidade religiosa, social e cultural da Índia. Para os estudos do Yoga, o livro oferece um enquadramento essencial que ajuda a interpretar o desenvolvimento das diferentes tradições yóguicas dentro da pluralidade do Hinduísmo e das culturas regionais indianas.