Título original: Hindu Mysticism
Subtítulo: Six Lectures
Autor: Surendranath Dasgupta
Ano da primeira edição: 1927
Editora da primeira edição: Open Court Publishing Company
Local da primeira edição: Chicago, Estados Unidos
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Hindu Mysticism procura apresentar o desenvolvimento histórico e filosófico das principais formas de experiência mística da Índia. O próprio Dasgupta explica no prefácio que poderia ter chamado ao livro The Development of Indian Mysticism, mas optou por Hindu Mysticism por considerar que, para o público americano da época, “Indian” poderia gerar confusão. A obra começa pela chamada “mística sacrificial”, ligada ao universo ritual védico, e acompanha depois a transformação dessas conceções na literatura das Upaniṣads.
A estrutura inclui capítulos dedicados a:
Dasgupta procura assim mostrar que aquilo a que chamamos “misticismo hindu” não corresponde a uma única tradição, mas a diferentes formas históricas de experiência religiosa e filosófica.
Hindu Mysticism é importante porque representa uma das primeiras grandes tentativas académicas, em língua inglesa, de apresentar sistematicamente diferentes formas de misticismo indiano. Dasgupta combina história da filosofia, leitura das fontes sânscritas e comparação de diferentes sistemas religiosos. A obra é particularmente interessante porque não reduz a experiência mística à devoção ou à metafísica vedāntica. Inclui práticas rituais, Yoga, budismo e bhakti dentro de um mesmo quadro comparativo. Isto permite observar como um importante filósofo e sanscritista indiano da primeira metade do século XX procurava explicar as tradições religiosas indianas a um público académico ocidental.
O interesse de Hindu Mysticism para os Estudos do Yoga é muito elevado. O capítulo “Misticismo do Yoga”, que começa por volta da página 61 da primeira edição, apresenta o Yoga como uma forma específica de experiência mística e procura situá-lo historicamente em relação aos Upaniṣads e a outras tradições indianas. Dasgupta é especialmente importante porque não escreve apenas como divulgador: tinha formação profunda em filosofia indiana e viria a produzir alguns dos estudos mais influentes do século XX sobre Yoga, Sāṃkhya e Patañjali. A obra permite ainda perceber como o Yoga era enquadrado academicamente na década de 1920, antes da consolidação internacional do Yoga postural moderno.
A própria escolha do título é uma curiosidade interessante. No prefácio, Dasgupta afirma que teria preferido algo próximo de The Development of Indian Mysticism, mas evitou “Indian” porque receava que a palavra fosse interpretada de forma ambígua nos Estados Unidos. Escolheu então “Hindu”, explicando que o empregava no sentido mais amplo de “Indian”. Isto é muito revelador do contexto académico da década de 1920 e também mostra como o significado da palavra “Hindu” podia ser utilizado de forma mais abrangente do que atualmente.
Hindu Mysticism deve ser lido no contexto da história comparada das religiões e da filosofia indiana do início do século XX. A categoria “misticismo” é uma construção comparativa moderna e não corresponde necessariamente a uma categoria única utilizada pelas próprias tradições indianas. Ao agrupar Yoga, Upaniṣads, budismo e bhakti sob o conceito de “mysticism”, Dasgupta está a aplicar uma categoria analítica muito comum na sua época. Apesar dessa limitação metodológica, a obra continua extremamente valiosa. Dasgupta trabalhava diretamente com fontes sânscritas e conhecia profundamente as tradições filosóficas que analisava.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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