Título original: L’Inde classique
Subtítulo: Manuel des études indiennes
Autor: Louis Renou
Ano da primeira edição: 1947
Editora da primeira edição: Payot
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
L’Inde classique é uma vasta síntese da civilização indiana clássica destinada tanto a investigadores como a estudantes. A obra procura reunir num único manual informações sobre história, literatura, religiões, filosofia, línguas, ciências, instituições, direito, arte e cultura da Índia.
O primeiro volume dedica uma atenção considerável às línguas e literaturas da Índia, ao Veda, à literatura sânscrita, às tradições religiosas e às principais fontes textuais. O segundo amplia o projeto, incluindo áreas como filosofia, Budismo, história das ciências, medicina, astronomia, gramática, epigrafia e outros campos do conhecimento indiano. A obra continua a ser citada como manual de referência muitas décadas depois da publicação original.
A importância de L’Inde classique reside na extraordinária amplitude do projeto. Em vez de estudar isoladamente religião, filosofia ou literatura, Renou e Filliozat procuram mostrar como estes diferentes domínios se relacionam dentro da história intelectual e cultural da Índia.
O manual é particularmente útil porque combina informação bibliográfica, descrição das fontes e sínteses históricas. Muitas entradas remetem diretamente para textos sânscritos, autores, escolas filosóficas e tradições religiosas específicas.
Durante várias décadas foi uma das principais obras de consulta para estudantes e investigadores de indologia. Pierre-Sylvain Filliozat recordou posteriormente que estudantes e investigadores continuavam a utilizá-la diariamente.
O interesse de L’Inde classique para os Estudos do Yoga é muito elevado porque permite enquadrar o Yoga dentro do conjunto das tradições religiosas, filosóficas e textuais da Índia, em vez de o tratar como fenómeno isolado. A obra fornece informação sobre Veda, Upaniṣads, Sāṃkhya, Vedānta, ascetismo, literatura sânscrita, tradições religiosas e desenvolvimento dos diferentes darśanas, oferecendo o contexto necessário para compreender como o Yoga se relacionou historicamente com outros sistemas indianos. É também particularmente útil para investigação filológica, porque remete para textos, autores e tradições específicas e ajuda a distinguir diferentes períodos e contextos na evolução do pensamento yóguico. Apesar de necessitar de ser complementada por investigação mais recente, continua a ser uma fonte de referência muito valiosa para estudar a posição do Yoga dentro da história intelectual e religiosa da Índia.
O projeto tinha inicialmente uma ambição ainda maior. A recensão de Olivier Lacombe publicada em 1950 assinalava que L’Inde classique estava concebida para compreender três volumes. Contudo, apenas dois volumes foram efetivamente publicados.
Outra particularidade é a cronologia pouco intuitiva do primeiro volume: embora ostente 1947 como data editorial, a impressão só terminou em abril de 1949. Por isso, em bibliografias modernas encontramos tanto “1947” como “1949”. Para a ficha, eu manteria 1947 como data da primeira edição, acrescentando esta nota explicativa.
O segundo volume permaneceu tão importante que a EFEO publicou várias reimpressões em fac-símile e mantém atualmente uma edição de 2013 com 764 páginas.
L’Inde classique constitui um dos grandes projetos coletivos da indologia francesa do século XX e deve ser entendida como obra de referência, não como interpretação unitária da civilização indiana. O seu valor reside na reunião sistemática de fontes, tradições textuais, disciplinas intelectuais e dados históricos produzidos por especialistas de diferentes áreas. A obra reflete naturalmente os métodos e categorias da investigação do seu tempo, mas permanece particularmente valiosa para localizar fontes, reconstruir a história dos estudos indianos e compreender como diferentes domínios da cultura sânscrita foram relacionados no quadro académico de meados do século XX. O facto de continuar a ser reeditada em fac-símile pela École française d’Extrême-Orient demonstra a sua importância historiográfica e documental.
Francês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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