L´Inde Vue de Rome

L´Inde Vue de Rome

Título original: L´Inde Vue de Rome

Autor: Jacques André & Jean Filliozat

Ano da primeira edição: 1986

Editora da primeira edição: Les Belles Lettres

Local da primeira edição: Paris, França

Idioma original: Francês e latim

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

L’Inde vue de Rome reúne e analisa os testemunhos latinos da Antiguidade relativos à Índia. Jacques André e Jean Filliozat recolhem passagens de autores romanos que descrevem ou mencionam o subcontinente indiano, apresentando os textos originais em latim acompanhados de tradução e comentário.

A documentação inclui referências de natureza geográfica, naturalista, comercial, histórica e literária. Entre os autores estudados encontram-se Pomponius Mela, Plínio, o Velho, Solino e Quinto Cúrcio, assim como autores literários como Catulo e Horácio. A organização cronológica permite observar como a imagem romana da Índia se desenvolveu ao longo da Antiguidade.

Porque é importante

A obra é importante porque fornece uma base documental sólida para estudar a receção da Índia no mundo romano.

Em vez de reconstruir essa imagem a partir de generalizações modernas, os autores apresentam diretamente as fontes latinas e permitem acompanhar aquilo que os romanos acreditavam saber sobre a geografia, os povos, os costumes, os produtos e as tradições religiosas indianas.

O livro é particularmente útil para estudar os contactos intelectuais e comerciais entre o Mediterrâneo e o Sul da Ásia e para distinguir informação proveniente de contactos reais de elementos lendários ou herdados da tradição grega.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse para os Estudos do Yoga é indireto, mas historicamente significativo.

Algumas fontes greco-romanas descrevem ascetas, brâmanes e outros especialistas religiosos indianos. Estes testemunhos são importantes para estudar a forma como práticas ascéticas e contemplativas indianas eram percebidas por observadores externos na Antiguidade.

É necessário, contudo, evitar identificar automaticamente esses ascetas com “yogins” no sentido técnico ou institucional posterior. Os autores clássicos utilizavam categorias próprias e nem sempre possuíam informação precisa sobre as tradições indianas que descreviam.

Curiosidade bibliográfica

A obra foi publicada postumamente em relação a Jean Filliozat, que morreu em 1982, quatro anos antes da edição de 1986. A bibliografia institucional da Société Asiatique regista explicitamente L’Inde vue de Rome como obra em colaboração com Jacques André, publicada em Paris em 1986.

A atual edição da Les Belles Lettres continua a apresentar o livro como uma recolha exaustiva e bilingue dos testemunhos latinos antigos sobre a Índia, mostrando a longevidade académica da obra.

Nota académica

A obra situa-se na intersecção entre Indologia, Estudos Clássicos, História Antiga e História das relações interculturais entre a Índia e o Mediterrâneo.

O seu principal valor metodológico reside na recolha sistemática das fontes latinas, apresentadas de forma bilingue e acompanhadas de comentário filológico e histórico. Não é uma obra especificamente dedicada ao Yoga, mas constitui uma fonte importante para compreender como ascetas, brâmanes e práticas religiosas indianas foram representados por autores da Antiguidade mediterrânica.

Algumas interpretações históricas propostas na obra foram posteriormente debatidas. Por exemplo, a leitura de Filliozat sobre a transmissão de certas doutrinas bramânicas para autores cristãos antigos foi contestada por investigação posterior, o que mostra que o volume deve ser utilizado como fonte académica importante, mas não como última palavra sobre todos os problemas de transmissão cultural.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga