Título original: Le Sacré et le Profane
Autor: Mircea Eliade
Ano da primeira edição: 1957
Editora da primeira edição: Éditions Gallimard
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Francês
Existe edição em língua portuguesa? Sim
O Sagrado e o Profano procura explicar como o ser humano religioso distingue entre duas formas fundamentais de experiência: o sagrado e o profano.
Eliade começa pela experiência do espaço. Para o homo religiosus, nem todos os lugares são equivalentes. Certos espaços tornam-se qualitativamente diferentes porque são percebidos como pontos de manifestação do sagrado. Um templo, uma montanha, uma árvore ou um local de fundação podem funcionar como centro do mundo e organizar simbolicamente o espaço em torno de si.
A obra passa depois para a experiência do tempo. O tempo sagrado é frequentemente concebido como reversível e recuperável através do ritual. Festas religiosas permitem regressar simbolicamente ao tempo primordial dos mitos e repetir acontecimentos fundadores.
Eliade analisa também a sacralidade da natureza, da água, da terra, do céu, da vegetação e do nascimento, terminando com uma reflexão sobre a forma como o homem religioso estrutura a própria existência a partir dessas categorias.
A importância da obra está em apresentar de forma muito acessível alguns dos conceitos fundamentais do pensamento de Eliade.
O livro ajuda a compreender ideias como hierofania, centro, espaço sagrado, tempo sagrado, repetição ritual, cosmogonia e homo religiosus.
É também uma obra particularmente influente porque procura mostrar que religião não se reduz a crenças ou instituições. Para Eliade, a experiência religiosa transforma a perceção do espaço, do tempo, da natureza e da própria condição humana.
Por isso, O Sagrado e o Profano tornou-se um texto clássico de introdução à História das Religiões.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é moderado a elevado, sobretudo no plano teórico e comparativo. O Sagrado e o Profano não é uma obra especificamente dedicada ao Yoga, mas ajuda a compreender a forma como Eliade interpreta práticas ascéticas, espaços religiosos, ritual, temporalidade e transformação da experiência. Conceitos como separação entre espaço ordinário e espaço sagrado, repetição ritual, ruptura com o tempo profano e procura de uma realidade considerada mais profunda aparecem também na sua leitura das tradições indianas. Para os Estudos do Yoga, a obra é especialmente útil como complemento metodológico a Yoga: Immortality and Freedom, porque permite compreender o quadro teórico dentro do qual Eliade interpreta o Yoga como tentativa de ultrapassar os condicionamentos da existência quotidiana e aceder a uma modalidade diferente de experiência.
A obra tem uma relação muito próxima com O Mito do Eterno Retorno. Em ambos os livros, Eliade desenvolve a ideia de que o ser humano religioso procura regressar periodicamente ao tempo primordial através do ritual.
O Sagrado e o Profano é, contudo, muito mais curto e sistemático, funcionando quase como uma introdução geral aos conceitos que aparecem de forma mais extensa noutras obras do autor.
Outro termo central do livro é hierofania, usado por Eliade para designar uma manifestação do sagrado. Uma pedra, árvore ou montanha pode continuar fisicamente a ser aquilo que é, mas adquire um estatuto religioso diferente quando é percebida como manifestação do sagrado.
O Sagrado e o Profano constitui uma das exposições mais claras da abordagem fenomenológica de Mircea Eliade, mas deve ser lido criticamente à luz da investigação posterior. A oposição entre sagrado e profano e a categoria de homo religiosus foram extremamente influentes, embora sejam hoje frequentemente consideradas demasiado gerais para explicar a diversidade histórica das religiões. A tendência de Eliade para identificar estruturas universais entre culturas muito diferentes pode simplificar diferenças sociais, políticas e históricas importantes. Apesar disso, a obra continua fundamental para compreender a evolução dos Estudos Religiosos no século XX e o enorme impacto da fenomenologia da religião na interpretação moderna do mito, ritual e simbolismo.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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