Título original: Yoga and the Traditional Physical Practices of South Asia
Subtítulo: Influence, Entanglement and Confrontation
Autor: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/joseph-s-alter/">Joseph S. Alter</a>, Jerome Armstrong, Ian A. Baker, Oliver Bast, <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/daniela-bevilacqua/">Daniela Bevilacqua</a>, <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/jason-birch/">Jason Birch</a>, Lucy May Constantini, Elisa Ganser, <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/jacqueline-hargreaves/">Jacqueline Hargreaves</a>, Patrick S. D. McCartney, Seth Powell, Philippe Rochard, Stuart Ray Sarbacker, Laura Silvestri, <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/mark-singleton/">Mark Singleton</a>, Dominic Steavu, Saran Suebsantiwongse & Dolly Yang
Ano da primeira edição: 2023
Editora da primeira edição: Journal of Yoga Studies
Local da primeira edição: Londres, Reino Unido
Idioma original: InglêsN
Existe edição em língua portuguesa? Não
Yoga and the Traditional Physical Practices of South Asia investiga as relações históricas entre o Yoga e outras disciplinas corporais praticadas no Sul da Ásia. O volume parte da constatação de que o Yoga nunca existiu num espaço cultural isolado. Yogins, ascetas, lutadores, acrobatas, artistas marciais, dançarinos e especialistas rituais partilharam espaços, conhecimentos e técnicas corporais, criando oportunidades para transferência, adaptação e reformulação de práticas.
A questão central não consiste apenas em determinar quais práticas são ou não são Yoga. Os autores procuram compreender como uma técnica corporal pode transitar entre contextos religiosos, militares, terapêuticos, desportivos ou performativos e, depois de assimilada por outra tradição, passar a ser apresentada como parte antiga e integrante dessa tradição.
O volume começa com uma introdução de Daniela Bevilacqua e Mark Singleton, na qual são apresentados os problemas históricos e metodológicos que orientam a colectânea. Segue-se o estudo de Jason Birch e Jacqueline Hargreaves sobre colecções regionais de āsana documentadas em manuais dos séculos XVIII e XIX.
Birch e Hargreaves identificam três conjuntos regionais distintos de posturas complexas. Estes aparecem em manuais práticos redigidos em sânscrito rudimentar e em línguas vernáculas, materiais que tinham recebido pouca atenção porque não pertenciam ao tipo de tratado erudito normalmente privilegiado pela filologia. A comparação dos manuscritos e das primeiras publicações permite aos autores investigar possíveis continuidades entre posturas pré-modernas e sistemas de Yoga que se tornaram populares durante o século XX.
Uma dessas colecções está associada ao Noroeste da Índia e inclui fontes como a Jogapradīpyakā e a Yogāsanamālā. Outra encontra-se em materiais provenientes do Rajastão e apresenta paralelos com conjuntos de posturas posteriormente difundidos nos meios de Bishnu Charan Ghosh, Buddha Bose e da Divine Life Society de Swami Sivananda. Uma terceira tradição regional está associada ao Sul da Índia, especialmente Maharashtra e Karnataka, e inclui fontes como a Haṭhābhyāsapaddhati e o Śrītattvanidhi. É provavelmente esta última secção que deu origem à formulação “traditional practice in South India” mencionada no pedido.
A tradição meridional estudada por Birch e Hargreaves contém posturas dinâmicas, movimentos repetidos, exercícios com cordas, ligações entre posições e sequências nas quais uma postura pode funcionar como compensação da anterior. Estas características são relevantes para os debates sobre os possíveis antecedentes do método desenvolvido por T. Krishnamacharya em Mysore, mas não demonstram, por si só, uma transmissão directa e contínua entre cada manuscrito e o ensino moderno.
Os capítulos seguintes ampliam a investigação através de fontes visuais, textuais e etnográficas. Seth Powell estuda representações de yogins em posturas complexas esculpidas nos templos do Decão. Saran Suebsantiwongse analisa divertimentos régios, acrobatas e práticas yóguicas descritos na Sāmrājyalakṣmīpīṭhikā. Elisa Ganser investiga as relações entre dança, ritual e Yoga nas tradições indianas do teatro clássico.
Uma parte substancial da obra dedica-se às artes marciais, à luta, aos exercícios com postes e à cultura física. Os estudos abordam os zurkhāneh, os akhāṛā, os lutadores pahlavān e jyeṣṭhī-malla, o mallakhāmb, o vyāyāma, o sūryanamaskār e o kaḷarippayaṟṟŭ do Sul da Índia. A questão não é simplesmente afirmar que estas práticas deram origem ao Yoga moderno, mas examinar ambientes em que técnicas corporais semelhantes puderam circular e adquirir novos significados.
A parte final ultrapassa os limites geográficos da Índia e analisa transferências de conhecimento entre o Sul da Ásia, a China e o Tibete. Dominic Steavu estuda terapias posturais indianas na China medieval; Dolly Yang investiga a circulação de práticas corporais entre a China e a Índia; e Ian A. Baker examina formas de Yoga físico no Tantra tibetano e no Dzogchen. Joseph S. Alter encerra o volume com uma reflexão metodológica sobre corpo, significado, prática e contexto social.
A obra é importante porque questiona narrativas excessivamente simples sobre as origens do Yoga postural. Em vez de procurar uma única fonte para as posturas modernas, os autores demonstram a existência de múltiplos contextos de circulação corporal. O desenvolvimento do Yoga envolveu processos de empréstimo, adaptação, legitimação e reinterpretação que atravessaram fronteiras religiosas, linguísticas e regionais.
O volume também amplia significativamente o tipo de fontes utilizado nos Estudos do Yoga. Para além dos tratados sânscritos eruditos, os autores recorrem a manuais práticos, manuscritos vernáculos, esculturas de templos, pinturas, literatura sobre espectáculos régios, descrições de exercícios, tradições marciais e observação etnográfica. Esta diversidade documental permite recuperar aspectos da prática corporal que nem sempre foram registados nos textos filosóficos.
Outro contributo importante é a recusa de uma oposição demasiado rígida entre tradição indiana e inovação moderna. A investigação mostra que certas práticas posturais complexas existiam antes do período colonial, mas também que foram reorganizadas, renomeadas e integradas em sistemas modernos. A existência de antecedentes pré-modernos não significa que os métodos contemporâneos tenham permanecido inalterados, assim como a presença de influências modernas não elimina as continuidades indianas.
O interesse para os Estudos do Yoga é muito elevado, especialmente no domínio da história do āsana e do Yoga postural moderno. A obra oferece evidência documental que permite ultrapassar duas posições extremas: a ideia de que todas as posturas modernas foram transmitidas intactas desde a Antiguidade e a afirmação de que o Yoga postural foi inteiramente inventado no Ocidente ou durante o colonialismo.
O capítulo de Birch e Hargreaves é particularmente importante porque identifica conjuntos regionais de posturas e procura rastrear a sua circulação até ao século XX. Em vez de comparar apenas posturas isoladas através da semelhança visual, os autores analisam grupos completos, nomes, sequências, instruções e contextos manuscritos. Este método oferece uma base mais rigorosa para investigar relações históricas.
A secção dedicada ao Sul da Índia possui relevância directa para o estudo de Krishnamacharya e do ambiente de Mysore. Fontes como a Haṭhābhyāsapaddhati e o Śrītattvanidhi demonstram a existência regional de formas dinâmicas e complexas de āsana antes da consolidação do Yoga postural moderno. Contudo, a identificação de semelhanças não estabelece automaticamente que Krishnamacharya tenha consultado directamente todos esses documentos.
A obra é igualmente importante para estudar o sūryanamaskār. O capítulo de Stuart Ray Sarbacker examina as relações entre prostração ritual, cultura física, exercício e Saudação ao Sol. Esta abordagem ajuda a compreender que o sūryanamaskār moderno resulta de uma história complexa, e não simplesmente de uma sequência védica de posturas corporais transmitida sem alterações desde a Antiguidade.
O volume teve origem num encontro académico realizado na SOAS University of London, em Novembro de 2019, no âmbito do Haṭha Yoga Project, projecto de investigação financiado pelo Conselho Europeu de Investigação. Os textos foram posteriormente desenvolvidos e submetidos a revisão por pares antes da sua publicação em 2023.
Embora seja comercializado como livro, a primeira forma de publicação foi o volume 4 do Journal of Yoga Studies. Esta dupla identidade explica por que razão algumas referências o descrevem como número especial de revista e outras como livro editado.
A versão digital foi disponibilizada integralmente em acesso aberto antes da edição física.
A principal contribuição de Jacqueline Hargreaves para esta obra não é um estudo intitulado “Yoga and the Traditional Practice in South India”, mas o artigo escrito com Jason Birch sobre colecções regionais de āsana. A tradição do Sul da Índia corresponde a uma das partes da argumentação desse artigo. A ficha não deve, por isso, atribuir a Hargreaves a autoria do volume completo nem transformar o nome de uma secção temática num título autónomo.
O estudo de Birch e Hargreaves apresenta evidências importantes de continuidade, circulação e reformulação, mas não pretende provar uma genealogia linear para todas as posturas modernas. Sem documentos que demonstrem contacto, ensino ou consulta directa, uma semelhança formal entre duas posturas não é suficiente para estabelecer transmissão histórica.
A categoria “Sul da Índia” também exige alguma prudência. O corpus abrange regiões como Maharashtra e Karnataka, cujas fronteiras culturais, políticas e linguísticas variaram ao longo do tempo. A designação regional é útil para organizar as fontes, mas não deve sugerir a existência de uma tradição homogénea e perfeitamente delimitada.
O volume adopta uma metodologia interdisciplinar e reúne filologia, história da arte, antropologia, estudos religiosos e investigação das práticas corporais. Esta amplitude é uma força da obra, mas significa que nem todos os capítulos utilizam o mesmo tipo de evidência ou chegam ao mesmo grau de certeza histórica.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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