Título original: ಯೋಗಾಸನಗಳು
Autor: T. Krishnamacharya
Traduzido por: Satya Murthy
Ano da primeira edição: 1941
Editora da primeira edição: Não confirmada com segurança; publicação patrocinada pelo Estado de Mysore, com impressão associada a instituições públicas de Mysore/Karnataka.
Local da primeira edição: Mysore, Índia
Idioma original: Kannada
Existe edição em língua portuguesa? Não
Yogāsanagaḷu apresenta uma exposição prática e teórica do Yoga de Krishnamacharya durante o período de Mysore.
Krishnamacharya começa por esclarecer que não pretende fazer uma análise extensa de todos os tratados antigos. Indica, contudo, que o seu trabalho se apoia no Pātañjalayogasūtra, Haṭhayogapradīpikā, Rājayogaratnākara, Yoga Kurunta, Upaniṣads relacionadas com Yoga, ensinamentos do seu guru e experiência pessoal.
A obra trata dos oito membros do Yoga — yama, niyama, āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi — e insiste na orientação de um guru, alimentação sāttvika e disciplina global da prática.
A parte mais conhecida é a classificação dos āsana em grupos ou níveis de prática. Nas versões preservadas aparecem grupos designados como Primary, Middle e Proficient, com numerosos āsana que posteriormente surgem em sistemas derivados da tradição de Krishnamacharya.
O livro contém também orientações sobre respiração, vinyāsa, progressão e adaptação da prática.
Yogāsanagaḷu é extremamente importante porque documenta diretamente o Yoga ensinado por Krishnamacharya em Mysore na década de 1940.
Foi escrito exatamente no período em que Pattabhi Jois, B.K.S. Iyengar e outros alunos estavam ligados ao seu ensino. Por isso, é uma das melhores fontes para comparar o método de Krishnamacharya com as formas que posteriormente se desenvolveram como Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga e Iyengar Yoga.
A classificação das posturas em grupos é particularmente relevante para a história do Aṣṭāṅga. Embora não corresponda exatamente às séries fixas que Pattabhi Jois ensinaria mais tarde, existem paralelos evidentes entre os agrupamentos de Krishnamacharya e a organização posterior da prática.
Ao mesmo tempo, Yogāsanagaḷu mostra que o sistema de Krishnamacharya não era simplesmente uma sequência rígida. A versão revista enfatiza que a prática deve ser adaptada a diferentes idades, capacidades e estados de saúde.
O interesse de Yogāsanagaḷu para os Estudos do Yoga é excecional. Juntamente com Yoga Makaranda, constitui uma das principais fontes primárias para reconstruir o método de Krishnamacharya durante o período de Mysore. Permite estudar diretamente a organização dos āsanas, a presença de vinyāsa, a relação entre movimento e respiração e a ideia de progressão entre diferentes níveis de prática. É também indispensável para investigar a genealogia do Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga e para comparar o sistema de Krishnamacharya com as metodologias posteriormente desenvolvidas por Pattabhi Jois, Iyengar e outros discípulos. Mark Singleton identifica explicitamente Yogāsanagaḷu como uma das fontes fundamentais para compreender o ensino de Krishnamacharya nas décadas de 1930 e 1940.
Uma das curiosidades mais importantes é que a obra sofreu alterações substanciais entre edições.
Na introdução à terceira edição, datada de 5 de outubro de 1972, Krishnamacharya explica que acrescentou novas fotografias e expandiu ou modificou vários aspetos da prática. Isto significa que uma cópia de 1972 ou de 1981 não deve ser tratada automaticamente como reprodução exata do livro de 1941.
Outra curiosidade é a referência ao Yoga Kurunta entre as fontes do livro. Krishnamacharya menciona-o ao lado do Pātañjalayogasūtra e da Haṭhayogapradīpikā. O chamado Yoga Kurunta tornou-se posteriormente célebre nas narrativas sobre as origens do sistema de Pattabhi Jois, mas não existe atualmente um manuscrito independente conhecido que permita estudar ou verificar esse texto.
Yogāsanagaḷu é uma fonte primária fundamental, mas é necessário distinguir cuidadosamente as diferentes edições. O texto que circula em tradução inglesa deriva da edição revista de 1981 e contém alterações introduzidas por Krishnamacharya décadas depois da primeira edição de 1941. Por isso, não é metodologicamente correto utilizar todas as suas passagens como prova direta daquilo que Krishnamacharya ensinava em 1941 sem comparar versões.
Também é necessário cuidado com a organização das posturas em “Primary”, “Middle” e “Proficient”. Estes agrupamentos possuem enorme interesse para estudar a formação do Aṣṭāṅga Vinyāsa, mas não devem ser simplesmente identificados com as séries posteriores de Pattabhi Jois. Existem continuidades, mas também reorganizações significativas.
Finalmente, algumas das fontes que Krishnamacharya afirma ter utilizado — sobretudo o Yoga Kurunta — não podem atualmente ser verificadas através de documentação manuscrita independente. Assim, a obra deve ser estudada simultaneamente como testemunho do método de Krishnamacharya e como documento da forma como ele próprio procurava situar esse método dentro de uma tradição textual antiga.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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