Tipo de obra: Documentário
Título original: Mysore Yoga Traditions: The Film
Realização: Andrew Eppler
Ano: 2017
País de produção: Estados Unidos & Índia
Duração: 90 min
Língua original: Inglês e línguas indianas
Legendas disponíveis: Inglês; legendas em português não confirmadas
Mysore Yoga Traditions investiga o contexto cultural, filosófico e religioso em que se desenvolveram algumas das formas mais influentes do Yoga postural moderno. Filmado em Mysore, o documentário reúne entrevistas com professores de Yoga, estudiosos de sânscrito, dirigentes religiosos, representantes de instituições tradicionais e membros da família real de Mysore.
Em vez de construir a narrativa através de uma voz exterior, o filme permite que os participantes apresentem diretamente as suas conceções sobre o Yoga, a tradição, a prática, a filosofia e a história da cidade. O documentário aborda o ambiente intelectual que formou T. Krishnamacharya e procura compreender como o Aṣṭāṅga Yoga posteriormente ensinado por K. Pattabhi Jois se relaciona com a cultura mais ampla de Mysore.
A obra inclui ainda imagens de rituais, instituições religiosas, aulas, práticas posturais e espaços ligados ao ensino tradicional, oferecendo uma aproximação visual à comunidade em que estas formas de Yoga se desenvolveram.
O projeto começou quando Andrew Eppler e outros praticantes se preparavam para filmar um documentário sobre B.N.S. Iyengar. Depois de este ter desistido da participação pouco antes do início da rodagem, a equipa ampliou o objeto da investigação e passou a entrevistar diferentes representantes da cultura yogue e erudita de Mysore.
Esta alteração deu origem a uma obra menos centrada numa única linhagem ou personalidade. Participam no documentário estudiosos ligados ao Maharaja’s Sanskrit College, professores de sânscrito, representantes de instituições religiosas, praticantes de āsana e a então Maharani de Mysore. O filme procura, assim, apresentar o Yoga de Mysore como produto de uma comunidade intelectual e cultural mais ampla, e não exclusivamente como criação de um único mestre.
O documentário é particularmente relevante para contrariar a ideia de que o Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga surgiu isoladamente como uma sequência puramente física. A obra relaciona a prática com o estudo do sânscrito, os Yoga Sūtra, a Bhagavad Gītā, o Vedānta, a devoção religiosa, os rituais de templo e a transmissão entre professores e discípulos.
Ao mesmo tempo, é necessário distinguir testemunho local de consenso historiográfico. O filme privilegia deliberadamente as perspetivas dos representantes da comunidade de Mysore, em parte como resposta às interpretações produzidas por investigadores ocidentais. Essas vozes possuem grande valor como fontes primárias e como expressões da memória da comunidade, mas não são necessariamente concordantes entre si nem substituem a análise histórica baseada em documentação comparada.
Algumas reivindicações sobre a antiguidade, a continuidade ou a autenticidade de determinadas práticas devem, portanto, ser avaliadas criticamente. A tradição oral, a memória institucional e a autoridade religiosa são fontes relevantes, mas podem coexistir com reconstruções retrospectivas, narrativas de legitimação e divergências cronológicas.
A ausência de narração exterior constitui uma força e simultaneamente um limite. Permite ouvir os participantes sem uma explicação dominante sobreposta às suas palavras, mas exige que o espectador possua algum contexto para distinguir testemunho, interpretação religiosa, memória familiar e demonstração histórica. O próprio projeto afirma que os entrevistados não apresentam sempre uma única opinião consensual.
Disponível em: Streaming · Arquivo digital
Plataformas de streaming: Vimeo On Demand .
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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