Ātman — आत्मन् — atman, atma
Tradução literal: Si mesmo; eu; princípio interior.
Definição
Ātman é um dos conceitos centrais das tradições filosóficas da Índia. De forma geral, refere-se à natureza mais profunda do ser humano, distinta do corpo, das emoções, dos pensamentos e das experiências transitórias. Nas Upaniṣads, Ātman é frequentemente apresentado como a realidade interior que permanece para além das mudanças da existência. Dependendo da escola filosófica considerada, pode ser entendido como a consciência individual, o verdadeiro eu ou a própria realidade absoluta. Embora seja frequentemente traduzido por “alma”, esta tradução não é inteiramente satisfatória, uma vez que o conceito possui características distintas das conceções ocidentais de alma.
Referências textuais
O termo encontra-se já nos Vedas, mas o seu desenvolvimento filosófico ocorre sobretudo nas principais Upaniṣads. Uma das passagens mais conhecidas surge na Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad (1.4.10):
अहं ब्रह्मास्मि
ahaṃ brahmāsmi
“Eu sou Brahman.”
Esta afirmação tornou-se uma das expressões fundamentais do pensamento vedântico, sendo posteriormente conhecida como um dos mahāvākya (“grandes enunciados”) das Upaniṣads.
Notas académicas
A interpretação de Ātman varia significativamente entre as diferentes escolas filosóficas indianas. No Advaita Vedānta, associado a Ādi Śaṅkarācārya, Ātman é considerado idêntico a Brahman, a realidade absoluta. Outras escolas vedânticas apresentam interpretações diferentes acerca da relação entre o indivíduo e o absoluto. Por sua vez, as tradições budistas desenvolveram a doutrina do anātman (“não-eu”), rejeitando a existência de um princípio permanente equivalente ao Ātman das Upaniṣads. O debate entre as conceções de Ātman e Anātman constitui um dos temas centrais da história da filosofia indiana.