Título original: Adaptive Reuse
Subtítulo: Adaptive Reuse: Aspects of Creativity in South Asian Cultural History
Autor: Elisa Freschi & Philipp A. Maas
Ano da primeira edição: 2017
Editora da primeira edição: Harrassowitz Verlag
Local da primeira edição: Wiesbaden, Alemanha
Idioma original: Inglês/Sânscrito
Existe edição em língua portuguesa? Não
Adaptive Reuse parte de uma ideia originalmente associada à arquitetura: a “reutilização adaptativa”. Em arquitetura, um edifício antigo pode ser preservado mas transformado para desempenhar uma nova função. Freschi e Maas aplicam esta ideia à história cultural do Sul da Ásia.
O volume pergunta o que acontece quando um autor, escola filosófica ou tradição religiosa utiliza materiais anteriores — textos, conceitos, metáforas, argumentos ou rituais — para criar algo novo.
A inovação, nesta perspetiva, não exige necessariamente uma ruptura com a tradição. Pelo contrário, uma nova ideia pode adquirir legitimidade precisamente porque é apresentada como interpretação, continuação ou reutilização de uma autoridade anterior.
Os estudos do volume abrangem filosofia sânscrita, gramática, poesia, religião, ritual, literatura védica e épica e até métodos das Humanidades Digitais utilizados para identificar passagens textuais reutilizadas.
A importância do volume está na forma como questiona uma oposição demasiado simples entre “tradição” e “inovação”.
Em muitas tradições intelectuais sul-asiáticas, um autor não precisava declarar que estava a criar algo completamente novo. A criatividade podia consistir precisamente em reorganizar, reinterpretar ou deslocar materiais tradicionais.
Isto é particularmente importante para o estudo de textos sânscritos, porque autores posteriores citam frequentemente autoridades antigas, reinterpretam passagens anteriores ou apresentam novas doutrinas através de uma linguagem que lhes confere aparência de continuidade.
O conceito de adaptive reuse oferece, assim, uma ferramenta metodológica para estudar como tradições intelectuais conseguem simultaneamente preservar autoridade e produzir inovação.
O interesse de Adaptive Reuse para os Estudos do Yoga é moderado a elevado. O volume como um todo não é dedicado ao Yoga, mas o capítulo de Philipp Maas sobre a reutilização do Pātañjalayogaśāstra no Śiśupālavadha é diretamente relevante para compreender a receção histórica do Yoga clássico. O estudo mostra que ideias yóguicas não permaneceram confinadas a tratados filosóficos ou comunidades de praticantes: podiam circular pela literatura sânscrita, ser apropriadas poeticamente e adquirir novas funções em contextos culturais diferentes. Mais amplamente, o conceito de “reutilização adaptativa” é extremamente útil para estudar a própria história do Yoga, na qual textos, técnicas e conceitos foram continuamente reinterpretados por tradições budistas, śaivas, vaiṣṇavas, tântricas e, posteriormente, por diferentes formas de Yoga moderno. Para uma biblioteca dedicada aos Estudos do Yoga, classificaria a obra como complementar de elevado interesse metodológico, com um capítulo diretamente importante para o estudo de Patañjali e da transmissão do Pātañjalayogaśāstra.
O conceito central do volume não nasceu nos Estudos Religiosos nem na Indologia. Adaptive reuse provém originalmente da arquitetura, onde designa a transformação de uma estrutura existente para uma nova utilização. Os editores transportam deliberadamente esta metáfora para a história intelectual sul-asiática.
O volume inclui bibliografias especializadas e passagens em sânscrito romanizado, refletindo o seu caráter fortemente filológico.
Adaptive Reuse é um volume metodologicamente relevante para os Estudos Sul-Asiáticos porque procura substituir modelos simples de “influência” ou “empréstimo” por uma análise mais precisa dos mecanismos através dos quais tradições anteriores são transformadas. A reutilização pode envolver citação textual, reformulação conceptual, apropriação de imagens, reconstrução de fontes ou criação de novas interpretações apresentadas sob autoridade antiga. Esta abordagem é particularmente útil para a Indologia, onde grande parte da produção intelectual se desenvolveu através de comentários, subcomentários, reelaborações e diálogos explícitos ou implícitos com textos anteriores.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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