Título original: Ancient Indian Folk Cults
Autor: Vasudeva S. Agrawala
Ano da primeira edição: 1970
Editora da primeira edição: Prithivi Prakashan
Local da primeira edição: Varanasi, Índia
Idioma original: Sânscrito/Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Ancient Indian Folk Cults examina formas de culto que coexistiram com as tradições védicas e bramânicas. Agrawala procura reconstruí-las através de fontes literárias, referências religiosas, festivais e elementos iconográficos, mostrando a importância da religião praticada fora dos grandes sistemas teológicos.
A obra começa com uma introdução geral e prossegue com capítulos dedicados a festivais relacionados com o arco, a montanha, Indra, as divindades fluviais, Skanda, Rudra, os nāgas, as árvores, o oceano, as cavernas, as stūpas, os caityase Mukunda. Os capítulos finais estudam a deusa Śrī e o culto dos yakṣas.
O autor defende que os cultos populares não permaneceram inteiramente separados da religião erudita. Divindades locais, árvores, rios, montanhas e seres associados à fertilidade ou à proteção foram reinterpretados e incorporados em tradições bramânicas, budistas e jainistas. O livro procura, assim, explicar a interação entre práticas locais e sistemas religiosos mais amplos.
A obra chama a atenção para grupos e práticas frequentemente secundarizados pelas histórias centradas nos Vedas, nas escolas filosóficas ou nas grandes divindades. Os cultos de yakṣas, nāgas, árvores, montanhas e deusas ajudam a compreender a formação histórica da paisagem religiosa indiana.
O estudo também permite observar como festivais, lugares naturais e divindades regionais podiam adquirir novas interpretações sem perder inteiramente as suas funções anteriores. Essa circulação torna inadequada uma separação absoluta entre religião “popular” e religião “erudita”.
A relação com o Yoga é indireta, mas relevante para o contexto religioso em que se formaram tradições ascéticas e tântricas. Os capítulos sobre Rudra, Skanda, divindades femininas e seres ligados a lugares sagrados ajudam a compreender o ambiente mitológico e ritual posteriormente associado a diferentes correntes de Yoga.
O segundo apêndice contém uma Cauṣaṭha Yoginī Nāmāvalī, uma lista de nomes das sessenta e quatro Yoginīs. Neste contexto, “Yoginī” designa divindades femininas associadas a tradições tântricas e não simplesmente uma mulher que pratica Yoga no sentido atual.
Para a Saṃsāra, a obra é sobretudo uma fonte contextual sobre religião popular, divindades locais e antecedentes de tradições śaivas e tântricas. Não é um tratado de técnicas yóguicas nem demonstra que todos os cultos estudados tenham originado práticas de Yoga.
O livro inclui dois apêndices: uma Bāvanvīra Nāmāvalī, relacionada com cinquenta e dois heróis, e uma lista das sessenta e quatro Yoginīs. Estes materiais mostram o interesse de Agrawala por tradições religiosas preservadas em listas de nomes, festivais e práticas regionais.
O título correto utiliza “Folk Cults”, e não “Folks Cults”. “Folk” funciona aqui como adjetivo e refere-se a cultos populares.
A categoria “culto popular” deve ser utilizada com prudência. A oposição entre uma religião védica ou erudita e uma religião popular pode simplificar relações históricas muito mais complexas entre textos, comunidades, regiões e práticas.
Algumas interpretações de Agrawala procuram encontrar continuidade entre cultos muito antigos e tradições posteriores. Essas reconstruções nem sempre podem ser demonstradas com segurança. A obra permanece valiosa, mas deve ser acompanhada por estudos arqueológicos, antropológicos e históricos mais recentes.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
Utilizamos cookies necessários ao funcionamento do site e, mediante o seu consentimento, cookies estatísticos e serviços externos, como conteúdos de vídeo. Pode aceitar, recusar ou gerir as suas preferências. A recusa ou retirada do consentimento poderá limitar algumas funcionalidades.