Título original: Artists in Mysore
Autor: Naramani Somanath alias Norman E. Sjoman
Ano da primeira edição: 2006
Editora da primeira edição: Black Lotus Books
Local da primeira edição: Calgary, Canadá
Idioma original: inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Artists in Mysore apresenta vinte e três artistas ligados à cidade de Mysore e procura retratar a diversidade do seu meio artístico no início do século XXI. A maioria são pintores, mas o volume inclui também artistas de marchetaria, um realizador de cinema experimental, poetas, um fotógrafo e um arquiteto.
Sjoman não organiza o livro como uma história sistemática da arte de Mysore. Segundo a introdução descrita numa recensão contemporânea, a seleção dos artistas é deliberadamente pessoal e não pretende constituir um cânone. O autor combina observações sobre as obras com elementos biográficos, processos de formação, tradições artesanais e comentários sobre o ambiente cultural da cidade.
Entre os artistas tratados encontram-se representantes da pintura tradicional de Mysore, artistas contemporâneos, praticantes de marchetaria e criadores provenientes de contextos culturais distintos que fizeram de Mysore o seu lugar de residência ou trabalho. O livro aborda, por exemplo, K. S. Shreehari, V. M. Sholapurkar, K. Mohan, Vishnudas Ramdas, Raghuttama Putty, Girija Madhavan, N. S. Harsha, Babu Eshwar Prasad e Penpa Yaasel.
A principal importância de Artists in Mysore está na documentação de um meio artístico local que raramente aparece nas grandes histórias da arte indiana.
Sjoman não se limita à arte cortesã ou à célebre tradição pictórica de Mysore. Mostra como a cidade reúne continuidades tradicionais e formas contemporâneas de criação, desde a pintura e a marchetaria até à fotografia, cinema e arquitetura.
A obra possui também valor documental porque regista artistas, oficinas, trajetórias e práticas tal como existiam em 2006. Uma recensão publicada nesse mesmo ano descreve precisamente o volume como uma espécie de retrato instantâneo da vida artística de Mysore naquele momento.
O interesse de Artists in Mysore para os Estudos do Yoga é baixo a moderado e sobretudo contextual. O livro não trata diretamente de Yoga, āsana, Krishnamacharya ou da tradição do Palácio de Mysore. No entanto, é útil para compreender Mysore como espaço cultural vivo, no qual arte, tradições artesanais, instituições, educação, religião e práticas corporais coexistiram e se transformaram. Lido juntamente com The Yoga Tradition of the Mysore Palace, permite perceber uma dimensão mais ampla do interesse de Sjoman pela cidade: não apenas como local decisivo para a história do Yoga moderno, mas como ambiente cultural no qual diferentes formas de tradição e modernidade continuam a ser produzidas e reinterpretadas.
A curiosidade mais evidente é o pseudónimo. Norman Sjoman não publicou o livro sob o nome pelo qual é conhecido nos Estudos do Yoga, mas como Naramani Somanath. As bibliografias do próprio autor e referências posteriores identificam explicitamente Naramani Somanath como pseudónimo de N. E. Sjoman.
Há ainda outra característica interessante: a edição incluía uma imagem de uma obra de cada artista e era acompanhada por um CD com imagens adicionais, permitindo ampliar visualmente o conteúdo do volume.
A capa apresentava uma obra de Raghupati Bhatta relacionada com Viśvarūpa, segundo a recensão contemporânea do livro.
Artists in Mysore deve ser distinguido das obras académicas de Sjoman sobre Yoga, sânscrito ou história textual. Trata-se de um livro de crítica e documentação artística com uma forte componente pessoal, escrito por alguém que, além de sanscritista e investigador, era também artista. A seleção não pretende ser exaustiva nem representar metodologicamente toda a produção artística de Mysore. O seu valor reside sobretudo no testemunho de proximidade, na documentação de artistas locais e na observação das relações entre tradição, aprendizagem, identidade urbana e produção artística contemporânea.
Para investigação académica sobre Mysore, pode funcionar como fonte complementar, mas não substituiria estudos históricos específicos sobre a corte Wodeyar, a Mysore School of Painting ou as instituições artísticas do Karnataka.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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