Título original: Biographies of Words and the Home of the Aryas
Autor: F. <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/max-muller/">Max Müller</a>
Ano da primeira edição: 1888
Editora da primeira edição: Longmans, Green, and Co.
Local da primeira edição: London, Reino Unido
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Biographies of Words parte da ideia de que as palavras possuem uma história própria e que a investigação das suas transformações pode revelar informação sobre sociedades antigas. Müller acompanha alterações de som, significado e uso de diferentes vocábulos, procurando mostrar de que forma a filologia comparada pode reconstruir relações entre línguas e culturas.
Uma parte substancial do livro é dedicada à questão então designada como “the Home of the Aryas”, isto é, à tentativa de determinar a origem geográfica dos povos de língua indo-europeia através do vocabulário partilhado. Müller examina termos relacionados com animais domésticos e selvagens, aves, árvores, plantas, habitação, atividades domésticas, metais e outros elementos da cultura material.
A obra inclui também textos específicos sobre soma, jade, fauna e flora, bem como uma discussão da relação entre filologia e etnologia.
A importância do livro reside sobretudo na história da filologia comparada e da indologia do século XIX. Müller acreditava que a comparação sistemática das línguas indo-europeias podia fornecer informação histórica sobre populações muito anteriores à existência de documentação escrita.
A obra também ilustra uma fase importante da tentativa europeia de reconstruir a pré-história indo-europeia a partir da linguagem. A análise de palavras relacionadas com animais, plantas, metais e práticas sociais funcionava como uma espécie de “arqueologia linguística”.
Atualmente, muitas destas reconstruções foram profundamente revistas pela linguística histórica, arqueologia e genética populacional, mas o livro continua a ser uma fonte importante para compreender como se formaram os primeiros modelos académicos sobre línguas indo-europeias e a relação entre Índia e Europa.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é indireto, mas relevante para compreender a história académica das interpretações europeias da Índia. Biographies of Words não é uma obra sobre Yoga, mas ajuda a perceber o ambiente intelectual em que textos védicos, sânscrito e tradições indianas começaram a ser estudados através da filologia comparada. A análise da linguagem indo-europeia, das origens culturais e de termos relacionados com o mundo védico permite contextualizar a forma como investigadores do século XIX construíram narrativas sobre a antiguidade da Índia que posteriormente influenciaram a receção ocidental do Hinduísmo e do Yoga. Para uma abordagem histórica dos Estudos do Yoga, o livro é particularmente útil como fonte sobre a formação da indologia e sobre os pressupostos metodológicos que marcaram as primeiras interpretações académicas europeias das tradições indianas.
O índice revela muito bem a conceção original da obra. Müller não se limita a estudar palavras abstratamente: dedica capítulos a animais domésticos, animais selvagens, aves, casa e vida doméstica, árvores e plantas, metais e até à questão de saber se o “terceiro metal” conhecido pelos indo-europeus teria sido cobre ou ferro.
O volume inclui igualmente textos intitulados Letters on the Original Home of the Soma e Letter on Philology versus Ethnology, mostrando a ligação que Müller estabelecia entre estudos linguísticos, religião védica e debates sobre a origem das populações indo-europeias.
É também importante contextualizar historicamente a palavra “Aryas” no título. Müller utiliza-a dentro do vocabulário filológico do século XIX associado às línguas indo-europeias. O uso posterior de “ariano” como categoria racial, sobretudo nos séculos XIX e XX, exige uma distinção cuidadosa entre história linguística, identidade cultural e teorias raciais posteriores.
Biographies of Words deve ser lido sobretudo como documento fundamental da história da filologia comparada do século XIX. Müller trabalha num período em que linguística, etnologia e reconstrução histórica estavam ainda fortemente interligadas e em que a língua era frequentemente utilizada como indicador de origem cultural ou populacional. Muitas das suas hipóteses sobre a localização da pátria indo-europeia e sobre a relação entre vocabulário, cultura e migração foram posteriormente modificadas ou abandonadas. A obra permanece, contudo, importante para compreender a formação da indologia europeia, o desenvolvimento da linguística indo-europeia e os métodos através dos quais os investigadores do século XIX procuraram reconstruir sociedades antigas a partir da história das palavras.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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