Título original: The Art of India Through The Ages
Subtítulo: Traditions of Indian Sculpture, Painting and Architecture
Autor: Stella Kramrisch
Ano da primeira edição: 1954
Editora da primeira edição: Phaidon Press
Local da primeira edição: London, Reino Unido
Idioma original: Reino Unido
Existe edição em língua portuguesa? Não
The Art of India apresenta uma visão panorâmica da arte indiana através da escultura, pintura e arquitetura, procurando demonstrar que estas formas artísticas devem ser estudadas como realizações estéticas e intelectuais por direito próprio, e não apenas como ilustrações da religião ou da história da Índia. A obra percorre um arco cronológico muito amplo, desde a civilização do Vale do Indo até às tradições medievais, incluindo arte budista, hindu e jainista.
Entre os exemplos analisados encontram-se Harappa, Bharhut, Sanchi, Gandhāra, Mathurā, Ajanta, Ellora, Khajuraho, Mamallapuram e outras grandes tradições escultóricas e arquitetónicas. Kramrisch procura sobretudo identificar continuidades formais e conceptuais na arte indiana: relações entre corpo, movimento, ritmo, volume, espaço, simbolismo religioso e arquitetura.
A importância da obra está no facto de Kramrisch procurar afirmar a arte indiana dentro de uma história universal da arte.
A descrição editorial da obra é muito explícita: durante muito tempo, a literatura e filosofia indianas haviam sido reconhecidas na Europa, enquanto as artes visuais continuavam frequentemente tratadas como simples complemento da religião ou da antropologia. Kramrisch procura contrariar essa abordagem e mostrar que a escultura e a arquitetura indianas podem ser avaliadas segundo critérios artísticos tão exigentes como os aplicados à escultura grega ou às catedrais medievais europeias. É, portanto, simultaneamente uma história da arte indiana e uma intervenção historiográfica.
O interesse de The Art of India para os Estudos do Yoga é sobretudo contextual, mas significativo. A obra permite compreender o universo visual e religioso no qual numerosas tradições yóguicas e tântricas se desenvolveram, particularmente através das representações de Śiva, ascetas, divindades, corpos idealizados, gestos, posturas e espaços de culto. É igualmente útil para estudar como noções de corpo, transformação espiritual, libertação e presença divina se tornam formas visuais e arquitetónicas. Não é, contudo, uma história do Yoga propriamente dita, pelo que eu a utilizaria como obra complementar para compreender a cultura religiosa e iconográfica da Índia.
Uma curiosidade importante é precisamente a variação do título. A edição original de 1954 é catalogada como:
The Art of India: Traditions of Indian Sculpture, Painting and Architecture.
Já várias edições indianas posteriores passaram a usar: The Art of India Through the Ages.
The Art of India é uma obra clássica da história da arte indiana, mas deve ser lida no contexto historiográfico da década de 1950. Kramrisch tende a procurar continuidades profundas e princípios formais relativamente estáveis ao longo de vários séculos de produção artística. Essa abordagem foi extremamente influente, mas a investigação posterior deu maior atenção às diferenças regionais, políticas, sociais e religiosas. Também é importante perceber que a própria defesa de uma unidade da “arte indiana” fazia parte de um projeto intelectual específico do século XX. Ainda assim, a obra continua fundamental para compreender não apenas a arte indiana, mas também a formação académica do campo.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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