Título original: Die Philosophie der Upanishad’s
Autor: Paul Deussen
Ano da primeira edição: 1898
Editora da primeira edição: F. A. Brockhaus
Local da primeira edição: Leipzig, Alemanha
Idioma original: Alemão
Existe edição em língua portuguesa? Não
The Philosophy of the Upanishads procura reconstruir de forma sistemática a filosofia dos Upaniṣads e mostrar como, segundo Deussen, se desenvolve neles uma conceção metafísica centrada em brahman e ātman.
A obra começa por situar historicamente os diferentes Upaniṣads, distinguindo textos mais antigos e posteriores e discutindo a sua relação com o corpus védico. Segue-se uma análise do que Deussen considera a sua conceção fundamental, incluindo a relação entre ritual e conhecimento, o papel de tapas e ascetismo e a procura de brahman.
O livro desenvolve depois uma exposição temática muito extensa: natureza do brahman, ātman, cosmologia, origem do universo, estados da alma, corpo subtil, transmigração, morte, conhecimento, libertação e ética. O índice mostra secções específicas dedicadas à “unreality of the universe”, à origem do Sāṃkhya, à psicologia, à escatologia, à emancipação e à filosofia prática.
Deussen procura, assim, transformar materiais provenientes de diferentes Upaniṣads numa visão filosófica relativamente coerente.
A obra é importante porque foi uma das primeiras grandes tentativas europeias de apresentar os Upaniṣads como um sistema filosófico desenvolvido e não apenas como textos religiosos ou especulativos isolados.
Deussen atribui enorme importância à identificação entre ātman e brahman e apresenta essa ideia como núcleo central da filosofia upaniṣádica. Esta interpretação teve uma influência considerável na receção ocidental da filosofia indiana.
O livro também ajudou a consolidar a visão dos Upaniṣads como fundamento histórico do Vedānta. Nesse sentido, The Philosophy of the Upanishads funciona quase como a etapa anterior de The System of the Vedānta: primeiro, Deussen procura reconstruir a filosofia das Upaniṣads; depois, analisa a sistematização posterior dessa herança através dos Brahma Sūtras e de Śaṅkara.
O interesse de The Philosophy of the Upanishads para os Estudos do Yoga é elevado, sobretudo para compreender o ambiente filosófico em que várias ideias fundamentais do Yoga começam a ganhar forma. Deussen analisa ātman, brahman, tapas, ascetismo, prāṇa, estados da consciência, transmigração, libertação e processos de interiorização religiosa, todos relevantes para a história das tradições yóguicas. A obra também discute explicitamente Sāṃkhya e Yoga no contexto do desenvolvimento do pensamento upaniṣádico. Para os Estudos do Yoga, o livro é particularmente valioso em dois níveis: como estudo histórico das ideias que antecedem e influenciam formas posteriores de Yoga e como documento da receção europeia da filosofia indiana, cuja leitura fortemente vedāntica viria a influenciar profundamente a maneira como o Yoga foi apresentado no Ocidente nos séculos XIX e XX.
The Philosophy of the Upanishads não nasceu originalmente como livro independente. Trata-se da segunda parte do primeiro volume da grande Allgemeine Geschichte der Philosophie de Deussen. A primeira parte tratava da filosofia dos Vedas até aos Upaniṣads, enquanto esta segunda parte era inteiramente dedicada à filosofia upaniṣádica.
A tradução inglesa de 1906 foi autorizada pelo próprio Deussen e A.S. Geden assinalou no prefácio a ausência, naquela época, de uma exposição inglesa suficientemente atualizada e extensa da filosofia das Upaniṣads.
Outra curiosidade é a longevidade editorial da obra. A tradução inglesa foi reimpressa repetidamente, incluindo edições de 1908, 1919, Dover em 1966 e várias edições indianas posteriores.
The Philosophy of the Upanishads permanece uma obra fundamental para a história da Indologia e da filosofia comparada, mas a sua leitura deve ser contextualizada. Deussen tende a procurar uma unidade filosófica subjacente aos diferentes Upaniṣads e privilegia fortemente uma interpretação não dual próxima do Advaita Vedānta. A investigação posterior mostrou com mais detalhe que as Upaniṣads antigas apresentam posições diversas, camadas cronológicas diferentes e conceções nem sempre harmonizáveis de ātman, brahman, ritual, morte e libertação. A obra é, por isso, extremamente valiosa como estudo histórico e como testemunho da formação da interpretação europeia das Upaniṣads, mas deve ser complementada por investigação filológica contemporânea.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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