The Sacred Books of the East

The Sacred Books of the East

Título original: The Sacred Books of The East

Autor: The Sacred Books of The East

Ano da primeira edição: 1879

Editora da primeira edição: Clarendon Press / Oxford University Press

Local da primeira edição: Oxford, Reino Unido

Idioma original: Inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

O objetivo de The Sacred Books of the East era disponibilizar em inglês aquilo que Müller e os seus colaboradores consideravam alguns dos principais textos religiosos das civilizações asiáticas, permitindo que fossem estudados comparativamente por investigadores europeus e por um público mais amplo.

A coleção surge num momento decisivo para a formação daquilo que viria a tornar-se a História Comparada das Religiões. Müller acreditava que o estudo das religiões deveria basear-se na comparação das suas fontes textuais e defendia que textos religiosos asiáticos deveriam estar disponíveis nas mesmas condições que as fontes das tradições europeias.

O resultado foi uma verdadeira biblioteca textual de religiões asiáticas, com traduções produzidas por alguns dos principais orientalistas e filólogos do final do século XIX.

Porque é importante

A importância da coleção é extraordinária porque tornou acessíveis em inglês numerosos textos que até então permaneciam disponíveis sobretudo em línguas originais ou em edições académicas muito especializadas.

A série teve enorme influência na maneira como Hinduísmo, Budismo, Jainismo, Zoroastrismo, Confucionismo e Daoismo passaram a ser estudados no Ocidente. Também contribuiu para consolidar a religião comparada como disciplina académica.

No caso específico da Índia, The Sacred Books of the East deu enorme visibilidade às Upaniṣad, aos textos jurídicos, aos Vedas, ao Budismo e ao Jainismo, influenciando gerações de investigadores, escritores e reformadores religiosos.

Ao mesmo tempo, a própria escolha de quais textos seriam considerados “sagrados” ajudou a moldar uma determinada imagem ocidental das religiões asiáticas, privilegiando tradições textuais e obras consideradas canónicas. Estudos históricos contemporâneos analisam precisamente esta dimensão do projeto de Müller.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse de The Sacred Books of the East para os Estudos do Yoga é muito elevado, embora a coleção não tenha sido concebida especificamente como uma biblioteca de Yoga. Vários dos seus volumes disponibilizaram fontes fundamentais para compreender o contexto religioso e filosófico no qual diferentes tradições yóguicas se desenvolveram, incluindo as Upaniṣads, a Bhagavadgītā, textos védicos, Dharmasūtras e literatura budista e jainista. A coleção é também indispensável para estudar a história moderna da receção do Yoga, porque essas traduções participaram diretamente na formação da imagem europeia da espiritualidade indiana durante o final do século XIX e início do século XX. Autores, reformadores e movimentos posteriores tiveram acesso às tradições indianas através deste tipo de tradução, tornando The Sacred Books of the East uma peça importante não apenas da história da indologia, mas também da construção moderna das ideias de “filosofia indiana”, “misticismo oriental” e, indiretamente, do próprio Yoga moderno.

Curiosidade bibliográfica

O projeto foi originalmente concebido para apenas 24 volumes publicados ao longo de cerca de oito anos. Acabou por atingir 50 volumes e prolongar-se de 1879 a 1910.

Max Müller não viveu para assistir à conclusão completa da coleção, pois morreu em 1900. Os volumes restantes continuaram a ser publicados posteriormente, culminando no volume 50 em 1910.

Também é interessante que o volume I da coleção seja precisamente The Upanishads, Part I, traduzido por Müller. A escolha mostra a posição central que ele atribuía à literatura upaniṣádica na sua interpretação da história religiosa da Índia.

Nota académica

The Sacred Books of the East constitui simultaneamente uma fonte fundamental para a história da indologia e um documento da construção europeia das categorias modernas de “religião”, “texto sagrado” e “religião oriental”. O projeto teve enorme mérito filológico ao disponibilizar traduções de fontes até então pouco acessíveis, mas refletiu também os pressupostos intelectuais e coloniais da erudição vitoriana. A seleção privilegiou textos escritos e tradições consideradas canónicas, deixando em segundo plano práticas locais, transmissão oral, ritual quotidiano e outras formas de religiosidade. As traduções continuam a possuir grande interesse histórico e, em alguns casos, filológico, mas devem ser comparadas com edições críticas e traduções mais recentes. A coleção é, por isso, tão importante para estudar as religiões asiáticas como para compreender a própria história académica da forma como o Ocidente passou a classificá-las e compará-las.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Inglês — idioma original

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga