Ashtanga, NY

Ashtanga, NY

Tipo de obra: Documentário

Título original: Ashtanga, NY: A Yoga Documentary

Realização: Caroline Laskow & Mary Wigmore

Ano: 2003

País de produção: Estados Unidos

Duração: 41 min

Língua original: Inglês

Legendas disponíveis: Inglês, com legendas descritivas em inglês

Sinopse

Em setembro de 2001, centenas de praticantes deslocaram-se a Nova Iorque para participar num workshop de um mês orientado por K. Pattabhi Jois, então com 86 anos. As realizadoras Caroline Laskow e Mary Wigmore pretendiam inicialmente registar o encontro como uma celebração da prática de Aṣṭāṅga Yoga e da comunidade internacional formada em torno do professor indiano.

Os atentados de 11 de setembro ocorreram durante o workshop e alteraram profundamente o sentido do filme e do próprio encontro. Num contexto marcado pelo medo, pelo luto e pela desorientação, o documentário acompanha a continuação das práticas, as reações dos participantes e a procura de estabilidade através da disciplina coletiva do Yoga.

Com imagens das sessões orientadas por Pattabhi Jois e Sharath Rangaswamy, atualmente conhecido como Sharath Jois, e testemunhos de diferentes alunos, Ashtanga, NY retrata o encontro entre uma prática de origem indiana, a cultura urbana nova-iorquina e uma comunidade confrontada com uma crise histórica inesperada.

Contexto e relevância

Ashtanga, NY foi filmado durante a visita de K. Pattabhi Jois a Nova Iorque, em setembro de 2001. O workshop reunia praticantes provenientes de vários países e foi apresentado como a sua última grande formação na América do Norte. O filme acompanha igualmente o seu neto Sharath, que participava no ensino e viria a assumir um papel central na continuação institucional do método.

O projeto foi inicialmente concebido como uma espécie de “filme-concerto”: uma celebração visual do ritmo, da intensidade e da dimensão coletiva da prática de Aṣṭāṅga Yoga. Os acontecimentos de 11 de setembro obrigaram, porém, as realizadoras a reformular a narrativa. O centro do documentário deixou de ser apenas o método postural e passou a incluir a resposta dos praticantes à violência, à insegurança e ao luto.

A obra possui interesse histórico por registar uma fase de forte expansão do Aṣṭāṅga Yoga nos Estados Unidos. Durante a década de 1990 e o início do século XXI, o método de Pattabhi Jois conquistou grande visibilidade entre professores, artistas, profissionais urbanos e figuras públicas. O filme inclui intervenções ou presenças de Willem Dafoe, Gwyneth Paltrow, Donna Karan e outros praticantes ligados à comunidade nova-iorquina.

Contudo, a presença de celebridades não deve ocupar um lugar central na apresentação da obra. O interesse do filme reside sobretudo na documentação de uma comunidade específica e na forma como esta interpreta o Yoga como meio de disciplina, coesão e recuperação emocional.

O documentário também requer contextualização crítica. A linguagem promocional da época descrevia frequentemente o Aṣṭāṅga Yoga como uma prática antiga transmitida de forma contínua, mas o método ensinado por Pattabhi Jois deve ser compreendido no contexto do desenvolvimento do Yoga postural moderno em Mysore, sob a influência de T. Krishnamacharya, da cultura física e das transformações pedagógicas do século XX.

Além disso, o filme foi realizado por praticantes integradas na comunidade observada. Esta proximidade proporciona acesso direto às aulas e aos participantes, mas conduz a um retrato predominantemente admirativo. A obra não analisa criticamente as estruturas de autoridade, as técnicas de ajustamento físico ou as acusações formuladas posteriormente contra Pattabhi Jois. Por essa razão, é valiosa como documento de uma comunidade e de um momento histórico, mas não constitui uma avaliação abrangente do seu legado.

Trailer

Disponibilidade

Disponível em: DVD · Cinema

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga