Candra — चन्द्र — Chandra, Candrā, Chandrá

Tradução literal: Luminoso; brilhante; resplandecente; Lua.

Definição

Candra é uma palavra sânscrita que significa “luminoso” ou “brilhante” e constitui uma das principais designações da Lua. Pode referir-se ao astro, à divindade lunar ou, em textos de Yoga e Tantra, a um princípio simbólico associado à frescura, ao néctar, à mente e à energia lunar.

Enquanto divindade, Candra é frequentemente identificado com Soma. Contudo, os dois termos não foram sempre perfeitamente equivalentes. No período védico, soma designava principalmente uma substância sacrificial, a bebida preparada a partir dessa substância e a divindade associada ao ritual. A identificação plena de Soma com a Lua desenvolveu-se gradualmente.

Na astronomia e astrologia indianas, Candra integra os nove corpos ou influências celestes denominados navagraha. É associado à mente, às emoções, à fecundidade, à vegetação e à medição do tempo.

Referências textuais

No Ṛgveda (10.90.13), no chamado Puruṣasūkta, afirma-se que a Lua nasceu da mente do ser cósmico:

चन्द्रमा मनसो जातः

candramā manaso jātaḥ

“A Lua nasceu da mente.”

Esta passagem contribuiu para a posterior associação entre a Lua e manas, a faculdade mental.

Na literatura védica, Soma apresenta uma relação progressivamente mais estreita com o ciclo lunar. Nos textos épicos e purânicos, Candra e Soma aparecem geralmente identificados como uma única divindade.

Segundo uma narrativa purânica, Candra casou com as vinte e sete filhas de Dakṣa, identificadas com as vinte e sete constelações lunares ou nakṣatras. Como favorecia Rohiṇī em detrimento das restantes esposas, foi amaldiçoado por Dakṣa. O enfraquecimento e posterior recuperação de Candra explicariam simbolicamente as fases minguante e crescente da Lua.

Na Bhagavad Gītā (15.13), Kṛṣṇa declara que, tornando-se Soma, nutre as plantas:

पुष्णामि चौषधीः सर्वाः सोमो भूत्वा रसात्मकः

puṣṇāmi cauṣadhīḥ sarvāḥ somo bhūtvā rasātmakaḥ

“Tornando-me Soma, cuja natureza é seiva, nutro todas as plantas.”

Nos textos de Haṭha Yoga, a Lua é frequentemente situada simbolicamente na região superior do corpo e relacionada com a produção de amṛta, o néctar da imortalidade. Algumas práticas procuram impedir que esse néctar seja consumido pelo fogo solar associado ao abdómen.

Notas académicas

Candra é originalmente um adjetivo com o sentido de “brilhante” ou “agradável”, que passou também a funcionar como substantivo e nome da Lua.

A identificação entre Candra e Soma não deve ser projetada de maneira uniforme sobre toda a literatura védica. Soma possui inicialmente uma identidade ritual complexa, ligada simultaneamente à planta, à bebida, ao sacrifício e à divindade. A sua identificação com a Lua tornou-se mais explícita na literatura posterior.

No Haṭha Yoga, “Lua” pode designar diferentes estruturas ou princípios subtis. Pode estar relacionada com:

  • iḍā-nāḍī;
  • o lado esquerdo do corpo;
  • o néctar denominado amṛta;
  • o centro situado acima do palato;
  • a mente;
  • uma energia refrescante.

Estas correspondências variam entre textos e linhagens. Não formam um sistema anatómico uniforme nem devem ser interpretadas automaticamente como descrições fisiológicas literais.

Em nomes de posturas como Candrāsana ou Ardhacandrāsana, o elemento candra significa “Lua”. Muitas destas denominações são relativamente modernas e não aparecem necessariamente nos primeiros textos de Haṭha Yoga.

Ver também: Iḍā · Piṅgalā · Manas

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga