Título original: Die Spannweite des Daseins
Subtítulo: Philosophie, Theologie, Psychotherapie und Religionswissenschaft im Gespräch
Autor: Karl Baier & Markus Riedenauer
Ano da primeira edição: 2011
Editora da primeira edição: V&R unipress, em colaboração com a Vienna University Press
Local da primeira edição: Göttingen, Alemanha.
Idioma original: Alemão
Existe edição em língua portuguesa? Não
Die Spannweite des Daseins é uma obra coletiva dedicada ao pensamento de Augustinus Karl Wucherer-Huldenfeld, filósofo, teólogo católico e investigador austríaco cuja obra se desenvolveu no encontro entre fenomenologia, ontologia, filosofia da religião, ética, psicoterapia e espiritualidade.
O título pode ser traduzido aproximadamente como “a amplitude da existência”. A expressão designa a abertura do ser humano ao mundo, aos outros, ao sentido e à realidade que ultrapassa a compreensão conceptual imediata. Na interpretação apresentada pelos editores, a existência humana não é uma entidade fechada, mas um movimento de abertura que envolve profundidade, liberdade, corporeidade e relação.
O volume reúne estudos sobre pensamento existencial, ontologia fundamental, teologia filosófica, ética, filosofia da linguagem, fenomenologia, psicoterapia, estética, investigação do ateísmo, espiritualidade e diversidade religiosa. Os autores analisam tanto a obra de Wucherer-Huldenfeld como os problemas filosóficos e religiosos com os quais o seu pensamento dialoga.
A dimensão corporal aparece simbolicamente através da respiração. Na introdução, os editores referem que Wucherer-Huldenfeld, que possuía uma longa experiência de Zen, entendia cada respiração atenta como uma experiência corporal da profundidade e da abertura da existência. A expiração é descrita como abandono numa profundidade sustentadora e a inspiração como abertura renovada à amplitude do mundo. Esta formulação pertence a uma interpretação fenomenológica e espiritual da respiração, não a uma descrição fisiológica nem a uma teoria de prāṇāyāma.
A obra é importante sobretudo como documento sobre o pensamento de Augustinus Karl Wucherer-Huldenfeld e sobre uma corrente da filosofia austríaca contemporânea ligada à fenomenologia, à filosofia cristã, à análise existencial e ao diálogo inter-religioso.
O volume mostra como uma reflexão filosófica sobre a existência pode estabelecer relações com a teologia, a psicoterapia e os Estudos da Religião sem reduzir completamente uma disciplina às categorias da outra. Esta abordagem interdisciplinar permite analisar o ser humano simultaneamente como existência corporal, sujeito de liberdade, participante de relações sociais e agente aberto à experiência religiosa.
A obra possui igualmente valor para o estudo académico da espiritualidade moderna na Europa. A experiência de Zen de Wucherer-Huldenfeld é integrada numa reflexão filosófica e cristã sobre respiração, abertura, desapego e transcendência. Este diálogo é representativo dos encontros entre tradições asiáticas e pensamento cristão europeu ocorridos ao longo do século XX.
A relação de Die Spannweite des Daseins com os Estudos do Yoga é reduzida e indireta. O livro não é dedicado à história do Yoga, não analisa textos yóguicos, não apresenta técnicas de prática e não contém um estudo substancial sobre tradições indianas do Yoga.
A atenção concedida à respiração, à corporeidade e à abertura da existência pode interessar a uma reflexão filosófica sobre práticas contemplativas. No entanto, não deve ser interpretada como uma análise de prāṇa, prāṇāyāma ou fisiologia subtil. A semelhança entre a atenção fenomenológica à respiração e determinadas práticas de Yoga não demonstra uma relação histórica ou doutrinal direta.
O capítulo de Karl Baier sobre Budismo e ressurreição cristã possui interesse para os estudos comparados da religião e para a compreensão dos diálogos entre Budismo e Cristianismo. Ainda assim, não é especificamente dedicado ao Yoga.
Para a biblioteca da Saṃsāra, a obra apenas seria justificável numa secção alargada sobre filosofia da existência, espiritualidade comparada, diálogo inter-religioso ou história da receção europeia das práticas contemplativas asiáticas. Não a consideraria uma obra fundamental, nem sequer prioritária, para uma bibliografia especializada em Yoga.
O volume foi preparado por ocasião do octogésimo aniversário de Augustinus Karl Wucherer-Huldenfeld. A maioria dos estudos teve origem num simpósio realizado em sua homenagem na Universidade de Viena, em 2009. A primeira edição foi publicada em 2011 e uma segunda edição modificada surgiu em 2014.
O conceito de Dasein possui uma história filosófica complexa. Na linguagem comum alemã pode significar existência, mas na fenomenologia e na filosofia de Martin Heidegger adquiriu um sentido técnico específico. A tradução por “existência” é útil, mas não reproduz todas as conotações filosóficas do termo.
O volume deve ser lido como uma obra de homenagem. Uma Festschrift reúne estudos oferecidos a um investigador por colegas, discípulos e colaboradores. Embora possa conter investigação original de grande qualidade, a sua finalidade comemorativa pode favorecer uma apresentação predominantemente positiva da figura homenageada. Não substitui uma análise crítica e independente de toda a obra de Wucherer-Huldenfeld.
A comparação entre Budismo e Cristianismo exige igualmente prudência. Conceitos como ressurreição, renascimento, nirvāṇa e despertar pertencem a sistemas religiosos diferentes e não devem ser apresentados como equivalentes diretos. A procura de “correspondências” pode revelar aproximações funcionais ou fenomenológicas, mas não elimina as diferenças doutrinais, históricas e soteriológicas.
A experiência contemplativa de Wucherer-Huldenfeld e o seu contacto com o Zen são relevantes para a compreensão do volume, mas não fazem dele um representante de uma tradição budista asiática. A sua interpretação desenvolve-se dentro de um contexto filosófico e teológico europeu, marcado pela fenomenologia e pelo Cristianismo católico.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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