Título original: Eastern Religions and Western Thought
Autor: Sarvepalli Radhakrishnan
Ano da primeira edição: 1939
Editora da primeira edição: The Clarendon Press
Local da primeira edição: Oxford, Reino Unido
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Eastern Religions and Western Thought procura investigar as relações históricas e filosóficas entre as tradições religiosas da Índia e o desenvolvimento do pensamento ocidental.
O livro começa por apresentar aquilo que Radhakrishnan entende como o ideal espiritual indiano e a natureza da experiência religiosa hindu. Segue-se uma discussão da relação entre misticismo e ética no pensamento hindu.
A parte central da obra examina possíveis contactos e paralelos entre a Índia e o mundo grego. Radhakrishnan discute Pitagorismo, Orfismo, Platão, pensamento helenístico, Plotino e Neoplatonismo, procurando mostrar que ideias religiosas e filosóficas não se desenvolveram em civilizações totalmente isoladas.
A importância de Eastern Religions and Western Thought reside sobretudo em representar uma das grandes tentativas do século XX de construir uma filosofia comparada entre Índia e Ocidente a partir de uma perspetiva indiana.
Radhakrishnan contesta a ideia de que a filosofia ocidental se tenha desenvolvido completamente isolada das tradições asiáticas e procura identificar possíveis contactos, paralelos e convergências entre pensamento indiano, filosofia grega e Cristianismo.
A obra é igualmente importante para compreender o seu universalismo religioso. Radhakrishnan considera que as religiões históricas apresentam formas culturais diferentes, mas podem apontar para uma experiência espiritual mais profunda e partilhada.
Esta leitura tornar-se-ia influente tanto no diálogo inter-religioso como na apresentação moderna do Hinduísmo e do Vedānta ao público internacional.
O interesse de Eastern Religions and Western Thought para os Estudos do Yoga é moderado a elevado, sobretudo para compreender a receção moderna e transnacional da filosofia indiana. A obra não é dedicada especificamente ao Yoga nem apresenta uma análise técnica de Patañjali, mas discute ascetismo, misticismo, Bhagavadgītā, Upaniṣads, Śaṅkara, consciência, libertação e experiência religiosa, temas profundamente relacionados com a forma como o Yoga foi apresentado no século XX. É particularmente relevante para estudar o processo através do qual Yoga e Vedānta passaram a ser enquadrados como expressões de uma “espiritualidade universal” capaz de dialogar com filosofia grega, Cristianismo e pensamento ocidental. Nesse sentido, a obra ajuda a compreender o pano de fundo intelectual que favoreceu a globalização do Yoga moderno e a sua apresentação como tradição filosófica e espiritual universal, e não apenas como prática especificamente indiana.
A edição de 1939 foi imediatamente objeto de recensões académicas. No mesmo ano, o Journal of the American Academy of Religion publicou uma recensão que identifica a edição norte-americana como Oxford University Press, New York, 1939, com xiii + 394 páginas.
Também a revista Philosophy publicou uma recensão em julho de 1939, identificando claramente Clarendon Press, Oxford, 1939, e a mesma paginação.
Há ainda uma pequena inconsistência em alguns catálogos que indicam que as conferências teriam ocorrido entre 1926 e 1928. Essa informação parece resultar de um erro de catalogação: os registos da primeira edição e outros catálogos reproduzem 1936–1938, data coerente com a posição académica de Radhakrishnan em Oxford.
Eastern Religions and Western Thought é uma obra historiograficamente importante, mas várias das hipóteses de Radhakrishnan sobre influência direta da Índia sobre a filosofia grega ou sobre determinados desenvolvimentos cristãos devem hoje ser tratadas com cautela. Paralelos conceptuais não constituem, por si só, prova de transmissão histórica, e a investigação contemporânea exige documentação mais específica para estabelecer contactos entre tradições. Além disso, Radhakrishnan tende a interpretar a diversidade religiosa indiana através de uma unidade espiritual de inspiração vedāntica. Ainda assim, a obra continua fundamental para compreender o desenvolvimento da filosofia comparada, do Neo-Vedānta e do diálogo intelectual entre Índia e Ocidente no século XX.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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