Título original: India: A Nation
Autor: Vasudeva S. Agrawala
Ano da primeira edição: 1983
Editora da primeira edição: Prithivi Prakashan
Local da primeira edição: Varanasi, Índia
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
India: A Nation procura compreender a Índia como uma realidade cultural e civilizacional que ultrapassa a simples unidade política ou geográfica. Agrawala parte da extraordinária diversidade do subcontinente — povos, línguas, religiões, costumes e regiões — para procurar aquilo que considera serem fatores históricos e culturais capazes de produzir uma consciência comum de pertença à Índia. A questão central é, portanto, saber em que sentido uma realidade tão diversa pode ser considerada uma nação. A argumentação de Agrawala está ligada a temas que atravessam toda a sua obra: tradição védica, literatura sânscrita, mitologia, símbolos, arte, geografia sagrada e memória cultural. Em vez de definir a Índia exclusivamente segundo os modelos políticos modernos de Estado-nação, procura encontrar raízes mais antigas para a sua unidade cultural.
A importância de India: A Nation está sobretudo na forma como representa uma corrente da Indologia indiana do século XX que procurou interpretar a Índia através das suas próprias fontes culturais. Agrawala não entende a unidade indiana apenas como consequência da administração colonial ou da independência política de 1947. Procura identificar uma consciência territorial e cultural da Índia em fontes muito anteriores, incluindo literatura védica, épica, purânica e clássica. Isto torna o livro particularmente interessante para compreender como alguns intelectuais indianos do século XX participaram na construção académica de uma ideia de “civilização indiana”. A obra deve, por isso, ser estudada simultaneamente como investigação sobre a cultura indiana e como documento intelectual do período pós-independência.
O interesse de India: A Nation para os Estudos do Yoga é sobretudo contextual. A obra não investiga especificamente Yoga, āsana, meditação ou tradições yóguicas, mas ajuda a compreender o quadro intelectual dentro do qual práticas como Yoga passaram a ser apresentadas no século XX como parte de uma herança civilizacional comum da Índia. Esta ideia de uma tradição cultural pan-indiana teve enorme importância na modernização e internacionalização do Yoga. Para os Estudos do Yoga, o livro é particularmente útil quando se pretende analisar criticamente como conceitos como “tradição indiana”, “civilização indiana” ou “herança nacional” foram construídos e mobilizados no século XX.
Vasudeva S. Agrawala morreu em 1966, mas India: A Nation só foi publicado em volume em 1983. Portanto, trata-se de uma publicação póstuma. O levantamento bibliográfico do IGNCA coloca claramente o livro entre as publicações de 1983, dezassete anos depois da morte do autor. Isso sugere que o volume reúne ou edita material produzido anteriormente por Agrawala, embora eu ainda não tenha encontrado documentação suficientemente sólida para afirmar exatamente quando cada parte foi escrita.
India: A Nation deve ser lido com algum cuidado metodológico, sobretudo porque conceitos como “nação”, “civilização”, “unidade cultural” e “identidade indiana” são historicamente complexos.
A tentativa de encontrar uma unidade profunda e muito antiga da Índia pode tender a projetar categorias modernas de nacionalidade sobre períodos em que essas categorias não existiam da mesma forma.
Além disso, a Índia histórica nunca constituiu uma realidade cultural homogénea. Tradições budistas, jainistas, hindus, islâmicas, cristãs e numerosas culturas regionais participaram de maneiras distintas na formação do subcontinente. Por isso, o maior valor académico da obra talvez não esteja em aceitar literalmente a tese de uma unidade nacional contínua desde a Antiguidade, mas em compreender como um importante indólogo indiano do século XX procurou construir intelectualmente essa continuidade.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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