Título original: Indian Philosophy, Vol. II
Autor: Sarvepalli Radhakrishnan
Ano da primeira edição: 1927
Editora da primeira edição: George Allen & Unwin Ltd.
Local da primeira edição: London, Reino Unido
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Indian Philosophy, Vol. II apresenta uma exposição sistemática das principais escolas da filosofia clássica indiana.
Radhakrishnan dedica capítulos extensos ao Sāṃkhya e ao Yoga, tratando depois Nyāya, Vaiśeṣika, Pūrva Mīmāṃsā e diferentes formas de Vedānta.
No caso do Sāṃkhya, discute a relação entre puruṣa e prakṛti, a teoria dos guṇas, a evolução da natureza, a estrutura da experiência e o problema da libertação.
Segue-se o capítulo dedicado ao Yoga de Patañjali, no qual Radhakrishnan analisa a definição de Yoga, citta e suas modificações, disciplina mental, samādhi, Īśvara, prática ascética e libertação.
A partir daí, o volume alarga-se às escolas lógicas e epistemológicas e termina com uma discussão extensa do Vedānta, incluindo Śaṅkara, Rāmānuja e outras interpretações da tradição.
Este segundo volume é particularmente importante porque apresenta o Yoga como uma das grandes escolas sistemáticas da filosofia indiana, em relação direta com o Sāṃkhya.
Radhakrishnan não trata o Yoga apenas como conjunto de técnicas. Apresenta-o como sistema filosófico completo, com psicologia, epistemologia, metafísica e teoria da libertação.
Essa abordagem teve grande influência no século XX, especialmente na forma como o Yoga passou a ser apresentado em contextos universitários e em histórias gerais da filosofia indiana.
O volume também permite observar como Radhakrishnan estabelece relações entre as diferentes escolas sem perder de vista aquilo que considera ser uma preocupação comum da filosofia indiana: a superação do sofrimento e a realização da liberdade espiritual.
O interesse de Indian Philosophy, Vol. II para os Estudos do Yoga é excecional. É um dos livros mais diretamente relevantes de Radhakrishnan porque contém uma exposição específica do Yoga de Patañjali e o coloca em diálogo com Sāṃkhya, Vedānta e os restantes darśanas. O volume permite estudar conceitos como puruṣa, prakṛti, citta, vṛtti, samādhi, Īśvara, disciplina, conhecimento e libertação dentro de uma história mais ampla da filosofia indiana. Ao mesmo tempo, é uma fonte essencial para investigar a receção moderna do Yoga clássico: a interpretação de Radhakrishnan contribuiu fortemente para a forma como Patañjali passou a ser apresentado, durante o século XX, como representante de um sistema filosófico coerente e central na tradição indiana. Para a história intelectual do Yoga moderno, é portanto simultaneamente uma obra sobre Yoga e uma fonte sobre como o Yoga foi reconstruído academicamente na modernidade.
Uma das razões pelas quais este volume é especialmente relevante para uma biblioteca de Yoga é a organização interna das páginas.
Em várias edições, o capítulo dedicado ao Sāṃkhya ocupa aproximadamente as páginas 248–335, enquanto “The Yoga System of Patañjali” aparece logo a seguir, aproximadamente nas páginas 336–373. Esta proximidade editorial reflete a ligação tradicional entre Sāṃkhya e Yoga na classificação dos sistemas filosóficos indianos.
Outra curiosidade é que a divisão entre os dois volumes não é simplesmente cronológica. O primeiro volume concentra-se sobretudo na formação histórica das ideias — Veda, Upaniṣads, Jainismo, Budismo e tradição épica — enquanto o segundo apresenta os sistemas filosóficos já mais formalizados. Assim, Indian Philosophy funciona quase como uma história em duas etapas: formação e sistematização.
Indian Philosophy, Vol. II é historicamente fundamental, mas deve ser lido criticamente. Radhakrishnan tende a procurar continuidade e unidade entre diferentes sistemas filosóficos e interpreta frequentemente a filosofia indiana a partir de uma sensibilidade idealista e neo-vedāntica. No caso do Yoga, a investigação filológica mais recente sobre o Pātañjalayogaśāstra mostrou uma história textual e intelectual muito mais complexa do que aquela disponível para Radhakrishnan em 1927, incluindo relações mais estreitas com tradições budistas e novas questões sobre a unidade entre sūtra e bhāṣya. Ainda assim, o volume permanece muito importante para compreender a história da interpretação moderna do Yoga clássico e a consolidação académica dos seis darśanas como estrutura de apresentação da filosofia indiana.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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