Título original: Is India Civilized?
Subtítulo: Essays on Indian Culture
Autor: Sir John George Woodroffe
Ano da primeira edição: 1918
Editora da primeira edição: Ganesh & Co.
Local da primeira edição: Madras, Índia
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Is India Civilized? é uma série de ensaios em defesa da cultura e civilização indianas perante as críticas formuladas por autores coloniais britânicos. Woodroffe argumenta contra a ideia de que a Índia seria culturalmente atrasada, irracional ou incapaz de responder às exigências da modernidade.
A obra contrapõe diferentes conceções de civilização e analisa religião, filosofia, educação, organização social, valores culturais e relações entre Índia e Ocidente. Woodroffe sustenta que a Índia possui uma tradição intelectual e espiritual própria que não deve ser avaliada exclusivamente através de critérios europeus. Kathleen Taylor identifica o livro como uma resposta direta a India and the Future, de William Archer, cuja crítica à cultura hindu provocara forte reação na Índia.
A importância da obra reside sobretudo no seu lugar nos debates coloniais sobre a identidade cultural indiana.
Woodroffe, sendo britânico e juiz do Tribunal Superior de Calcutá, assumiu uma posição invulgarmente favorável à defesa da cultura hindu. O livro rejeita determinadas interpretações orientalistas e colonialistas que apresentavam a Índia como civilizacionalmente inferior e associa a preservação da cultura indiana à resistência perante a ocidentalização.
Kathleen Taylor assinala que a obra tornou Woodroffe particularmente popular entre leitores indianos e que o aproximou, no plano intelectual, de outras figuras ocidentais favoráveis ao nacionalismo indiano, como Annie Besant e Sister Nivedita.
O interesse para os Estudos do Yoga é indireto, mas historicamente muito relevante.
O livro ajuda a compreender o ambiente intelectual no qual tradições como Yoga, Vedānta e Tantra passaram a ser apresentadas como expressões superiores da espiritualidade indiana durante o período colonial. Essa valorização fazia parte de um movimento mais amplo de defesa e reconstrução da identidade cultural indiana perante críticas ocidentais.
É especialmente útil para estudar o mesmo contexto que influenciou figuras como Swami Vivekananda, Annie Besant e outros agentes da reformulação moderna do Hinduísmo e do Yoga. Woodroffe participa desse processo ao defender uma Índia espiritualmente sofisticada e ao contestar categorias coloniais utilizadas para desvalorizar as suas tradições religiosas.
Woodroffe escreveu Is India Civilized? como resposta a India and the Future, de William Archer, autor britânico que havia apresentado uma visão extremamente negativa da civilização indiana. Segundo Kathleen Taylor, o livro de Archer provocou indignação considerável na Índia, e Woodroffe publicou a sua resposta no final de 1918.
A obra conheceu rapidamente novas edições: Taylor documenta versões de 1918, 1919 e 1922, sendo a terceira edição de 1922 publicada em Madras pela Ganesh & Co.
A obra deve ser entendida principalmente como ensaio cultural e intervenção intelectual no contexto colonial, e não como uma investigação académica neutra sobre a história da Índia.
Woodroffe procura deliberadamente defender a civilização hindu contra críticas ocidentais, e a sua argumentação é, por isso, explicitamente apologética. O livro possui grande valor para a história intelectual do colonialismo, do nacionalismo indiano e da receção ocidental da cultura hindu, mas algumas das suas generalizações sobre “Índia”, “Ocidente” e “civilização” refletem categorias próprias do início do século XX.
O seu valor académico atual reside especialmente em permitir estudar como discursos orientalistas foram contestados dentro do próprio contexto colonial e como alguns intelectuais europeus participaram na reformulação positiva da identidade cultural indiana.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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