Título original: La Bhakti
Subtítulo: Le Stavacintāmaṇi de Bhaṭṭanārāyaṇa
Autor: Bhaṭṭanārāyaṇa
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1964
Editora da primeira edição: Éditions E. de Boccard
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
La Bhakti analisa a devoção no contexto específico do Śaivismo não dual da Caxemira através da tradução e comentário do Stavacintāmaṇi, obra atribuída a Bhaṭṭanārāyaṇa.
O Stavacintāmaṇi é um hino de louvor a Śiva no qual a devoção não aparece simplesmente como submissão a uma divindade exterior. Silburn mostra que, no contexto não dual śaiva, a bhakti pode funcionar como experiência de reconhecimento e aproximação à realidade absoluta, em que a separação entre devoto e divindade tende progressivamente a desaparecer. A obra constitui o primeiro volume dos estudos de Silburn especificamente dedicados ao Śaivismo da Caxemira.
A autora acompanha a tradução com um estudo da natureza da devoção, da graça, do amor divino e da relação entre experiência mística e conhecimento.
A obra é particularmente importante porque permite compreender uma forma de bhakti bastante diferente da imagem mais conhecida da devoção associada sobretudo às tradições Vaiṣṇava de Kṛṣṇa ou Rāma.
No Śaivismo não dual da Caxemira, a devoção pode coexistir com uma filosofia segundo a qual a consciência individual e Śiva não são, em última análise, realidades absolutamente separadas. O amor pelo divino torna-se então também um meio de reconhecimento da verdadeira natureza da consciência.
O Stavacintāmaṇi constitui uma fonte especialmente importante para perceber como linguagem poética, experiência mística e filosofia não dual se combinam na tradição śaiva da Caxemira. Estudos contemporâneos sobre os hinos sânscritos da região continuam a citar a tradução de Silburn como uma referência fundamental.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é elevado porque permite compreender a relação entre devoção, conhecimento e experiência contemplativa no Śaivismo não dual da Caxemira. La Bhakti mostra que a prática yóguica nestas tradições não se limita a técnicas de meditação ou ao domínio do corpo e da respiração, podendo integrar também uma dimensão profundamente devocional na qual o amor por Śiva participa do processo de reconhecimento da própria natureza da consciência. A obra é particularmente útil para relativizar a separação moderna entre Bhakti Yoga, Jñāna Yoga e práticas tântricas, mostrando que, em determinados contextos históricos, devoção, conhecimento, graça e libertação estão intimamente articulados. O Stavacintāmaṇi oferece assim uma fonte privilegiada para estudar bhakti, Śiva, graça, não dualidade e experiência mística no contexto das tradições yóguicas e tântricas da Caxemira.
Silburn estava a trabalhar precisamente nesta obra em 1963. Um estudo académico posterior sobre a sua trajetória refere o seu diário desse ano e identifica explicitamente o livro que estava então a escrever como La Bhakti: le Stavacintāmaṇi de Bhaṭṭanārāyaṇa, publicado em 1964.
La Bhakti inaugurou também a série Études sur le Śivaïsme du Kaśmīr de Silburn. Seguiram-se trabalhos dedicados a outras correntes e textos da tradição, entre eles La Mahārthamañjarī, Hymnes aux Kālī, Śivasūtra et Vimarśinī e Spandakārikā.
A data de 1979 que aparece frequentemente em livrarias e alguns catálogos refere-se a uma reedição. Para a ficha, eu colocaria inequivocamente 1964 como primeira edição.
A importância do trabalho de Silburn reside não apenas em tornar o texto acessível em francês, mas também em situá-lo dentro da filosofia e da experiência religiosa do Śaivismo não dual da Caxemira. Uma recensão publicada pouco depois da primeira edição identifica igualmente a obra como tradução e comentário do Stavacintāmaṇi e como fascículo 19 das Publications de l’Institut de Civilisation Indienne.
Francês
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