Título original: La Kuṇḍalinī ou l’énergie des profondeurs
Subtítulo: Étude d’ensemble d’après les textes du Śivaïsme non dualiste du Kaśmir
Autor: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1983
Editora da primeira edição: Les Deux Océans
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
La Kuṇḍalinī ou l’énergie des profondeurs é um estudo sistemático da Kuṇḍalinī a partir de textos do Śaivismo não dual da Caxemira, sobretudo das tradições Kaula, Trika e Krama. Silburn reúne e comenta numerosas passagens textuais para explicar como estas escolas concebiam a energia espiritual, a sua ascensão, os centros subtis e o processo de transformação da consciência.
A autora apresenta a Kuṇḍalinī não como simples “energia adormecida” associada a uma anatomia fixa de cakras, mas como manifestação dinâmica da própria Śakti, inseparável da consciência. O processo de despertar é descrito em relação com práticas de Yoga, mantra, respiração, interiorização e reconhecimento da natureza última da consciência.
A importância da obra reside em corrigir leituras simplificadas da Kuṇḍalinī que se tornaram comuns no Yoga moderno.
Silburn trabalha diretamente com fontes śaivas e mostra que a Kuṇḍalinī possui significados diferentes conforme a escola, o texto e o contexto ritual ou contemplativo. Em vez de apresentar uma única “teoria dos sete cakra”, reconstrói um universo muito mais complexo de canais subtis, níveis de energia, mantra, consciência e libertação.
Por isso, a obra continua a ser uma referência importante para quem pretende estudar Kuṇḍalinī a partir das tradições tântricas históricas e não apenas através de interpretações modernas.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é muito elevado, sobretudo para compreender as tradições tântricas que desenvolveram conceções de Kuṇḍalinī, Śakti, cakra, nāḍī e práticas de transformação da consciência. Lilian Silburn permite situar estes conceitos no contexto específico do Śaivismo não dual da Caxemira e das tradições Trika, Krama e Kaula, evitando projetar sobre as fontes antigas as interpretações simplificadas que se tornaram comuns no Yoga moderno. A obra é particularmente importante para perceber que não existe uma única doutrina tradicional da Kuṇḍalinī ou um sistema universal de cakras, mas diferentes modelos associados a textos, escolas e práticas específicas. Constitui, assim, uma referência fundamental para o estudo histórico do Yoga tântrico e para compreender a relação entre corpo subtil, mantra, respiração, Śakti e libertação nas tradições śaivas da Caxemira.
A edição de 2020, novamente publicada pela Les Deux Océans, recebeu um prefácio de Colette Poggi e mantém o subtítulo completo da obra. A editora apresenta o livro como uma obra que marcou época desde a sua primeira publicação.
Outro aspeto particularmente interessante é que Silburn insiste na necessidade de orientação adequada na prática da Kuṇḍalinī, alertando para os perigos de uma manipulação imprudente dessa experiência. A própria obra sublinha a importância de um mestre competente e de uma tradição sólida
Silburn combina investigação filológica e tradução de fontes sânscritas com uma interpretação profundamente influenciada pelo estudo direto das tradições śaivas. Isso dá ao livro uma riqueza invulgar, mas também exige alguma prudência metodológica: nem todas as suas formulações devem ser tomadas como representando uniformemente “o Tantra” ou “o Yoga”.
O seu grande valor académico está na capacidade de reunir fontes dispersas e mostrar como diferentes tradições não dualistas da Caxemira conceptualizaram a experiência da Kuṇḍalinī.
Inglês
Francês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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