Título original: O Sorriso do Buda
Subtítulo: Uma Introdução ao Budismo
Autor: Paulo Borges
Ano da primeira edição: 2020
Editora da primeira edição: Farol
Local da primeira edição: Lisboa, Portugal
Idioma original: Português
O Sorriso do Buda pretende oferecer uma introdução aprofundada a algumas das questões centrais do Budismo, partindo da constatação de que muitos conceitos budistas são recebidos no Ocidente de forma parcial ou através de categorias que não correspondem necessariamente aos seus contextos originais. Paulo Borges procura, por isso, apresentar a diversidade interna da tradição budista e distinguir diferentes formas históricas e doutrinais de compreender o caminho do despertar.
A obra está organizada em sete grandes temas. Começa pelo significado simbólico do sorriso do Buda e pela relação entre despertar e vacuidade. Seguem-se reflexões sobre doença, sofrimento, morte e cura; ética no Hīnayāna e Mahāyāna; eco-espiritualidade e Budismo comprometido; contemplação da vacuidade e princípio feminino no Budismo tântrico tibetano; sexualidade e iluminação no Tantra tibetano; e, finalmente, morte, impermanência e o chamado Livro Tibetano dos Mortos.
O livro procura assim apresentar o Budismo simultaneamente como tradição filosófica, caminho ético e prática de transformação da consciência.
A importância da obra está sobretudo na tentativa de oferecer ao público português uma introdução que ultrapasse uma imagem simplificada do Budismo.
Paulo Borges insiste na existência de uma grande diversidade interna entre escolas e veículos budistas e procura evitar que conceitos como vacuidade, nirvāṇa, meditação ou não-eu sejam interpretados automaticamente segundo categorias ocidentais contemporâneas. O próprio autor afirma que uma das motivações do livro é contribuir para reduzir a distância existente em Portugal relativamente aos estudos do pensamento oriental e budista desenvolvidos noutros países europeus.
Outro aspeto importante é a amplitude temática. O livro não apresenta apenas doutrina clássica: inclui questões contemporâneas como ecologia e Budismo comprometido, bem como temas menos frequentemente tratados em introduções gerais, como sexualidade e práticas do Budismo tântrico tibetano.
O interesse de O Sorriso do Buda para os Estudos do Yoga é moderado a elevado numa perspetiva comparativa. A obra não é especificamente dedicada ao Yoga, mas aborda meditação, disciplina ética, sofrimento, vacuidade, transformação da consciência, morte e tradições tântricas, temas fundamentais para compreender o ambiente religioso mais amplo em que várias tradições yóguicas indianas também se desenvolveram. Os capítulos dedicados ao Budismo tântrico tibetano são particularmente pertinentes porque permitem comparar conceções budistas de corpo, sexualidade, meditação e realização com tradições tântricas śaivas e yóguicas. Para os Estudos do Yoga, é portanto uma obra complementar relevante sobretudo nas áreas de meditação, Tantra, filosofia comparada e história das práticas contemplativas asiáticas.
O título do livro corresponde também ao primeiro capítulo, “O Sorriso do Buda ou o esplendor da vacuidade”, mostrando que o sorriso funciona como imagem central da obra e não apenas como elemento editorial.
O livro retoma e desenvolve temas que Paulo Borges vinha trabalhando há vários anos. Na própria introdução, o autor remete para obras anteriores como O Budismo e a Natureza da Mente, O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa, Descobrir Buda, O Coração da Vida e Meditação, a Liberdade Silenciosa. O Sorriso do Buda pode, por isso, ser visto como uma síntese amadurecida de uma parte importante da sua reflexão sobre Budismo e meditação.
Outra particularidade é a presença de dois capítulos dedicados especificamente ao Budismo tântrico tibetano, um sobre a experiência do princípio feminino e outro sobre sexualidade e iluminação, o que distingue a obra de muitas introduções gerais ao Budismo.
O Sorriso do Buda situa-se entre introdução filosófica, estudo religioso e reflexão contemplativa. Paulo Borges utiliza referências provenientes de diferentes tradições budistas, mas a obra não pretende ser uma história crítica exaustiva do Budismo nem uma monografia filológica sobre textos específicos. A sua principal força está na contextualização filosófica das ideias budistas e na atenção à diversidade entre correntes. Para investigação académica mais especializada, deve ser complementada por estudos históricos e filológicos específicos sobre Budismo antigo, Mahāyāna e Vajrayāna. Ainda assim, constitui uma contribuição relevante em língua portuguesa para a apresentação contemporânea do pensamento budista.
Português — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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