Routledge Handbook of Yoga and Meditation

Routledge Handbook of Yoga and Meditation

Título original: Routledge Handbook of Yoga and Meditation

Autor: Suzanne Newcombe & Karen O’Brien-Kop

Ano da primeira edição: 2020

Editora da primeira edição: Routledge

Local da primeira edição: Abingdon, Reino Unido

Idioma original: Inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

Routledge Handbook of Yoga and Meditation Studies é uma obra coletiva e interdisciplinar que apresenta o desenvolvimento dos Estudos do Yoga e da Meditação enquanto áreas de investigação académica. Em vez de definir Yoga e meditação como práticas universais, homogéneas ou intemporais, o livro analisa a diversidade histórica, religiosa, filosófica, geográfica e social dos fenómenos aos quais esses termos têm sido aplicados.

Os diferentes capítulos examinam práticas, textos e tradições associados ao hinduísmo, budismo, jainismo, sikhismo, islamismo e cristianismo, bem como os processos modernos de secularização, medicalização, globalização e comercialização. A obra procura aproximar dois campos de investigação que frequentemente se desenvolveram de forma separada: os Estudos do Yoga e os Estudos da Meditação.

O volume combina história das religiões, filologia, filosofia, antropologia, sociologia, estudos culturais e investigação científica. Esta diversidade metodológica permite analisar o Yoga e a meditação não apenas como sistemas doutrinais ou técnicas espirituais, mas também como práticas corporais, formas de disciplina, experiências subjetivas, produtos culturais, intervenções terapêuticas e fenómenos transnacionais.

A obra encontra-se organizada em cinco grandes partes: introdução aos Estudos do Yoga e da Meditação; história do Yoga e da meditação no sul da Ásia; perspetivas doutrinais, técnicas e práticas; transmissões globais e regionais; e enquadramentos disciplinares. O volume possui 34 capítulos escritos por especialistas internacionais.

Porque é importante

O livro é uma das primeiras grandes obras de referência a reunir sistematicamente os Estudos do Yoga e os Estudos da Meditação num único enquadramento interdisciplinar. As editoras mostram que, apesar da proximidade aparente entre os dois campos, Yoga e meditação nem sempre designam as mesmas práticas, não partilham necessariamente os mesmos objetivos e não devem ser tratados como categorias intercambiáveis.

A obra também é importante por reconhecer os Estudos do Yoga e da Meditação como um campo académico em consolidação. Durante muito tempo, estes assuntos estiveram dispersos por disciplinas como a indologia, os estudos budistas, a história das religiões, a antropologia e a medicina. O manual torna visíveis os diálogos entre essas áreas e oferece um ponto de partida para estudantes, professores e investigadores.

A dimensão histórica e comparativa permite ultrapassar duas simplificações frequentes: a ideia de que o Yoga é uma tradição única e imutável e a noção de que a meditação possui uma essência universal independente das tradições que a desenvolveram. O livro demonstra que ambos os termos abrangem práticas profundamente diferentes, com finalidades que podem incluir libertação espiritual, disciplina ética, contemplação, aquisição de poderes, devoção, saúde, transformação corporal ou integração social.

Uma recensão académica publicada no Journal of Contemplative Studies considera o volume uma obra de referência útil tanto para investigadores iniciantes como avançados, destacando os seus 34 capítulos e a capacidade de apresentar a diversidade histórica e conceptual da meditação.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse para os Estudos do Yoga é central. Ao contrário de obras dedicadas exclusivamente à prática ou à filosofia de uma determinada escola, este manual oferece uma visão geral das principais abordagens académicas contemporâneas ao Yoga. Abrange as tradições antigas e medievais do sul da Ásia, o Haṭha Yoga, os desenvolvimentos modernos, a circulação transnacional e os processos contemporâneos de institucionalização e comercialização.

O livro ajuda a distinguir os usos históricos da palavra sânscrita yoga das modalidades modernas que utilizam essa designação. Nos textos pré-modernos, yoga pode referir-se a métodos de concentração, ascese, controlo da respiração, manipulação do corpo subtil, devoção, conhecimento libertador ou integração ritual. A identificação automática do Yoga com uma sequência de posturas físicas resulta sobretudo de desenvolvimentos modernos e contemporâneos.

A articulação entre Yoga e meditação é igualmente relevante. Em determinadas tradições, a meditação constitui uma parte essencial de um sistema de Yoga; noutras, existem práticas meditativas que não são classificadas como Yoga. O volume mostra que a associação moderna e generalizada entre os dois termos não deve ser projetada retroativamente sobre todos os contextos históricos.

Entre os assuntos particularmente importantes encontram-se o Yoga no budismo e no jainismo, o Yoga tântrico, o desenvolvimento do Haṭha Yoga, as relações entre ascetismo e prática contemplativa, a construção do Yoga moderno, a figura do académico-praticante, a circulação global das práticas e a investigação médica sobre os seus efeitos.

O livro é também útil para compreender como o Yoga é investigado academicamente. A filologia permite analisar manuscritos e vocabulário técnico; a história procura reconstruir transformações ao longo do tempo; a antropologia estuda comunidades e práticas vividas; a sociologia examina instituições, mercados e relações de poder; e as ciências da saúde avaliam resultados fisiológicos ou psicológicos. Cada abordagem possui capacidades e limitações próprias.

Curiosidade bibliográfica

O título completo termina com a palavra Studies. Esta indicação é importante porque distingue a obra de um eventual manual de prática. Routledge Handbook of Yoga and Meditation Studies significa um manual dos campos académicos dedicados ao estudo do Yoga e da meditação, e não um manual destinado a ensinar diretamente técnicas de Yoga ou meditação.

O livro procura ainda dar visibilidade a fontes que ultrapassam os textos sânscritos mais conhecidos. São consideradas obras compostas em línguas como tâmil, telugu e malaiala, assim como poemas, canções, cartas, ensinamentos orais e formas de devoção popular. Esta abertura documental contribui para contrariar uma história do Yoga excessivamente centrada em textos sânscritos produzidos por elites masculinas.

Outra particularidade é a participação de investigadores que trabalham simultaneamente sobre diferentes períodos e tradições. O volume procura colocar em diálogo a investigação filológica sobre fontes antigas e medievais com estudos antropológicos e sociológicos sobre comunidades contemporâneas.

Nota académica

Por se tratar de um manual coletivo, os capítulos apresentam perspetivas, métodos e graus de especialização diferentes. A inclusão de um texto no volume não significa que todas as suas conclusões sejam consensuais entre os investigadores. Cada capítulo deve ser avaliado de acordo com as fontes, métodos e argumentos utilizados pelo respetivo autor.

A obra também não pretende estabelecer uma definição definitiva de Yoga ou meditação. Pelo contrário, uma das suas contribuições é demonstrar que essas categorias são historicamente instáveis. Em determinados contextos, foram utilizadas pelos próprios praticantes; noutros, foram aplicadas posteriormente por tradutores, reformadores, instituições religiosas ou investigadores.

O termo “meditação” exige especial prudência. Pode traduzir conceitos tão diferentes como dhyāna, bhāvanā, smṛti, samādhi, contemplação, visualização, repetição de mantras ou cultivo devocional. Traduzir todas estas práticas pela mesma palavra pode facilitar a comparação, mas também pode ocultar diferenças doutrinais e técnicas fundamentais.

Do mesmo modo, a utilização de estudos científicos sobre os efeitos do Yoga e da meditação deve considerar a qualidade metodológica das investigações, a dimensão das amostras, os grupos de controlo, as modalidades praticadas e a definição dos resultados avaliados. A existência de resultados positivos num contexto específico não permite generalizar automaticamente os efeitos para todas as formas de Yoga ou meditação.

O manual deve ser entendido como uma síntese do estado da investigação no momento da sua preparação, aproximadamente entre 2018 e 2020. Permanece uma obra de referência importante, mas não substitui a consulta de estudos posteriores, novas edições críticas, descobertas de manuscritos ou debates académicos surgidos depois da publicação.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Inglês — idioma original

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga