Título original: The Heritage of Indian Art
Autor: Vasudeva S. Agrawala
Ano da primeira edição: 1964
Editora da primeira edição: Publications Division, Ministry of Information and Broadcasting, Government of India
Local da primeira edição: Delhi, Índia
Idioma original: inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
The Heritage of Indian Art apresenta uma visão panorâmica do desenvolvimento da arte no subcontinente indiano. A obra começa com a civilização do Vale do Indo e acompanha diferentes períodos e regiões, incluindo a arte Maurya, Śuṅga, Kuṣāṇa, Gandhāra, Gupta, Cālukya, Pallava, Hoysala, Pāla e Odisha.
Agrawala dedica atenção à arquitetura religiosa, às esculturas dos monumentos budistas, aos templos de Khajuraho, às grutas e salas de culto, aos bronzes do sul da Índia e às tradições pictóricas do Rajastão, das regiões dos Himalaias e da corte Mughal. A arte indo-islâmica é igualmente incluída, evitando restringir o património indiano às tradições hindus.
O autor não apresenta as obras apenas como objetos decorativos. Procura relacionar formas artísticas, símbolos e imagens com a literatura, a religião e as conceções filosóficas indianas. A escultura e a arquitetura são interpretadas como meios de tornar visíveis ideias sobre divindade, ordem cósmica e libertação.
O livro oferece uma introdução acessível à diversidade histórica da arte indiana e mostra como diferentes religiões, dinastias e regiões contribuíram para a sua formação. A abundância de imagens tornou-o particularmente útil para leitores sem acesso direto aos monumentos e coleções arqueológicas.
A obra também possui interesse historiográfico. Publicada após a independência da Índia por uma instituição governamental, participa na construção de uma narrativa nacional sobre o património cultural indiano. Agrawala procurou valorizar a arte do subcontinente através das suas próprias fontes literárias e religiosas, embora a ideia de uma herança cultural contínua deva ser analisada criticamente.
A relação com os Estudos do Yoga é indireta. O livro não apresenta uma história das práticas yóguicas, mas ajuda a compreender o ambiente visual e religioso em que se desenvolveram. Imagens de ascetas, divindades, figuras em meditação e gestos rituais podem contribuir para o estudo das representações do corpo disciplinado e contemplativo.
A iconografia também permite observar como ideias de concentração, poder ascético e libertação foram expressas visualmente em contextos hindus, budistas e jainistas. Contudo, uma imagem que parece representar uma postura de Yoga não comprova, por si só, a existência de uma técnica específica.
Para a Saṃsāra, a obra é sobretudo uma fonte contextual sobre arte, religião e cultura indianas. Deve complementar, e não substituir, estudos especializados sobre iconografia e história do Yoga.
O livro acompanha mais de dois milénios de produção artística em apenas 186 páginas. O seu caráter sintético explica a seleção de monumentos considerados representativos, mas impede um tratamento aprofundado de todas as regiões e tradições.
A inclusão da arte indo-islâmica e da pintura Mughal mostra que “arte indiana” é utilizada num sentido histórico e geográfico mais amplo do que “arte hindu”.
A obra foi publicada em 1964 e algumas cronologias e interpretações foram revistas pela arqueologia e pela história da arte posteriores. As leituras religiosas das imagens da civilização do Indo exigem particular prudência, porque a sua escrita continua sem decifração consensual.
O livro tende a apresentar a arte indiana como expressão de uma herança civilizacional relativamente contínua. Esta perspetiva foi importante na historiografia indiana do século XX, mas pode atenuar conflitos, ruturas, diferenças regionais e transformações históricas. A obra conserva valor introdutório e historiográfico, devendo ser acompanhada por investigação mais recente.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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