Título original: The Subtle Body
Subtítulo: The Subtle Body
Autor: Stefanie Syman
Ano da primeira edição: 2010
Editora da primeira edição: Farrar, Straus and Giroux
Local da primeira edição: New York, Estados Unidos
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
The Subtle Body reconstrói aproximadamente século e meio da história do Yoga nos Estados Unidos, começando pela receção da filosofia indiana pelos transcendentalistas americanos e seguindo depois a chegada de mestres, professores, movimentos religiosos e formas de cultura corporal associadas ao Yoga.
A narrativa começa com Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau, passa pela chegada de Swami Vivekananda aos Estados Unidos, e acompanha posteriormente figuras como Pierre Bernard, Theos Bernard, Margaret Woodrow Wilson, Indra Devi, Christopher Isherwood, George Harrison, Pattabhi Jois e Bikram Choudhury.
A obra mostra como, nas primeiras décadas, o Yoga era frequentemente percebido nos Estados Unidos como algo exótico, perigoso ou suspeito, ligado ao ocultismo, sexualidade, fraude ou religiões orientais.
Ao longo do século XX, essa imagem transforma-se progressivamente. O Yoga passa a ser associado a espiritualidade alternativa, contracultura, psicologia, saúde, exercício físico e, finalmente, a uma enorme indústria de bem-estar.
A importância de The Subtle Body está em mostrar que o Yoga americano não surgiu subitamente com a explosão dos estúdios e aulas de āsana no final do século XX.
Syman reconstrói uma história muito mais longa, marcada por traduções culturais sucessivas.
Vivekananda, por exemplo, apresentou nos Estados Unidos um Yoga essencialmente filosófico, meditativo, vedāntico e espiritual, pouco interessado em āsana. A associação contemporânea quase imediata entre “Yoga” e exercício postural é portanto relativamente tardia.
A autora mostra também como diferentes públicos americanos reinterpretaram o Yoga de acordo com as preocupações de cada época: transcendentalismo, ocultismo, reforma religiosa, sexualidade, celebridades, contracultura, psicologia, fitness e consumo.
O interesse de The Subtle Body para os Estudos do Yoga é excecional, sobretudo para história do Yoga moderno, circulação transnacional e receção do Yoga nos Estados Unidos. A obra permite acompanhar a passagem de um Yoga inicialmente apresentado como filosofia, meditação e espiritualidade indiana para formas progressivamente associadas ao corpo, cultura física, celebridades, contracultura e indústria do bem-estar. É particularmente útil para compreender que aquilo que hoje é frequentemente chamado simplesmente “Yoga” resulta de sucessivas adaptações históricas e culturais, e não de uma transmissão linear e intacta de uma tradição antiga. Para uma biblioteca dedicada à história do Yoga moderno, colocaria este livro entre as obras fundamentais sobre o desenvolvimento do Yoga nos Estados Unidos, ao lado de Yoga Body, de Mark Singleton, e Selling Yoga, de Andrea Jain.
O título The Subtle Body funciona em dois níveis.
Por um lado, remete para o conceito indiano de corpo subtil, associado em diferentes tradições a nāḍīs, cakras, prāṇa e estruturas não identificadas com o corpo anatómico comum.
Por outro, Syman utiliza-o como metáfora para a própria história do Yoga americano: uma presença que durante muito tempo existiu de forma relativamente discreta dentro da cultura norte-americana antes de se tornar extremamente visível.
A edição inclui ainda 25 pranchas de imagens a preto e branco, entre elas representações de cakras provenientes de Arthur Avalon, material relacionado com Theos Bernard, o Vedanta Temple de Hollywood e fotografias da cultura do Yoga do século XX.
The Subtle Body é uma obra de história cultural escrita por uma jornalista e não uma monografia filológica sobre fontes sânscritas. A sua principal força está na reconstrução narrativa da receção do Yoga nos Estados Unidos e na utilização de arquivos, imprensa, biografias e documentação histórica. Foi bem recebida pela amplitude e legibilidade, embora alguns críticos tenham considerado que determinados episódios recebem um tratamento mais anedótico e que a obra não apresenta uma tese histórica tão sistemática como trabalhos académicos especializados. Deve, por isso, ser lida em diálogo com estudos como Yoga Body, de Mark Singleton, Selling Yoga, de Andrea Jain, e trabalhos de Sarah Strauss e Elizabeth De Michelis. Ainda assim, continua a ser uma referência muito útil para a história do Yoga nos Estados Unidos.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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