Título original: Vātūlanātha Sūtra
Subtítulo: Avec le commentaire d’Anantaśaktipāda
Autor: Vātūlanātha
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1959
Editora da primeira edição: Éditions E. de Boccard
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Franês
Existe edição em língua portuguesa? Não
O Vātūlanāthasūtra é um pequeno texto aforístico associado à tradição Krama do Śaivismo da Caxemira. Os sūtra apresentam ensinamentos de caráter contemplativo e não dual, centrados na realização imediata da consciência e na superação das distinções que estruturam a experiência ordinária.
O comentário de Anantaśaktipāda desenvolve esses aforismos e preserva uma tradição segundo a qual os ensinamentos teriam origem nas Yoginīs. A investigação moderna considera difícil estabelecer uma data segura quer para os sūtras quer para o comentador, mas reconhece a pertença do texto ao universo Krama.
A obra apresenta uma via de realização em que a consciência é reconhecida diretamente na própria experiência, sem depender necessariamente de uma progressão ritual ou conceptual extensa.
A importância do Vātūlanāthasūtra reside em conservar uma forma particularmente condensada e radical da espiritualidade Krama.
O texto mostra uma tradição em que a libertação pode ser descrita como reconhecimento direto da realidade não dual, ultrapassando oposições como puro e impuro, interior e exterior ou sujeito e objeto.
É igualmente relevante por preservar elementos relacionados com as Yoginī e com formas de transmissão que não correspondem necessariamente aos modelos mais sistemáticos do Trika posterior. Por isso, oferece uma janela importante para a diversidade interna do Śaivismo da Caxemira.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é muito elevado porque apresenta uma forma de realização yóguica centrada no reconhecimento imediato da consciência e na dissolução das oposições que estruturam a experiência dual. O Vātūlanāthasūtra permite compreender uma vertente do Yoga tântrico em que a prática não é reduzida a postura, controlo respiratório ou concentração progressiva, mas pode assumir a forma de uma transformação radical da percepção e do modo de conhecer. A ligação à tradição Krama e às Yoginī torna o texto particularmente importante para estudar formas de transmissão tântrica, não dualidade, consciência, espontaneidade e libertação, oferecendo um testemunho raro da diversidade das práticas yóguicas no Śaivismo da Caxemira.
Antes da tradução francesa de Silburn, o Vātūlanāthasūtra já tinha sido publicado em 1923 na Kashmir Series of Texts and Studies, com a vṛtti de Anantaśaktipāda. A tradução de Silburn de 1959 tornou o texto acessível ao público francófono e integrou-o no conjunto de estudos modernos sobre o Śaivismo da Caxemira.
Outro aspeto particularmente interessante é a associação dos ensinamentos às Yoginī. O comentário apresenta-os como uma transmissão oral ligada a estas figuras femininas do universo tântrico, característica especialmente significativa no contexto da tradição Krama.
A segunda edição corrigida de Silburn apareceu em Paris em 1995, já depois da sua morte, mantendo a obra como referência na coleção do Institut de Civilisation Indienne.
A obra situa-se principalmente nos Estudos do Tantra, Śaivismo da Caxemira, tradição Krama e Estudos do Yoga.
A data do texto original não é conhecida com segurança. Mark Dyczkowski observa que não é possível determinar de forma definitiva nem a data dos sūtras nem a de Anantaśaktipāda, embora a pertença ao Krama seja bem sustentada.
Francês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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