Cakra – चक्र – chakra, chacra
Tradução literal: Roda; círculo; disco, vortex
Definição – Nas tradições do Tantra e do Haṭha Yoga, os cakras são descritos como centros subtis associados ao corpo energético. Estes centros desempenham funções simbólicas, meditativas, rituais e cosmológicas em diversos sistemas de prática. Na literatura contemporânea de Yoga é comum encontrar referências a sete cakras principais distribuídos ao longo da coluna vertebral. Contudo, esta representação corresponde apenas a uma das várias interpretações existentes na tradição textual indiana.
Referências textuais – Embora o termo cakra seja muito antigo e apareça já nos Vedas com diversos significados, os sistemas de centros subtis desenvolvem-se sobretudo em textos tântricos medievais. Uma das descrições mais influentes encontra-se no Ṣaṭcakranirūpaṇa (século XVI), texto dedicado à descrição dos seis principais cakras. Entre os versos mais conhecidos encontra-se a descrição do Mūlādhāra Cakra:
मूलाधारे चतुर्दलं
mūlādhāre caturdalaṃ
“No Mūlādhāra encontra-se um lótus de quatro pétalas.”
Notas Académicas – A investigação histórica demonstra que não existe um sistema único e universal de cakras. Diferentes textos apresentam números distintos de centros subtis, localizações variadas e associações simbólicas diferentes. Alguns sistemas descrevem cinco cakras, outros seis, sete, nove, doze ou mais. O modelo dos sete cakras amplamente difundido no Ocidente resulta em grande parte de processos de interpretação, tradução e adaptação ocorridos entre os séculos XIX e XX. Por esta razão, muitos investigadores recomendam distinguir cuidadosamente entre os sistemas descritos nos textos tradicionais e as representações modernas popularizadas por movimentos espiritualistas contemporâneos.
Ver Também – Kuṇḍalinī (कुण्डलिनी) · Nāḍī (नाडी) · Śakti (शक्ति) · Tantra (तन्त्र) · Haṭha Yoga (हठयोग)
Citta – चित्त – chitta, citta
Tradução literal: Mente; consciência mental; campo mental.
Definição – Citta é um dos conceitos centrais dos Yoga Sūtra de Patañjali e designa o conjunto dos processos mentais através dos quais o ser humano percebe, interpreta e experiencia o mundo. Embora seja frequentemente traduzido por “mente”, o termo possui um significado mais amplo do que o conceito moderno de mente. Inclui perceções, pensamentos, memórias, emoções, imaginação e outros fenómenos psicológicos. Na filosofia do Yoga, Citta constitui o instrumento através do qual ocorre a experiência da realidade, mas não deve ser confundido com a consciência pura (Puruṣa). Grande parte da prática do Yoga Clássico procura compreender, estabilizar e transformar os movimentos de Citta.
Referências textuais – O conceito ocupa uma posição central logo na definição mais famosa dos Yoga Sūtra (I.2):
योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः
yogaś citta-vṛtti-nirodhaḥ
“O Yoga é a cessação das flutuações da mente.”
Esta passagem é geralmente considerada uma das definições fundamentais do Yoga Clássico.
Notas Académicas – Na tradição do Yoga, Citta é frequentemente descrito como composto por diferentes funções mentais, incluindo:
- Manas (मनस्) — mente sensorial e processadora.
- Ahaṃkāra (अहंकार) — sentido de individualidade ou ego.
- Buddhi (बुद्धि) — intelecto ou capacidade de discernimento.
Segundo o sistema Sāṃkhya-Yoga, Citta pertence ao domínio da natureza (Prakṛti) e distingue-se da consciência pura (Puruṣa). A investigação académica observa que traduções como “mente”, “psique” ou “consciência” captam apenas parcialmente o significado do termo. Por essa razão, muitos autores optam por utilizar a palavra sânscrita original.
Ver Também – Citta-vṛtti (चित्तवृत्ति) · Yoga Sūtra (योगसूत्र) · Puruṣa (पुरुष) · Prakṛti (प्रकृति) · Buddhi (बुद्धि) · Manas (मनस्)
Citta-vṛtti – चित्तवृत्ति – chitta vritti, chittavritti – citta-vrtti
Tradução literal: Modificação da mente; flutuação mental; atividade do campo mental.
Definição – Citta-vṛtti designa os movimentos, modificações ou atividades que ocorrem em Citta (चित्त), o campo mental. Segundo os Yoga Sūtra, a mente encontra-se constantemente em atividade, produzindo perceções, pensamentos, memórias, imaginações, emoções e interpretações. Estas atividades são designadas por vṛttis. No Yoga Clássico, o objetivo não consiste em destruir a mente, mas em compreender e estabilizar estas flutuações, permitindo que a consciência perceba a sua verdadeira natureza. A expressão tornou-se particularmente conhecida através da definição clássica do Yoga apresentada por Patañjali.
Referências textuais – A referência mais famosa encontra-se em Yoga Sūtra I.2:
योगश्चित्तवृत्तिनिरोधः
yogaś citta-vṛtti-nirodhaḥ
“O Yoga é a cessação das flutuações da mente.”
Logo no verso seguinte, Patañjali descreve o resultado desta estabilização:
तदा द्रष्टुः स्वरूपेऽवस्थानम्
tadā draṣṭuḥ svarūpe’vasthānam
“Então, o observador permanece na sua própria natureza.”
Notas Académicas – Patañjali classifica os vṛttis em cinco categorias principais (Yoga Sūtra I.5–11):
- Pramāṇa (प्रमाण) — conhecimento válido.
- Viparyaya (विपर्यय) — conhecimento erróneo.
- Vikalpa (विकल्प) — imaginação ou construção conceptual.
- Nidrā (निद्रा) — sono.
- Smṛti (स्मृति) — memória.
É importante notar que nem todos os vṛttis são considerados negativos. Alguns podem contribuir para o conhecimento correto e para a prática espiritual. A investigação académica observa que a expressão citta-vṛtti-nirodha tem sido interpretada de formas diversas ao longo da história, variando entre leituras que enfatizam a concentração mental, a meditação profunda ou a transformação da experiência consciente.
Ver Também – Citta (चित्त) · Vṛtti (वृत्ति) · Yoga Sūtra (योगसूत्र) · Samādhi (समाधि) · Puruṣa (पुरुष) · Smṛti (स्मृति)
