Glossário — L

Lakṣmī – लक्ष्मी – Lakshmi, Laksmi, Laxmi, Lacximi 

Tradução literal: Fortuna; prosperidade; boa sorte; abundância.

Definição – Lakṣmī é uma das divindades mais veneradas do Hinduísmo e a deusa associada à prosperidade, abundância, fertilidade, beleza, fortuna e bem-estar. Nas tradições vaiṣṇavas, é considerada a consorte de Viṣṇu (विष्णु), acompanhando-o nas suas diferentes manifestações (avatāras). Embora frequentemente associada à riqueza material, os textos tradicionais apresentam Lakṣmī como símbolo de prosperidade em sentido amplo, incluindo virtudes, harmonia, generosidade e realização espiritual. A sua devoção encontra-se amplamente difundida em toda a Índia e em diversas comunidades hindus pelo mundo.

Referências textuais – Lakṣmī é mencionada em numerosos textos, incluindo os Purāṇas e a literatura devocional. Uma das representações mais conhecidas da sua origem encontra-se no episódio da Agitação do Oceano de Leite(Samudra Manthana), onde a deusa emerge das águas como manifestação da prosperidade cósmica. Um verso tradicional frequentemente utilizado em sua invocação é:

नमस्तेस्तु महामाये श्रीपीठे सुरपूजिते

namastestu mahāmāye śrīpīṭhe surapūjite

“Saudações a ti, Grande Poder, venerada pelos deuses e entronizada na prosperidade.”

Notas académicas – A figura de Lakṣmī evoluiu ao longo de muitos séculos. As suas origens podem ser rastreadas até à literatura védica, onde conceitos relacionados com prosperidade e abundância aparecem associados à deusa Śrī (श्री). Com o tempo, Śrī e Lakṣmī tornaram-se progressivamente identificadas. Na iconografia clássica, Lakṣmī é frequentemente representada:

  • Sentada ou de pé sobre uma flor de lótus.
  • Com quatro braços.
  • Segurando flores de lótus.
  • Derramando moedas ou símbolos de abundância.
  • Acompanhada por elefantes.

A investigação académica observa que Lakṣmī desempenha um papel importante não apenas na religião, mas também na vida social e cultural do Sul da Ásia, simbolizando prosperidade, ordem e auspiciosidade.

Ver também – Viṣṇu (विष्णु) · Śrī (श्री) · Bhagavān (भगवान्) · Avatāra (अवतार) · Devī (देवी) · Kṛṣṇa (कृष्ण)


Līlā – लीला – lila

Tradução literal: Jogo; brincadeira; jogo divino.

Definição – Līlā é um conceito presente em diversas tradições do Hinduísmo que descreve a criação e a atividade divina como uma manifestação espontânea, livre e criativa. O termo significa literalmente “jogo” ou “brincadeira” e é frequentemente utilizado para expressar a ideia de que o universo não surge por necessidade ou obrigação, mas como expressão da plenitude e liberdade do divino. Nas tradições devocionais (Bhakti), Līlā refere-se muitas vezes aos feitos, histórias e ações de divindades como Kṛṣṇa, Rāma ou Viṣṇu, que são contemplados como manifestações do jogo divino.

Referências textuais – O conceito encontra-se amplamente desenvolvido na literatura purânica e devocional, especialmente nas tradições vaiṣṇavas. Uma expressão frequentemente utilizada é:

कृष्णलीला

kṛṣṇa-līlā

“O jogo divino de Kṛṣṇa.”

Nas tradições devocionais, as narrativas da vida de Kṛṣṇa são frequentemente interpretadas como expressões da sua Līlā.

Notas académicas – O conceito de Līlā adquiriu diferentes significados ao longo da história do pensamento indiano. Nas tradições de Bhakti, enfatiza a relação afetiva entre os devotos e a divindade através da contemplação das suas ações. Em algumas correntes de Vedānta, a criação do universo é descrita como uma Līlā de Brahman ou de Īśvara, não motivada por qualquer necessidade externa. A investigação académica observa que o conceito desempenhou um papel importante no desenvolvimento das teologias hinduístas, oferecendo uma explicação para a criação do mundo que não depende de objetivos utilitários ou de imperfeições no divino. É importante notar que a interpretação de Līlā varia entre escolas filosóficas e tradições religiosas, não existindo uma definição única aceite por todo o Hinduísmo.

Ver também – Kṛṣṇa (कृष्ण) · Rāma (राम) · Viṣṇu (विष्णु) · Bhagavān (भगवान्) · Bhakti (भक्ति) · Vedānta (वेदान्त)


Liṅga – लिङ्ग – linga, lingam

Tradução literal: Marca; sinal; símbolo.

Definição – Liṅga é um dos símbolos mais importantes das tradições associadas a Śiva. Embora frequentemente descrito no Ocidente como um símbolo fálico, esta interpretação é considerada insuficiente pela maioria dos especialistas. Nos textos e tradições hindus, o liṅga é entendido sobretudo como um símbolo da presença divina, da realidade transcendente e da manifestação de Śiva. O liṅga encontra-se habitualmente instalado em templos e espaços de culto, frequentemente acompanhado pela base denominada yoni (योनि), simbolizando diferentes aspetos da criação e da realidade cósmica.

Referências textuais – O termo liṅga já aparece na literatura sânscrita antiga com o significado geral de “sinal” ou “marca”. Uma das narrativas mais influentes encontra-se no Liṅga Purāṇa, onde o liṅga surge como uma coluna infinita de luz que transcende a compreensão de Brahmā e Viṣṇu. Uma passagem frequentemente citada afirma:

अनादिनिधनं लिङ्गम्

anādi-nidhanaṃ liṅgam

“O Liṅga não possui princípio nem fim.”

Esta imagem tornou-se central na teologia śaiva.

Notas académicas – Os estudos contemporâneos demonstraram que a interpretação exclusivamente sexual do liṅga resulta frequentemente de leituras coloniais dos séculos XVIII e XIX. Embora existam dimensões ligadas à fertilidade e à criação em alguns contextos, os textos śaivas atribuem-lhe sobretudo significados cosmológicos, metafísicos e teológicos. O liṅga permanece atualmente um dos símbolos religiosos mais difundidos e venerados do Hinduísmo.

Ver também – Śiva (शिव) · Devī (देवी) · Śakti (शक्ति) · Śaivismo (शैव) · Liṅga Purāṇa (लिङ्गपुराण)


Saṃsāra – Centro de Estudos do Yoga