Brahmayāmala — ब्रह्मयामल — Brahma Yāmala, Brahmayāmalatantra, Brahmayāmala Tantra, Picumata
Tradução literal: “Par de Brahmā” ou “união de Brahmā”; título de uma escritura tântrica.
Definição
O Brahmayāmala, também denominado Brahmayāmalatantra e Picumata, é um antigo escrituramanuscrito do Tantra śaiva pertencente à corrente do Vidyāpīṭha, o “ensinamento das deusas de poder”.
Apesar da referência a Brahmā no título, o texto não é principalmente dedicado ao deus Brahmā. O seu universo ritual é śaiva e está centrado em Bhairava, nas deusas e em formas femininas de poder, incluindo aquelas designadas como Yoginīs.
A obra descreve, entre outros elementos:
- iniciações tântricas;
- mantras;
- mandalas;
- visualizações;
- observâncias ascéticas;
- culto de Bhairava e das deusas;
- práticas relacionadas com campos de cremação;
- ritos destinados à obtenção de poderes extraordinários;
- incorporação ritual das divindades no corpo do praticante.
O texto é uma fonte fundamental para o estudo das primeiras tradições do Tantra śaiva e do desenvolvimento dos cultos das Yoginīs.
Referências textuais
O próprio texto identifica-se como Picumata e apresenta os seus ensinamentos sob a forma de revelação tântrica. É preservado sobretudo através de manuscritos nepaleses, um dos quais foi copiado no século XI.
O Brahmayāmala pertence ao conjunto de escrituras relacionado com os Bhairavatantras. A obra testemunha uma fase antiga do Vidyāpīṭha, na qual Bhairava aparece associado a grupos de deusas, mães divinas, Yoginīs e entidades femininas detentoras de poderes rituais.
Os capítulos preservados descrevem sistemas de iniciação e de prática que combinam:
- culto exterior;
- instalação de mantras no corpo;
- meditação;
- visualização de divindades;
- oferendas;
- práticas ascéticas;
- rituais destinados à realização espiritual e à obtenção de siddhis.
A obra também contém testemunhos importantes sobre praticantes femininas e funções rituais atribuídas às mulheres em determinados ambientes tântricos.
Notas académicas
A data de composição do Brahmayāmala não pode ser estabelecida com absoluta precisão. A investigação de Alexis Sanderson e Shaman Hatley situa as suas camadas mais antigas aproximadamente entre os séculos VII e VIII. Esta datação é uma reconstrução histórico-filológica e não a data do manuscrito preservado.
É essencial distinguir:
- a composição do texto;
- a formação das suas diferentes camadas;
- a data dos manuscritos atualmente conhecidos.
Um manuscrito do século XI demonstra que a obra já existia nessa época, mas não prova que tenha sido composta nesse século.
O elemento yāmala significa literalmente “par” ou “união”. Na literatura tântrica, tornou-se também uma designação utilizada em títulos de escrituras. Não implica necessariamente que todas as obras intituladas Yāmala pertençam à mesma época, escola ou sistema ritual.
A associação do texto a ambientes kāpālikas deve ser formulada com prudência. O Brahmayāmala apresenta práticas, símbolos e observâncias semelhantes aos atribuídos aos Kāpālikas, mas as categorias sectárias medievais nem sempre correspondem a instituições claramente delimitadas.
A obra não deve ser confundida com textos modernos ou compilações impressas que circulam sob títulos semelhantes. A identificação académica do antigo Brahmayāmala baseia-se principalmente na tradição manuscrita do Picumata.
Ver também: Alexis Sanderson · Shaman Hatley · Bhairava · Tantra · Śaivismo · Siddhi · Mantra