Título original: Ṛgveda-Saṃhitā: The Sacred Hymns of the Brāhmans
Subtítulo: Ṛgveda-Saṃhitā: The Sacred Hymns of the Brāhmans
Autor: Sāyaṇa, também referido honorificamente como Sāyaṇācārya, erudito indiano do século XIV.
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/max-muller/">Max Müller</a> editou o texto sânscrito e o comentário sânscrito de Sāyaṇa, mas não forneceu uma tradução inglesa integral do Ṛgveda nestes seis volumes.
Ano da primeira edição: 1849
Editora da primeira edição: W. H. Allen & Co
Local da primeira edição: Londres, Reino Unido
Idioma original: Sânscrito/Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
A Ṛgveda-Saṃhitā é a mais antiga das quatro coleções védicas e uma das fontes fundamentais para o estudo da religião, língua e cultura indo-arianas antigas. Reúne 1 028 hinos, tradicionalmente organizados em dez maṇḍalas, dirigidos a divindades como Agni, Indra, Soma, Uṣas, Varuṇa, os Aśvins e outras figuras do universo religioso védico.
Os hinos foram preservados durante séculos através de sistemas altamente especializados de transmissão oral. A datação da sua composição permanece debatida, mas a maior parte da investigação situa as camadas principais do texto no segundo milénio a.C., frequentemente entre cerca de 1500 e 1200 a.C. Estas datas são aproximadas e não correspondem à produção de um único livro num momento determinado. A coleção contém diferentes camadas linguísticas e foi transmitida e organizada ao longo do tempo.
A edição preparada por Max Müller apresenta o texto sânscrito da Saṃhitā juntamente com o comentário de Sāyaṇa, erudito associado à corte de Vijayanagara no século XIV. O comentário procura explicar o vocabulário, a gramática, as divindades, os contextos rituais e o significado dos versos.
A obra de Müller não é, portanto, uma tradução inglesa corrente do Ṛgveda. Trata-se de uma extensa edição filológica em devanāgarī, destinada principalmente a leitores capazes de trabalhar com sânscrito. Esta distinção é essencial porque diferentes catálogos e reimpressões comerciais descrevem incorretamente Müller como “tradutor” da totalidade desta edição.
Esta publicação constituiu a primeira edição impressa completa do Ṛgveda acompanhada pelo comentário de Sāyaṇa e tornou-se um marco na história da filologia védica europeia. Antes dela, os investigadores dependiam de manuscritos dispersos, cópias incompletas e edições ou traduções parciais.
A edição facilitou o estudo comparado das línguas indo-europeias, da religião védica e da história do sânscrito. Também permitiu que investigadores europeus trabalhassem de forma mais sistemática sobre um texto que até então circulava sobretudo através das tradições manuscrita e oral da Índia.
A publicação contribuiu para estabelecer a reputação académica de Max Müller e para consolidar os estudos védicos como área central da indologia europeia. A sua influência estendeu-se à linguística comparada, história das religiões, mitologia comparada e investigação sobre as origens das tradições indianas.
A edição também é importante por preservar o comentário de Sāyaṇa ao lado do texto védico. Embora as interpretações de Sāyaṇa não sejam necessariamente idênticas aos significados atribuíveis ao período de composição dos hinos, representam uma tradição indiana de exegese que teve uma influência profunda na receção medieval e moderna dos Vedas.
A relação entre o Ṛgveda e o Yoga deve ser apresentada com prudência. A Ṛgveda-Saṃhitā não descreve o sistema de oito membros do Pātañjalayogaśāstra, não apresenta sequências de āsana e não ensina as técnicas de Haṭha Yoga desenvolvidas muitos séculos depois.
O vocabulário védico contém termos que posteriormente adquiriram importância em tradições yóguicas, como tapas, associado ao calor, esforço e poder ascético; dhī, relacionado com visão ou pensamento inspirado; manas, mente; prāṇa, sopro vital; e yoga, cuja aceção mais antiga está geralmente relacionada com jungir, unir, equipar ou colocar em ação. A presença destas palavras não demonstra que o Yoga clássico ou o Haṭha Yoga já existissem na época do Ṛgveda.
A obra é relevante sobretudo para compreender o contexto religioso e linguístico a partir do qual se desenvolveram as tradições bramânicas posteriores. Os hinos apresentam conceções sobre ritual, palavra sagrada, sacrifício, ordem cósmica, inspiração poética e relação entre seres humanos e divindades que continuaram a ser reinterpretadas na literatura védica posterior.
Para os Estudos do Yoga, o Ṛgveda deve ser entendido como uma fonte contextual e não como um manual yóguico. A inclusão desta edição na biblioteca da Saṃsāra é plenamente justificável numa secção dedicada às fontes védicas e à história intelectual da Índia, desde que não seja apresentada como “o primeiro livro de Yoga”.
A grafia Rig-Veda-Sanhita reproduz as convenções de transliteração utilizadas por Max Müller no século XIX. Na transliteração académica contemporânea, a forma normalizada é Ṛgveda-Saṃhitā. A palavra saṃhitā significa, neste contexto, coleção ou compilação.
A expressão inglesa “The Sacred Hymns of the Brahmans” também deve ser entendida historicamente. “Brahmans” refere-se aqui aos brâmanes enquanto especialistas religiosos e transmissores do corpus védico. Não significa que o volume contenha os textos em prosa denominados Brāhmaṇas, que constituem outra camada da literatura védica.
A publicação integral demorou cerca de vinte e cinco anos. Este longo intervalo explica por que razão algumas bibliotecas possuem apenas parte dos seis volumes e por que certos registos digitais descrevem conjuntos incompletos como se fossem a obra completa.
A edição de Müller também não deve ser confundida com Rig-Veda-Sanhitá: A Collection of Ancient Hindu Hymns, tradução inglesa iniciada por H. H. Wilson, nem com Vedic Hymns, os volumes de traduções selecionadas publicados na coleção Sacred Books of the East.
A edição de Max Müller possui enorme importância histórica, mas não constitui atualmente a única nem necessariamente a melhor base para todos os trabalhos filológicos sobre o Ṛgveda. O editor trabalhou com os manuscritos e recursos disponíveis no século XIX, antes do desenvolvimento de métodos mais recentes de crítica textual e do acesso a coleções manuscritas adicionais.
O comentário de Sāyaṇa foi composto aproximadamente dois milénios depois das camadas mais antigas do Ṛgveda. É indispensável para compreender a tradição exegética indiana, mas não pode ser utilizado automaticamente como testemunho direto do significado original de todos os hinos. Em certos casos, a filologia moderna propõe interpretações diferentes.
Ao mesmo tempo, não se deve apresentar Müller como alguém que “descobriu” o Ṛgveda. O texto tinha sido preservado na Índia durante séculos por comunidades bramânicas através de tradições orais e manuscritas. O contributo de Müller consistiu na preparação de uma edição impressa europeia, sustentada pelo trabalho anterior de eruditos indianos e europeus e pelos manuscritos conservados na tradição indiana.
A obra deve ainda ser situada no contexto do orientalismo e do colonialismo britânico. O patrocínio da Companhia das Índias Orientais não torna a edição academicamente inválida, mas obriga a reconhecer as relações de poder que determinaram a recolha, circulação e publicação dos manuscritos.
A designação do Ṛgveda como “livro” também é apenas parcialmente adequada. A coleção resultou de uma tradição oral estratificada, composta por diferentes famílias de poetas e preservada através de métodos rigorosos de recitação. A sua forma textual não corresponde ao modelo moderno de uma obra escrita por um único autor.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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