Indian Philosophy, Vol. I

Indian Philosophy, Vol. I

Título original: Indian Philosophy, Vol. I

Autor: Sarvepalli Radhakrishnan

Ano da primeira edição: 1923

Editora da primeira edição: George Allen & Unwin Ltd.

Local da primeira edição: London, Reino Unido

Idioma original: Inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

Indian Philosophy, Vol. I procura reconstruir a evolução do pensamento filosófico indiano desde o período védico até algumas das grandes tradições religiosas e filosóficas anteriores ao desenvolvimento sistemático dos darśanas clássicos.

O volume começa com uma introdução geral à natureza da filosofia indiana. Segue-se uma primeira parte dedicada ao período védico, com capítulos sobre os hinos do Ṛgveda, a transição para as Upaniṣads e a filosofia upaniṣádica.

A segunda grande parte trata do chamado período épico. Radhakrishnan aborda materialismo, Jainismo, Budismo antigo, filosofia épica, teísmo da Bhagavadgītā, Budismo enquanto religião e diferentes escolas budistas.

A intenção não é apenas apresentar cronologicamente diferentes escolas. Radhakrishnan procura mostrar aquilo que considera serem continuidades profundas do pensamento indiano, sobretudo a preocupação com realidade última, natureza do eu, sofrimento, karma, conhecimento e libertação.

Porque é importante

A obra é importante porque foi uma das primeiras grandes sínteses em língua inglesa destinadas a apresentar a filosofia indiana como tradição intelectual complexa e filosoficamente legítima, e não simplesmente como religião ou misticismo.

Radhakrishnan escreve num contexto em que a filosofia indiana ainda era frequentemente apresentada em meios europeus através de categorias orientalistas bastante limitadas. Indian Philosophy procura contrariar essa visão e colocar os textos indianos em diálogo com problemas universais da filosofia.

O primeiro volume é particularmente importante porque cobre justamente os antecedentes intelectuais que mais tarde influenciam o desenvolvimento de Sāṃkhya, Yoga, Vedānta e outras tradições clássicas.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse de Indian Philosophy, Vol. I para os Estudos do Yoga é elevado sobretudo porque oferece o contexto filosófico e religioso anterior à sistematização do Yoga clássico. O volume trabalha Ṛgveda, Upaniṣads, Jainismo, Budismo, Mahābhārata e Bhagavadgītā, ou seja, tradições e textos fundamentais para compreender o aparecimento de conceitos como karma, renascimento, ascetismo, controlo dos sentidos, disciplina mental, conhecimento libertador e mokṣa. Embora a exposição sistemática de Patañjali apareça sobretudo no volume II, este primeiro volume é essencial para perceber o terreno histórico e intelectual a partir do qual o Yoga se desenvolveu. É também importante para estudar a receção moderna do Yoga, pois Radhakrishnan contribuiu decisivamente para uma leitura universalista e vedāntica da filosofia indiana que influenciaria o modo como Yoga e espiritualidade indiana seriam apresentados internacionalmente ao longo do século XX.

Curiosidade bibliográfica

Indian Philosophy foi concebida em dois volumes. O primeiro apareceu em 1923 e o segundo em 1927.

A estrutura do primeiro volume é particularmente reveladora: termina antes da exposição sistemática de escolas como Sāṃkhya e Yoga, que surgem de forma mais desenvolvida no segundo volume. O volume I funciona, portanto, como preparação histórica para o Vol. II.

Outra curiosidade é que o capítulo dedicado à filosofia dos Upaniṣads adquiriu circulação relativamente autónoma. Alguns catálogos assinalam expressamente que uma publicação posterior sobre “The Philosophy of the Upanishads” corresponde à tradução ou reelaboração do quarto capítulo do primeiro volume.

Nota académica

Indian Philosophy, Vol. I continua a ser uma obra historicamente importante, mas deve ser lida com consciência do seu enquadramento neo-vedāntico. Radhakrishnan tende a enfatizar a unidade e continuidade da filosofia indiana e frequentemente interpreta tradições antigas através de uma orientação idealista e vedāntica. A investigação posterior passou a destacar com maior força diferenças históricas, conflitos doutrinais e contextos sociais específicos entre Veda, Upaniṣads, Budismo, Jainismo e outras tradições. Isso não diminui o valor historiográfico da obra, mas significa que ela deve ser lida em diálogo com estudos mais recentes.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Inglês — idioma original

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga