Título original: Simple Meditative Postures
Autor: Shri Yogendra
Ano da primeira edição: 1935
Editora da primeira edição: The Yoga Institute
Local da primeira edição: Santa Cruz, Bombay, Índia
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Simple Meditative Postures apresenta as principais posturas sentadas utilizadas para meditação e procura torná-las acessíveis ao praticante comum. O livro descreve e ilustra diferentes āsanas meditativos através de fotografias, mas Yogendra insiste que a postura corporal não constitui o objetivo final da prática. Uma recensão contemporânea de 1936 observava precisamente que o livro começa pelas posturas, mas dirige progressivamente o leitor para a dimensão mental e ética do Yoga. A obra relaciona estabilidade corporal, controlo da respiração, interiorização da atenção e preparação para práticas meditativas. As posturas são apresentadas como instrumentos destinados a reduzir a instabilidade física e permitir que a mente se volte para processos internos.
Esta ênfase corresponde ao próprio ensino de Yogendra. A história institucional do Yoga Institute refere que o seu mestre, Paramahaṃsa Mādhavadasji, o orientava a dirigir a mente para o funcionamento interno do corpo enquanto permanecia em Siddhāsana ou em outras posturas meditativas como Padmāsana.
Simple Meditative Postures é importante porque mostra que o projeto de Yogendra não se limitava à transformação dos āsanas em exercício físico ou higiene corporal. Apesar da sua forte participação na modernização do Yoga postural, Yogendra continuava a considerar determinadas posturas sobretudo como suportes para concentração, interiorização e meditação.
A obra constitui, portanto, um contraponto importante a Yoga Asanas Simplified. Enquanto este último enfatiza mais claramente a adaptação de āsanas à educação física e à saúde, Simple Meditative Postures concentra-se na função contemplativa da postura. O livro também mostra como Yogendra procurava apresentar as práticas meditativas de forma acessível ao praticante doméstico, sem exigir a vida ascética tradicional.
O interesse de Simple Meditative Postures para os Estudos do Yoga é muito elevado, sobretudo para compreender a relação entre āsana e meditação no Yoga moderno. A obra mostra que a crescente valorização das posturas durante o século XX não eliminou necessariamente a sua função contemplativa: para Yogendra, algumas posições eram utilizadas especificamente para criar estabilidade corporal, favorecer a interiorização e preparar a mente para concentração e meditação. É também uma fonte importante para estudar a adaptação das posturas meditativas ao householder yoga e para perceber como princípios de Patañjali, disciplina ética e prática corporal eram combinados num programa moderno de Yoga.
Uma curiosidade muito interessante é a recensão contemporânea publicada em The Occult Review, em janeiro de 1936. O crítico descreve o livro como uma “elementary introduction to Yoga” e salienta que as posturas são explicadas e ilustradas com fotografias. Mais importante ainda, chama atenção para a insistência de Yogendra de que a moralidade constitui a base do desenvolvimento espiritual e observa que o livro apresenta resumidamente as regras positivas e negativas de Patañjali antes de avançar para a prática.
Isto é especialmente valioso porque não estamos perante uma apreciação retrospetiva: trata-se de uma reação publicada praticamente no momento em que o livro apareceu. Há também uma pequena questão de cronologia. Muitas listas biográficas reproduzem 1934 para Simple Meditative Postures, mas a bibliografia académica especializada utilizada por Kraler indica 1935 e a recensão surge no início de 1936. Até aparecer uma folha de rosto comprovadamente datada de 1934, eu usaria 1935 como primeira edição.
Simple Meditative Postures deve ser tratado como uma fonte primária do Yoga moderno e da pedagogia de Shri Yogendra. A obra não é um estudo histórico das posturas meditativas nem uma edição de textos sânscritos clássicos; é uma reformulação pedagógica destinada ao praticante do século XX. É também importante evitar interpretar “posturas meditativas” como simples sinónimo de āsanas sentados modernos. Yogendra enquadra essas posturas dentro de uma sequência mais ampla que envolve yama, niyama, estabilidade física, atenção e disciplina mental. A recensão de 1936 confirma precisamente essa integração entre ética, postura e dimensão mental do Yoga.
Por outro lado, a forma como Yogendra justifica determinados efeitos físicos ou mentais deve ser lida no contexto da linguagem científica e psicofisiológica da época. O valor histórico da obra está menos em validar hoje cada alegação fisiológica e mais em mostrar como as posturas meditativas tradicionais foram reinterpretadas para um público moderno, doméstico e internacional.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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