Título original: The Hindu Temple — Volume I
Autor: Stella Kramrisch
Ano da primeira edição: 1946
Editora da primeira edição: University of Calcutta
Local da primeira edição: Calcutta, Índia
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
No primeiro volume de The Hindu Temple, Stella Kramrisch procura compreender o templo hindu não simplesmente como edifício, mas como manifestação material de uma determinada conceção do cosmos. A construção do templo é apresentada como um processo ritual através do qual uma área do espaço é delimitada, ordenada e transformada num lugar sagrado. Grande parte da análise centra-se no vāstupuruṣamaṇḍala, a grelha geométrica que organiza simbolicamente o terreno e estabelece as relações entre espaço, divindades, orientação e estrutura arquitetónica.
Kramrisch examina igualmente o significado do local escolhido para o templo, os rituais relacionados com a fundação, a orientação espacial, a divisão do terreno, o centro e as proporções do edifício. A planta do templo é relacionada com conceções cosmológicas do universo, com o corpo do Puruṣa e com a presença da divindade.
The Hindu Temple foi uma das primeiras grandes tentativas académicas de compreender a arquitetura hindu a partir das próprias fontes textuais e conceitos religiosos da Índia, em vez de a tratar apenas como uma sucessão de estilos arquitetónicos. Kramrisch utiliza um conjunto vastíssimo de fontes sânscritas relacionadas com vāstu, śilpa, Purāṇas e Āgamas, procurando reconstruir os princípios intelectuais e rituais que fundamentavam a construção do templo.
A sua interpretação considera arquitetura, cosmologia, ritual e metafísica como dimensões inseparáveis. O templo torna-se assim uma representação condensada do cosmos e simultaneamente um espaço onde a relação entre o humano, o divino e a ordem universal pode ser ritualmente estabelecida.
O interesse de The Hindu Temple para os Estudos do Yoga é indireto, mas muito relevante. Não é uma obra sobre práticas de Yoga, āsana ou Patañjali; o seu valor encontra-se sobretudo na compreensão do universo religioso e cosmológico em que muitas tradições yóguicas se desenvolveram. Conceitos como maṇḍala, Puruṣa, corpo cósmico, centro, eixo vertical, espaço sagrado, microcosmo e macrocosmo são fundamentais tanto para a arquitetura religiosa como para várias tradições tântricas e yóguicas. A obra é particularmente útil para estudar tradições de Śaivismo e Tantra, nas quais templo, corpo, maṇḍala, ritual e práticas internas podem partilhar estruturas simbólicas semelhantes.
Uma curiosidade importante é que a obra continua frequentemente a ser publicada como conjunto de dois volumes.
A Motilal Banarsidass publicou uma conhecida reedição em 1976. O Google Books identifica essa edição do Volume I como quarta edição/reimpressão, com 466 páginas e fotografias de Raymond Burnier. Isto pode provocar alguma confusão porque encontramos frequentemente “1976” associado ao livro em catálogos modernos. A primeira edição, porém, é inequivocamente: 1946 — University of Calcutta.
The Hindu Temple permanece uma obra clássica, mas deve ser lida no contexto da história da historiografia da arte e dos estudos religiosos do século XX.
Kramrisch tende frequentemente a apresentar o templo hindu como expressão de uma estrutura cosmológica e metafísica relativamente unificada. A investigação posterior mostrou maior diversidade histórica, regional, ritual e textual do que algumas das grandes sínteses da autora sugerem.
Isso não diminui a importância da obra. Pelo contrário, The Hindu Temple tornou-se um ponto de referência precisamente porque colocou questões fundamentais sobre a relação entre arquitetura, ritual, cosmologia e corpo.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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