Título original: The Science of Religion
Autor: Swami Yogananda - posteriormente conhecido como <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/paramahansa-yogananda/">Paramahansa Yogananda</a>
Ano da primeira edição: 1920
Editora da primeira edição: Kuntaline Press
Local da primeira edição: Calcutá, Índia britânica
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Sim (Brasil)
The Science of Religion apresenta a conceção de Paramahansa Yogananda segundo a qual a religião, na sua essência, não consiste em dogmas, rituais ou pertença institucional, mas na experiência direta da realidade espiritual. O livro nasceu da conferência com o mesmo título que Yogananda proferiu em Boston, a 6 de outubro de 1920, perante o Congresso Internacional das Religiões Liberais, pouco depois da sua chegada aos Estados Unidos. A versão publicada em livro desenvolve e amplia os argumentos dessa intervenção.
Yogananda parte da ideia de que todas as ações humanas são motivadas, em última análise, pela tentativa de evitar o sofrimento e alcançar uma felicidade permanente. Distingue o prazer, necessariamente transitório e condicionado, daquilo que designa por “Extase” — Bliss — entendida como estado permanente da consciência e identificada com Deus. Nesta perspetiva, a religião seria o conjunto de métodos que permite eliminar definitivamente o sofrimento e realizar essa Bem-aventurança.
The Science of Religion é uma das primeiras obras de Yogananda e constitui uma formulação inicial dos princípios que marcariam todo o seu ensino posterior: universalismo religioso, autorrealização, meditação, controlo da força vital e apresentação do Yoga como uma “ciência” prática da consciência.
A obra é também historicamente importante por estar ligada à primeira intervenção pública de Yogananda nos Estados Unidos. Nela encontramos já a estratégia discursiva que utilizaria ao longo das décadas seguintes: apresentar conceitos provenientes do Yoga e da filosofia indiana através de uma linguagem considerada compatível com a ciência, a psicologia moderna e o cristianismo.
O livro permite compreender como Yogananda procurou deslocar a religião do domínio exclusivo da crença para o da experiência pessoal. Para o autor, as diferentes religiões seriam manifestações exteriores de uma mesma procura universal, enquanto a meditação proporcionaria um método verificável individualmente para conhecer a realidade espiritual.
Esta formulação teve considerável importância na receção moderna do Yoga no Ocidente, sobretudo na difusão da ideia de que o Yoga seria uma ciência universal, não sectária e aplicável independentemente da tradição religiosa do praticante.
A obra é particularmente relevante para o estudo do Yoga moderno porque documenta uma fase inicial da adaptação dos ensinamentos yóguicos a um público ocidental.
Yogananda apresenta o Yoga principalmente como método de interiorização da consciência e de realização espiritual. O seu interesse não se encontra no desenvolvimento de posturas corporais, mas no domínio da atenção, da meditação e da força vital. O corpo surge como um instrumento da consciência, mas também como uma condição que deve ser transcendida para que o praticante reconheça a sua natureza espiritual.
O chamado “método orgânico científico” antecipa a apresentação pública que Yogananda faria do Kriyā Yoga. Esse método procura controlar diretamente a energia vital e retirar a consciência dos sentidos, embora as técnicas específicas não sejam integralmente explicadas no livro.
A história editorial da obra apresenta algumas dificuldades. A edição de 1925 identifica-se como a quarta edição e informa que:
A mesma edição esclarece que as versões norte-americanas foram revistas e ampliadas. Isto significa que o texto de 1925 não corresponde exatamente à forma da primeira edição indiana de 1920.
Na edição de 1925, Yogananda agradece a colaboração de Swami Dhirananda, Swami Satyananda e Tulsinarayan Bose. Algumas catalogações bibliográficas apresentam mesmo Swami Dhirananda como colaborador ou autor secundário. Contudo, a obra é geralmente publicada e identificada como sendo de Yogananda.
O nome apresentado nas primeiras edições é “Swami Yogananda”. O título “Paramahansa” foi-lhe atribuído por Śrī Yukteśvar em 1935, pelo que não aparece na edição original.
Apesar do título, The Science of Religion não é uma obra de Ciência das Religiões no sentido académico contemporâneo. Não apresenta uma investigação histórica, sociológica, antropológica ou comparativa baseada numa metodologia crítica. É um tratado espiritual e apologético que defende a existência de uma experiência religiosa universal.
Da mesma forma, a palavra “ciência” não é utilizada segundo os critérios atuais das ciências empíricas. Yogananda entende por ciência um método sistemático que poderia ser testado através da experiência pessoal do praticante. A validação proposta é, portanto, introspectiva e espiritual, não experimental no sentido moderno, controlado e intersubjetivamente verificável.
A identificação da força vital, da meditação e da intuição com processos científicos deve ser compreendida no contexto do início do século XX, quando vários representantes do Yoga moderno — entre eles Swami Vivekananda, Yogananda e, de maneira diferente, Swami Kuvalayananda — procuravam apresentar as tradições indianas através da linguagem da ciência, da psicologia e da racionalidade moderna.
Também deve ser tratada criticamente a afirmação de que todas as religiões partilham uma única essência. Trata-se de uma posição universalista característica do pensamento de Yogananda, e não de uma conclusão consensual nos Estudos das Religiões. Esta perspetiva tende a privilegiar semelhanças místicas ou experienciais, podendo reduzir diferenças históricas, doutrinais, rituais e sociais entre tradições religiosas.
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