Tipo de obra: Série documental
Título original: Yogic Paths
Realização: Tatyanna Wright
Ano: 2017
País de produção: Estados Unidos
Duração: 243 min
Língua original: Inglês
Legendas disponíveis: Inglês, espanhol, francês e alemão
Filmada em diferentes regiões da Índia, Yogic Paths apresenta uma introdução às tradições, filosofias e práticas reunidas historicamente sob a designação de Yoga. Ao longo de nove episódios, a série aborda as origens e os conceitos fundamentais do Yoga, o desenvolvimento do Haṭha Yoga, os caminhos da devoção e do conhecimento, o Tantra, o Rāja Yoga, as tradições de Kuṇḍalinī e Kriyā Yoga, as práticas relacionadas com o som, a mitologia e as capacidades extraordinárias conhecidas como siddhi.
A narrativa é construída principalmente através de entrevistas com professores, religiosos, praticantes e investigadores, filmadas em āśramas, instituições e paisagens indianas. Entre os participantes encontram-se Geeta Iyengar, Prashant S. Iyengar, James Mallinson, Christopher Hareesh Wallis, Christopher Key Chapple, Sally Kempton, Krishna Das, Krishna Kaur Khalsa, Anand Mehrotra, Radhanath Swami e Sadhvi Bhagawati Saraswati.
Em vez de apresentar o Yoga apenas como prática física, a série procura mostrar a diversidade dos seus caminhos contemplativos, devocionais, filosóficos, rituais e corporais, relacionando-os com ideias de autoconhecimento, libertação e transformação da consciência.
Yogic Paths é particularmente útil para o público geral porque procura ultrapassar a associação quase exclusiva do Yoga às posturas físicas. A organização temática permite introduzir formas devocionais, filosóficas, contemplativas, rituais e corporais, mostrando que a palavra “Yoga” foi aplicada historicamente a práticas e sistemas muito diversos.
A série reúne participantes com formações e autoridades diferentes. James Mallinson, Christopher Key Chapple e Christopher Hareesh Wallis contribuem a partir da investigação histórica, filológica ou dos estudos religiosos, enquanto Geeta Iyengar, Prashant Iyengar, Krishna Das, Anand Mehrotra e os representantes de diferentes āśramas falam sobretudo a partir da experiência prática, religiosa ou institucional. Esta diversidade enriquece a série, mas significa também que as afirmações apresentadas não possuem todas o mesmo estatuto documental ou académico.
A estrutura por “caminhos” constitui uma forma acessível de organizar os conteúdos, embora possa transmitir a impressão de que Haṭha, Tantra, Bhakti, Rāja, Kriyā e Kuṇḍalinī Yoga correspondem a categorias históricas perfeitamente separadas. Na realidade, estas designações surgiram em períodos diferentes, mudaram de significado e frequentemente se sobrepõem. Algumas foram ainda profundamente reformuladas durante os séculos XIX e XX.
O episódio dedicado ao Haṭha Yoga simplifica ocasionalmente a relação entre a tradição medieval e o Yoga postural moderno. Krishnamacharya e Swami Sivananda foram figuras decisivas do século XX, mas não podem ser apresentados como fundadores do Haṭha Yoga histórico, cuja documentação textual é vários séculos anterior. São mais corretamente entendidos como importantes reformuladores e transmissores modernos de práticas corporais e espirituais.
O episódio sobre Kuṇḍalinī e Kriyā Yoga também exige atenção crítica. A série coloca lado a lado tradições tântricas antigas, o Kriyā Yoga associado a Paramahansa Yogananda e o sistema moderno difundido por Yogi Bhajan. Estas correntes apresentam genealogias, textos e contextos históricos diferentes e não devem ser tratadas como manifestações equivalentes de uma única tradição contínua.
A maior reserva diz respeito ao episódio sobre os siddhi. Os textos yogues e religiosos descrevem capacidades extraordinárias, mas alegações como telepatia, telecinesia, levitação ou clarividência não possuem comprovação científica consensual. A sua presença na série é relevante para compreender as cosmologias e narrativas tradicionais, mas não deve ser interpretada como demonstração factual da existência desses fenómenos.
Apesar destas limitações, a série constitui uma introdução audiovisual ampla e visualmente acessível. O seu principal valor encontra-se na diversidade de entrevistados, nos registos filmados na Índia e na apresentação de dimensões do Yoga que raramente aparecem nas produções concentradas apenas em āsana e bem-estar.
Disponível em: Streaming
Plataformas de streaming: Gaia e Yoga International — incluída na subscrição; Prime Video através do canal Gaia, consoante o território
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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