Título original: Le Vijñāna Bhairava
Subtítulo: Texte traduit et commenté
Autor: Anónima / tradicional
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1961
Editora da primeira edição: Éditions E. de Boccard
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
O Vijñānabhairava é um texto tântrico dedicado a práticas contemplativas destinadas ao reconhecimento direto da realidade suprema. Estruturado como diálogo entre Bhairava e Bhairavī, apresenta uma grande variedade de métodos de atenção e meditação relacionados com respiração, sentidos, espaço, som, vazio, emoção, percepção, estados de transição e consciência.
A tradição moderna costuma falar em 112 dhāraṇās ou métodos contemplativos. Essa diversidade é uma das características mais importantes do texto: não propõe uma única técnica universal, mas diferentes portas de entrada para a experiência não dual.
Silburn traduz e comenta estas práticas procurando situá-las no contexto filosófico e contemplativo do Śaivismo da Caxemira, em vez de as apresentar simplesmente como exercícios isolados.
A importância do Vijñānabhairava reside em oferecer um dos testemunhos mais ricos sobre a diversidade das técnicas contemplativas do Yoga tântrico.
O texto mostra que a prática yóguica pode partir de experiências aparentemente quotidianas, como respirar, ouvir um som, observar um intervalo entre dois pensamentos, contemplar o espaço, sentir uma emoção intensa ou reconhecer o instante de transição entre dois estados de consciência.
A realização não é apresentada apenas como resultado de retirada do mundo sensorial. Em muitos métodos, a própria experiência sensorial ou mental torna-se ocasião para reconhecer Bhairava, a consciência absoluta.
Isto faz do Vijñānabhairava um contraponto particularmente importante às interpretações do Yoga centradas exclusivamente em āsana, prāṇāyāma ou supressão da atividade mental.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é muito elevado porque o Vijñānabhairava oferece um dos repertórios mais ricos de práticas contemplativas do Yoga tântrico medieval. O texto permite estudar métodos baseados na respiração, percepção sensorial, atenção aos intervalos, contemplação do vazio, som, emoção, espaço e estados liminares da consciência, mostrando que a prática yóguica podia assumir formas muito mais amplas do que as técnicas posturais hoje mais conhecidas. A tradução e comentário de Lilian Silburn são particularmente úteis para compreender estas práticas dentro do contexto do Śaivismo não dual da Caxemira, relacionando-as com Bhairava, Śakti, consciência e libertação. A obra é assim fundamental para estudar meditação tântrica, dhāraṇā, não dualidade, consciência, respiração e os diferentes meios de acesso à realização nas tradições śaivas.
A tradução de Lilian Silburn apareceu em 1961, numa época em que muitos textos do Śaivismo da Caxemira permaneciam praticamente desconhecidos fora dos círculos especializados. A sua edição tornou-se uma das primeiras traduções francesas de referência do Vijñānabhairava.
O texto tornou-se depois muito conhecido no Ocidente através de traduções e interpretações bastante diferentes entre si, incluindo versões de Jaideva Singh, Bettina Bäumer e Swami Lakshman Joo. Por isso, a tradução de Silburn é especialmente útil para distinguir a leitura filológica e śaiva do texto de adaptações espirituais contemporâneas.
A recensão académica contemporânea da tradução de Silburn descrevia já o Vijñānabhairavatantra como um tratado śaiva sobre comunhão mística com o absoluto.
Francês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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