Natural Science of The Ancient Hindus

Natural Science of The Ancient Hindus

Título original: Natural Science of The Ancient Hindus

Autor: Surendranath Dasgupta

Ano da primeira edição: 1987

Editora da primeira edição: Motilal Banarsidass

Local da primeira edição: New Delhi / Delhi, Índia

Idioma original: Inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

Natural Science of the Ancient Hindus investiga diferentes teorias indianas sobre matéria, movimento e transformação cósmica. O próprio Dasgupta esclarece no prefácio que não pretende simplesmente reunir descobertas científicas ou conhecimentos empíricos atribuídos à Índia antiga. O seu objetivo é muito mais filosófico: reconstruir as teorias da matéria, do movimento e das mudanças cósmicas desenvolvidas por diferentes escolas indianas.

Dasgupta compara diferentes conceções provenientes de tradições hindus, budistas e jainistas e procura demonstrar que essas teorias não eram, na sua interpretação, meras especulações arbitrárias, mas resultados de sistemas filosóficos coerentes e de processos argumentativos desenvolvidos.

Porque é importante

A obra é importante porque aborda uma dimensão da filosofia indiana muitas vezes secundarizada em apresentações modernas centradas apenas em espiritualidade ou religião. Dasgupta mostra que os sistemas filosóficos indianos também desenvolveram teorias detalhadas sobre: matéria; movimento; causalidade; transformação; composição dos objetos; elementos; atomismo; evolução cósmica.

Isto permite compreender melhor escolas como Vaiśeṣika, Nyāya, Sāṃkhya, filosofias budistas e conceções jainistas da matéria e do movimento. O livro é particularmente útil porque Dasgupta procura reconstruir estas teorias a partir da lógica interna dos próprios sistemas, em vez de simplesmente procurar equivalentes antecipados da ciência moderna.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse de Natural Science of the Ancient Hindus para os Estudos do Yoga é sobretudo filosófico, mas bastante relevante. O Yoga clássico de Patañjali desenvolve-se em estreita relação com categorias do Sāṃkhya, incluindo prakṛti, guṇas, pariṇāma, elementos subtis e grosseiros e processos de transformação da matéria e da experiência. A discussão de Dasgupta sobre matéria, mudança cósmica e tanmātras ajuda, portanto, a compreender parte da cosmologia que sustenta o Yoga clássico. É também relevante para tradições posteriores de Yoga e Tantra, nas quais os elementos, tanmātras, corpo subtil e processos de transformação cosmológica adquirem importância prática e ritual.

Curiosidade bibliográfica

A principal curiosidade é que o próprio Dasgupta explica que o livro não nasceu como livro. No prefácio afirma que a obra é constituída por dois estudos independentes, escritos em momentos diferentes e para objetivos diferentes. Por isso, reconhece que não existe entre eles a unidade de estrutura que seria esperada numa monografia concebida desde o início como tal. Isso explica também por que razão a publicação só ocorreu postumamente.

Outra curiosidade é o título. Dasgupta admite no próprio prefácio ter hesitado bastante antes de escolher Natural Science of the Ancient Hindus, porque o conteúdo não consiste propriamente numa história das ciências naturais no sentido moderno. Na realidade, o livro é sobretudo um estudo de filosofia da natureza na Índia antiga.

Nota académica

Há aqui uma precaução particularmente importante. Natural Science of the Ancient Hindus não deve ser utilizado para sustentar afirmações do género “os antigos indianos já conheciam a física moderna”. O próprio Dasgupta é mais cuidadoso do que esse tipo de leitura. O que procura reconstruir são sistemas filosóficos antigos sobre matéria, movimento e mudança, analisados dentro das categorias intelectuais das respetivas tradições. Também a palavra “Hindus” no título é mais ampla do que o conteúdo real, pois Dasgupta inclui explicitamente teorias budistas e jainistas. Isto reflete uma terminologia historiográfica comum no seu período.

Para a investigação contemporânea, a obra deve ser complementada por estudos mais recentes sobre história da ciência e filosofia natural na Índia, mas continua valiosa sobretudo pela extraordinária familiaridade de Dasgupta com as fontes filosóficas sânscritas.

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga